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White Sands, no Novo México, com mais de 700 km² de dunas de gipsita que não deveriam existir em ambiente desértico, foi destacado pela NASA em imagens orbitais como uma das paisagens mais brilhantes visíveis do espaço e preserva marcas humanas de até 23 mil anos formadas quando a região ainda era ocupada por um antigo lago glacial

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 13/04/2026 às 17:12 Atualizado em 13/04/2026 às 17:14
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Foto aerea – White Sands, no Novo México
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White Sands revela dunas de gipsita únicas, origem em lago pré-histórico e marcas humanas de até 23 mil anos vistas do espaço pela NASA.

Em 2009, 2012 e 2016, análises publicadas pela NASA Earth Observatory, em atualizações posteriores como esta leitura orbital de 2023, consolidaram White Sands, no estado do Novo México, nos Estados Unidos, como uma das paisagens mais fáceis de reconhecer em imagens feitas do espaço. O conjunto de dunas brancas de gesso salta aos olhos justamente por surgir como uma área clara e brilhante em meio ao entorno árido e escuro da Bacia de Tularosa, rompendo de forma imediata com o padrão visual típico dos desertos da região.

Enquanto o deserto ao redor exibe tons predominantemente ocres, avermelhados e marrons, White Sands aparece nas imagens como uma faixa clara contínua, com textura ondulada e limites visuais marcantes. Essa visibilidade não acontece por acaso: segundo a NASA Earth Observatory, o brilho das dunas vem do gesso, um mineral raro na formação de campos de areia, cuja superfície branca contrasta fortemente com as encostas escuras próximas e torna a área facilmente identificável até para astronautas em órbita.

O que a NASA registra nessas imagens, porém, não é apenas uma paisagem incomum, mas um sistema geológico ativo. De acordo com o National Park Service, a origem de White Sands está ligada a uma longa sequência de transformações climáticas e geológicas, incluindo a presença de mares antigos, a formação e evaporação de corpos d’água como o antigo Lake Otero e os processos associados ao fim da última era glacial, que permitiram o acúmulo e a reciclagem contínua do gesso que hoje compõe o maior campo de dunas de gesso do planeta.

Mais de 700 km² de dunas de gipsita formam um deserto que não deveria existir

White Sands ocupa uma área superior a 700 quilômetros quadrados, consolidando-se como o maior campo de dunas de gipsita do planeta. Esse dado, por si só, já coloca a região em uma posição única dentro da geologia global.

O aspecto mais incomum dessa formação está no material que compõe as dunas. Diferente da maioria dos desertos do mundo, formados por partículas de quartzo, White Sands é constituído por gipsita, um sulfato de cálcio hidratado altamente solúvel em água.

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Esse detalhe é fundamental porque, em condições normais, a gipsita tende a se dissolver rapidamente quando exposta à umidade, o que dificulta sua acumulação em forma de dunas. No entanto, a região apresenta um conjunto específico de fatores geográficos e climáticos que impedem esse processo, permitindo que o mineral se acumule e seja continuamente redistribuído pelo vento.

Esse fenômeno cria um cenário que, do ponto de vista geológico, é considerado improvável, pois combina condições que raramente coexistem de forma estável.

Lago Otero explica a origem de uma paisagem completamente fora do padrão

A formação de White Sands está diretamente ligada à existência de um antigo corpo d’água conhecido como Lago Otero, que ocupava a bacia da região durante o final da última era glacial, entre aproximadamente 20 mil e 40 mil anos atrás.

Naquele período, o clima local era mais frio e úmido, permitindo a formação de um lago de grandes proporções. Esse lago acumulava água rica em minerais dissolvidos provenientes das montanhas ao redor, especialmente gipsita.

Com o fim da era glacial, mudanças climáticas levaram à redução progressiva do volume de água. À medida que o lago evaporava, os minerais se concentravam e se depositavam no fundo da bacia.

Quando a água desapareceu completamente, restou uma extensa camada de sedimentos ricos em gipsita. Esses depósitos foram então fragmentados pela ação do vento e transportados para formar as dunas que hoje dominam a paisagem.

