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Você confiaria nesses vídeos? Técnicas quase invisíveis mostram como a inteligência artificial cria imagens tão reais que confundem até especialistas

Escrito por Jefferson Augusto
Publicado em 24/01/2026 às 17:07
Comparação entre rosto humano real e imagem criada por inteligência artificial
Diferenças sutis ajudam a identificar imagens criadas por IA
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Ferramentas avançadas de IA produzem vídeos ultrarrealistas que enganam milhões de usuários, levantam dúvidas sobre o que é real e exigem um novo olhar crítico na internet

Nas últimas semanas, vídeos ultrarrealistas criados por inteligência artificial passaram a viralizar intensamente nas redes sociais. À primeira vista, muitas dessas imagens parecem reais. No entanto, quando o usuário observa com mais atenção, surgem dúvidas claras. Afinal, o que é verdade e o que foi criado por computador? Esse cenário já confunde milhões de internautas, especialmente em um momento em que a tecnologia avança mais rápido do que a capacidade de percepção do público.

Além disso, exemplos curiosos ajudaram a impulsionar esse fenômeno. Um programa de auditório fictício apresentado por Marisa Maiô, personagens bíblicos atuando como influenciadores digitais e até o vídeo de um suposto canguru de apoio emocional embarcando em um avião chamaram atenção justamente por parecerem plausíveis. Ainda assim, a inteligência artificial gerou todos esses conteúdos, o que reforça o alto nível de sofisticação alcançado pelas ferramentas atuais.

A informação foi divulgada por veículos especializados em tecnologia, com base em entrevistas com especialistas e análises recentes sobre o avanço das ferramentas de geração de vídeo por IA, conforme reportagens publicadas nas últimas semanas.

O avanço do Veo e o salto no realismo dos vídeos gerados por IA

Grande parte dos vídeos ultrarrealistas que circulam hoje na internet vem do Veo, ferramenta de inteligência artificial desenvolvida pelo Google. A plataforma permite criar vídeos de até 8 segundos a partir de comandos de texto, conhecidos como prompts. Dessa forma, qualquer usuário consegue gerar cenas altamente realistas sem precisar de conhecimento técnico avançado.

Além da qualidade visual, o Veo se destaca por outros avanços importantes. Entre eles estão a adição de som ambiente, vozes artificiais realistas e a correção de falhas comuns que denunciavam vídeos criados por IAs mais antigas. Com isso, movimentos, expressões faciais e iluminação passaram a parecer mais naturais, o que dificulta ainda mais a identificação.

Diante desses avanços acelerados, surge uma pergunta central: como identificar vídeos feitos por inteligência artificial em meio a tantos conteúdos aparentemente reais? Segundo especialistas, a resposta exige atenção redobrada e mudança de comportamento por parte dos usuários.

Detalhes quase invisíveis ajudam a identificar vídeos feitos por inteligência artificial

“Tem sido cada vez mais difícil identificar vídeos feitos por inteligência artificial”, afirma Ricardo Marsili, especialista em IA. Segundo ele, quando as pessoas consomem conteúdo de forma relaxada nas redes sociais, esses vídeos passam despercebidos com facilidade. Ainda assim, alguns sinais costumam levantar suspeitas quando observados com atenção.

Entre os principais indícios, especialistas citam microexpressões faciais estranhas, como movimentos incomuns dos olhos e dos lábios. Além disso, a sincronia labial pode apresentar pequenas falhas, mesmo quando a fala soa natural. Outro ponto recorrente envolve sorrisos exagerados, que não seguem padrões humanos realistas.

As mãos também entregam muitos erros. Em vários casos, a IA falha no desenho e no movimento dos dedos, criando mãos com dedos a mais ou articulações incoerentes. Da mesma forma, a textura da pele pode parecer lisa demais, como se um filtro permanente estivesse aplicado à imagem.

Outros sinais incluem inconsistências na luz e nas sombras, bordas borradas em objetos e situações que desafiam as leis da física, como pessoas ou itens que surgem e desaparecem sem explicação lógica. Por isso, observar o conjunto da cena se torna essencial.

Marcas d’água, rastros digitais e o papel do contexto

Além dos detalhes visuais, algumas ferramentas de IA incluem marcas d’água nos arquivos gerados. No caso do Veo, o vídeo costuma exibir a palavra “Veo” no canto inferior direito. Além disso, o sistema adiciona uma marca d’água invisível chamada SynthID, incorporada aos dados do arquivo, o que dificulta a remoção completa.

No entanto, como alerta Marsili, sempre surgem tentativas de burlar esses mecanismos. “Sempre existem pessoas tentando remover ou alterar essas marcas”, explica. Ainda assim, empresas de tecnologia seguem desenvolvendo novas formas de rastreamento para dificultar o uso indevido dessas imagens.

Mesmo com essas soluções, os especialistas reforçam que o contexto continua sendo o principal filtro. Segundo Marsili, o usuário deve questionar se o cenário, as roupas e o comportamento fazem sentido. Quando algo parece espetacular demais, o melhor caminho é desconfiar.

Desconfiar sempre e checar fontes vira regra básica

Para Fabrício Carraro, program manager da escola de tecnologia Alura e especialista em inteligência artificial, o futuro da informação depende diretamente da postura dos usuários. Segundo ele, todos precisarão adotar um ceticismo crítico diante de qualquer conteúdo visual ou sonoro compartilhado on-line.

À medida que a tecnologia evolui, diferenciar realidade de ficção se torna mais difícil. Por isso, checar informações em fontes confiáveis, buscar confirmações em outros veículos e questionar conteúdos recebidos, especialmente via WhatsApp, se transforma em uma prática indispensável.

Em um cenário onde vídeos falsos parecem reais, a atenção do usuário passa a ser a principal linha de defesa contra a desinformação.


Você já assistiu a um vídeo que parecia real demais e depois descobriu que era feito por inteligência artificial?

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