Superpotência que está à frente no desenvolvimento da tecnologia artificial, a China enfrenta uma situação inusitada e não menos controversa, uma vez que a Justiça do gigante asiático decidiu proibir a substituição do trabalho humano pela máquina de IA
, por entender que as empresas, ao alegarem a necessidade de ‘corte de custos’, não assumiram a devida responsabilidade pelo impacto social do uso massivo da automação.
A disseminação vertiginosa experimentada pela IA (Inteligência Artificial) nos últimos anos tem despertado o temor de que a nova tecnologia possa ceifar milhões de empregos, em todos os quadrantes do planeta. Por enquanto, a única exceção fica por conta dos CEOs Sam Altman das gigantes de tecnologia OpenAI e Jensen Huang, da Nvidia, respectivamente, que, após proclamarem o ‘apocalipse do emprego’, agora adotam a retórica de que tal preocupação seria ‘exagerada’. Mas a ‘mudança de discurso’, na verdade, mascara o interesse corporativo em garantir uma performance positiva de suas respectivas ações no mercado de capitais. De fato, observa-se a tendência de que o uso massivo dessa tecnologia artificial está ceifando rapidamente os postos de trabalho.
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Justiça chinesa proíbe substituição de funcionário por IA
Em contraponto – em que pese a perspectiva de dominar, em prazo muito breve, o mercado global dessa tecnologia, por meio de maciços investimentos – o Judiciário da China tem proibido empresas locais de ‘simplesmente’ substituírem funcionários por IA, a título de ‘cortarem custos’, sem assumirem a responsabilidade pelo impacto social decorrente do uso da automação.
Aparentemente, sem demonstrarem ‘alinhamento automático’ com Pequim, os magistrados mandarins entendem que cabe às corporações, ao menos em parte, assumirem o custo social da ‘substituição tecnológica’, face à tendência de desemprego elevado, perda de renda e insegurança profissional ascendente.
https://marcellosigwalt.substack.com/p/ia-pode-elevar-disparidade-entre
Gigante asiático apresenta exército de robôs
Ao mesmo tempo, o gigante asiático já opera com mais de 2 milhões de robôs industriais, enquanto substitui humanos em serviços urbanos. Maior plataforma chinesa de delivery Meituan já efetua em torno de mil entregas diárias com robôs autônomos em Xangai.
Mais veraz e crível, o banco britânico Standard Chartered admitiu que pretende cortar milhares de empregos até 2030, sob o argumento de que a IA irá elevar a eficiência operacional, com vistas ao aumento da rentabilidade.
Profético, o CEO de outra big tech, Dario Amodei, da Anthropic, foi mais incisivo, ao prever que cerca de 90% dos empregos serão automatizados, restando para os trabalhadores apenas os 10% restantes”.
Baixa qualificação profissional prenuncia drama social
No Brasil, por sua vez, dados do IBRE/FGV apontam que quase a metade da força de trabalho estaria exposta ao impacto da IA, o que atesta o drama social tupiniquim, devido à baixa qualificação profissional do mercado local. Pior, não há no horizonte qualquer política pública consistente que atenue o problema. Neste aspecto, persiste sem resposta o desafio de transformar a automação em um modelo inclusivo que permita ao trabalhador supervisionar e dirigir a IA, em lugar de sua substituição.
Ofertas de ocupação têm queda súbita
Em análise abrangente sobre o mercado de trabalho estadunidense, levando em conta dados em tempo real de vagas online, no ano passado, o Banco Mundial (Bird) observou que, após o lançamento do ChatGPT, houve queda média de 12% das ofertas de ocupação. A instituição acentua, ainda, que no período entre o final de 2022 e junho de 2025, a substituição do homem pela máquina cresceu de 6%, no primeiro ano, para 18% no terceiro “à medida que a tecnologia amadurece e se difunde, com queda mais expressiva entre candidatos sem diploma ou em início de carreira, como aqueles em atividades de apoio administrativo (40%) ou serviços profissionais (30%).
Entre as atividades que a espécie humana poderia se manter a salvo da ‘invasão da tecnologia’, especialistas apontam algumas ‘brechas’:
- Supervisão de IA: habilidade para revisar e garantir a qualidade dos resultados gerados por algoritmos.
- Habilidades sociais: empatia, liderança, criatividade e inteligência emocional — características que as máquinas não possuem.
- Resolução de problemas complexos: uso do raciocínio crítico para guiar a tecnologia rumo aos resultados esperados.

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