Esse processo transforma White Sands em um registro direto de transições climáticas que alteraram profundamente o ambiente da região ao longo do tempo.

Cor branca intensa reflete a luz e altera o microclima local

A coloração branca característica de White Sands é consequência direta da composição mineral das dunas. A gipsita possui alta capacidade de refletir a luz solar, o que reduz a absorção de calor em comparação com desertos formados por areia escura.

Esse fator influencia o comportamento térmico da região, criando condições específicas na superfície das dunas. Mesmo sob intensa radiação solar, a temperatura da areia tende a ser mais baixa do que em outros desertos.

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Esse efeito também contribui para a visibilidade da área em imagens orbitais, já que a reflexão da luz gera um contraste marcante com o entorno.

Além disso, a interação entre luz, relevo e composição mineral cria padrões visuais complexos que variam ao longo do dia, dependendo do ângulo de incidência solar.

Marcas humanas de até 23 mil anos desafiam teorias sobre ocupação das Américas

Um dos elementos mais relevantes de White Sands não está apenas na sua formação geológica, mas no que foi preservado em seus sedimentos. Estudos científicos publicados no início da década de 2020 identificaram marcas humanas fossilizadas datadas entre 23 mil e 21 mil anos.

Essas marcas foram encontradas em antigos leitos do Lago Otero, preservadas sob camadas de sedimentos que impediram sua erosão ao longo do tempo.

Foto do espaço – NASA

A datação dessas evidências tem impacto direto no entendimento da presença humana no continente americano, pois sugere que grupos já habitavam a região em um período anterior ao que muitas teorias consideravam possível.

Esse dado amplia o debate científico sobre rotas migratórias e condições ambientais enfrentadas pelos primeiros habitantes das Américas.

Processos naturais ainda moldam a paisagem de forma contínua

Apesar de sua origem estar ligada a eventos antigos, White Sands continua sendo um ambiente dinâmico. A ação do vento permanece como o principal agente de transformação, deslocando partículas de gipsita e alterando constantemente o formato das dunas.

Chuvas ocasionais dissolvem parte do material, que pode recristalizar posteriormente, alimentando novamente o ciclo de formação das dunas.

Esse processo contínuo faz com que a paisagem esteja em constante mudança, mesmo que essas transformações ocorram em escalas de tempo que não são imediatamente perceptíveis.

Isolamento geográfico reforça singularidade do sistema

A bacia onde White Sands está localizada é cercada por cadeias montanhosas que limitam o fluxo de água e sedimentos para fora da região. Esse isolamento contribui para a manutenção das condições que permitem a existência das dunas de gipsita.

Sem esse confinamento natural, o material seria disperso ou dissolvido, impedindo a formação do campo de dunas. Esse fator geográfico reforça o caráter único da região, que depende de um conjunto específico de condições para existir.

White Sands, no Novo México, com mais de 700 km² de dunas de gipsita que não deveriam existir em ambiente desértico, foi destacado pela NASA em imagens orbitais como uma das paisagens mais brilhantes visíveis do espaço e preserva marcas humanas de até 23 mil anos formadas quando a região ainda era ocupada por um antigo lago glacial
White Sands, no Novo México

White Sands reúne, em uma única área, elementos que raramente aparecem de forma tão integrada. A região combina registro climático de uma era glacial, formação mineral incomum, dinâmica geológica ativa e evidências diretas da presença humana antiga.

Essa convergência transforma o local em um dos ambientes mais completos para estudos sobre a história natural da Terra.

O que se observa hoje como um deserto branco é, na verdade, o resultado de processos que envolveram água, clima, relevo e tempo profundo, criando uma paisagem que continua sendo analisada por cientistas de diferentes áreas.

O que você acha dessa paisagem que nasceu de um lago e hoje é visível do espaço

White Sands mostra como mudanças ambientais podem transformar completamente uma região, criando cenários que desafiam padrões conhecidos.

Agora quero saber sua opinião: você acredita que descobertas como essas ainda podem alterar significativamente o que sabemos sobre a ocupação humana nas Américas ou os principais pontos dessa história já estão consolidados?

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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