Nova célula solar, desenvolvida por pesquisadores brasileiros e italianos, gera eletricidade com luz artificial e reacende o debate sobre o futuro da energia limpa em interiores.
Uma célula solar capaz de gerar eletricidade sem depender diretamente da luz do Sol está mudando o jogo da energia limpa.
Pesquisadores do Brasil e da Itália desenvolveram uma nova geração de células solares voltadas para ambientes internos, utilizando luz artificial comum, como a de lâmpadas residenciais e comerciais.
A tecnologia aposta em um material semicondutor diferente do silício tradicional. O elemento central é a perovskita, produzida em laboratório e considerada uma das maiores promessas da energia fotovoltaica moderna.
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O avanço chama atenção porque ataca um dos maiores limites das células solares convencionais: a queda brusca de eficiência em locais com baixa luminosidade.
Luz artificial vira fonte real de eletricidade
O mercado de dispositivos fotovoltaicos para interiores é visto como um gigante adormecido. Sensores, controles remotos, dispositivos inteligentes e equipamentos industriais de baixa potência ainda dependem fortemente de pilhas e baterias descartáveis.
No entanto, a iluminação artificial sempre foi insuficiente para alimentar esses sistemas com eficiência.
As novas células solares de perovskita mudam esse cenário. Testes mostram excelente desempenho sob níveis comuns de iluminação interna, como 1.000, 500 e até 200 lux.
Isso abre caminho para equipamentos que funcionam de forma contínua, sem trocas frequentes de baterias.
Tratamento inovador melhora eficiência da célula solar
O avanço foi liderado por pesquisadores do CINE (Centro de Inovação em Novas Energias), em parceria com instituições italianas. A equipe criou um tratamento de superfície inovador para a camada principal da célula solar, composta por perovskita.
O processo envolve a aplicação de uma camada ultrafina formada por uma mistura do sal orgânico PEAI (iodeto de fenetilamônio) com o aditivo DIO (1,8-diiodooctano). Essa combinação gera espontaneamente uma perovskita bidimensional sobre a estrutura tridimensional base, reduzindo defeitos e melhorando o transporte de cargas elétricas.
Outro ponto que chama atenção é a simplicidade do processo. O tratamento ocorre à temperatura ambiente, sem necessidade de etapas térmicas complexas, o que reduz custos e facilita a produção em escala.
Pequenos painéis e aplicações imediatas
A técnica já foi aplicada em células de diferentes tamanhos, incluindo módulos de até 121 cm², formados por 15 células conectadas em série.
Na prática, trata-se de um pequeno painel solar projetado especificamente para ambientes internos.
Os testes reforçam o potencial da célula solar de perovskita para alimentar eletrônicos de baixa potência em residências, comércios e indústrias, reduzindo resíduos e ampliando o uso de energia limpa em espaços fechados.
“A estratégia desenvolvida demonstra forte potencial competitivo em relação a outras metodologias de produção de células e módulos solares de perovskita, especialmente pela simplicidade de fabricação e pelo baixo impacto nos custos”, destacou Francineide.
Se uma célula solar funciona até com luz artificial, ainda faz sentido depender de pilhas e baterias descartáveis?

