Santa Catarina ganhará uma fábrica de megabaterias da WEG com foco em armazenamento de energia renovável. O anúncio vem no momento em que o governo acelera um leilão de baterias para reforçar o Sistema Interligado Nacional
Em 2015, um discurso na ONU de Dilma Rousseff sobre a dificuldade de “estocar vento” virou meme, mas apontou um problema real do setor elétrico. Dez anos depois, a tecnologia para resolver a questão avançou com os sistemas BESS (Battery Energy Storage System), já comuns na China, nos Estados Unidos e na Europa, e agora em rápida expansão no Brasil, segundo a Gazeta do Povo.
No início do mês, a brasileira WEG anunciou uma fábrica dedicada a BESS em Itajaí (SC), ampliando a capacidade nacional de armazenar energia de fontes como eólicas e solares. O movimento ocorre em sintonia com a política pública em debate e com a urgência de equilibrar oferta e demanda em horários distintos, quando há sobra de dia e falta à noite, de acordo com informações publicadas pela Gazeta do Povo.
Em declaração na quarta-feira (11), o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse que o país fará o primeiro leilão de baterias até junho. No setor, a janela trabalhada para o certame é junho de 2026, o que reforça a corrida de empresas e investidores para apresentar projetos competitivos e mitigar riscos ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
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Fábrica da WEG em Itajaí promete 2 GWh por ano com alta automação e investimento de R$ 280 milhões
A nova unidade da WEG em Itajaí será dedicada exclusivamente a sistemas BESS, elevando a capacidade produtiva do grupo para até 2 GWh ao ano. Isso equivale a cerca de 400 sistemas de 5 MWh, suficientes para manter 400 mil residências em funcionamento por um dia apenas com energia das baterias, segundo a Gazeta do Povo.
O projeto prevê alto nível de automação, com linhas automáticas e semiautomáticas e o uso de robôs móveis autônomos na logística interna. O investimento é de R$ 280 milhões e a previsão é gerar 90 empregos diretos, número considerado compatível com o grau de modernização da planta. Haverá ainda laboratório de testes e qualificação de produtos e uma subestação para simular condições reais de operação.
“Trata-se de um investimento alinhado com o objetivo estratégico de posicionar a WEG e o Brasil de forma mais competitiva no cenário global de transição energética”, disse o presidente da WEG, Alberto Kuba. Para viabilizar o projeto, a companhia obteve financiamento pelo BNDES Mais Inovação, em chamada pública realizada em parceria com a Finep, voltada à transformação de minerais estratégicos para descarbonização. Antes disso, a WEG já produzia equipamentos BESS no seu ecossistema em Jaraguá do Sul (SC), cidade onde a empresa foi fundada.
Leilão de baterias pode destravar até R$ 10 bilhões em projetos e evitar apagão, mas depende de regulação
Para o presidente da Absae (Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia), Markus Vlasits, o leilão é “a única alternativa para evitar um apagão” e ampliar uma capacidade hoje perto de 1 GWh no país. Segundo ele, o certame previsto para junho de 2026 pode atrair até R$ 10 bilhões em investimentos, com interessados prontos para ofertar mais de 20 GW em projetos, ante expectativa governamental de contratar 2 GW, de acordo com a Gazeta do Povo.
Há, porém, risco de novo adiamento porque a Aneel ainda não incorporou à regulação as mudanças da reforma do setor elétrico, a Lei nº 15.269/2025. Globalmente, a tecnologia soma cerca de 250 GWh instalados, e a perspectiva é movimentar mais de R$ 80 bilhões até 2034. No fim de janeiro, o MME buscou atrair players como Huawei e CATL, a maior fabricante de baterias do mundo, em viagem oficial à China, sinalizando apetite por escala.
Como o armazenamento com BESS equilibra oferta e demanda de eólicas e solares no Brasil
Fontes eólica e solar crescem com rapidez, mas carregam um desafio básico de descompasso temporal. A energia é injetada quando gerada, nem sempre coincidindo com os horários de maior consumo, o que provoca desperdícios e pressiona a rede em picos.
Os sistemas BESS resolvem essa lacuna ao armazenar excedentes nos momentos de sobra e liberá-los quando a demanda sobe. Assim, reduzem o acionamento de termelétricas caras e poluentes e aumentam a confiabilidade do SIN.
Segundo a Gazeta do Povo, especialistas já alertam para risco de colapso sem uma gestão ativa com baterias, sobretudo em noites com baixa ventania após dias de alta produção solar. Ao nivelar a curva de carga, as baterias também aliviam congestionamentos e evitam vertimentos de energia limpa.
Em outras palavras, o armazenamento é a ponte entre a energia que temos e o consumo que precisamos atender. Integrar BESS de forma planejada é um passo pragmático para manter tarifas mais estáveis e a rede mais resiliente.
Usos já em operação no país, do Amazonas fora do SIN ao agronegócio de Registro em São Paulo
No Amazonas, mais de 200 localidades desconectadas do SIN dependem de termelétricas a óleo diesel, e soluções com BESS já ajudam a reduzir custos e emissões. Em Registro (SP), um projeto fortalece a segurança energética do agronegócio local, com ganhos de previsibilidade e qualidade de fornecimento, conforme relatado pela Gazeta do Povo.
Além disso, há iniciativas isoladas em indústrias e comércios por todo o país, mostrando que a tecnologia é modular e escalável. O interesse do governo em atrair gigantes como Huawei e CATL reforça a expectativa de que a viabilização regulatória e financeira ganhe tração nos próximos meses.
O que você acha da entrada de megabaterias no sistema brasileiro, prioridade para leilão e incentivos ou foco em geração e linhas de transmissão primeiro? Deixe seu comentário, diga se o leilão deveria privilegiar produção nacional ou abrir espaço total a importados, e como isso pode afetar preços e a confiabilidade do SIN. O debate é técnico, mas suas impressões ajudam a mapear expectativas e pressões do mercado nessa transição.
