Miscanto-gigante aquece prédios de uma vila francesa e reduz a despesa anual com combustível de € 20 mil para apenas € 4,3 mil.
Uma vila de apenas 780 moradores no norte da França conseguiu reduzir em cerca de 16 mil euros por ano sua despesa com aquecimento depois de substituir o óleo combustível por uma planta asiática de crescimento rápido. Desde fevereiro de 2013, Hangest-sur-Somme utiliza o miscanto-gigante para abastecer a caldeira responsável por aquecer seus prédios públicos.
Antes da mudança, o município consumia aproximadamente 20 mil litros de óleo por ano e gastava em torno de 20 mil euros, equivalentes a cerca de R$ 120 mil. Com a adoção do combustível vegetal, a despesa anual caiu para 4,3 mil euros, aproximadamente R$ 25,9 mil.
A economia chega a quase 16 mil euros por ano, valor próximo de R$ 96 mil nas conversões apresentadas pelo projeto. Além de reduzir os gastos públicos, a iniciativa abriu uma nova possibilidade de produção para agricultores da região.
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Miscanto-gigante abastece caldeira de 100 kW
Para manter o sistema de aquecimento funcionando, Hangest-sur-Somme utiliza aproximadamente 60 toneladas da planta por ano.
O material seco é queimado em uma caldeira capaz de gerar 100 kW de energia térmica. Essa energia atende aos edifícios ligados ao sistema municipal, substituindo o combustível fóssil usado anteriormente.
A antiga caldeira a óleo não foi eliminada. O equipamento permanece disponível como reserva e só deve ser acionado caso ocorra algum problema no sistema principal.
Uma empresa especializada também acompanha a qualidade do material utilizado. A verificação serve para confirmar se o combustível vegetal atende às condições técnicas necessárias para uma queima adequada.
Planta cresce rapidamente e exige poucos cuidados
Originário do leste da Ásia, o Miscanthus giganteus é uma gramínea que pode crescer até cinco centímetros por dia.
A espécie já era utilizada há muitos anos em atividades como cobertura de telhados e práticas da medicina tradicional. Mais recentemente, passou a despertar o interesse de produtores rurais franceses pelas características favoráveis ao cultivo.
O miscanto-gigante necessita de pouco adubo e demanda cuidados reduzidos depois de estabelecido no terreno. A combinação entre crescimento acelerado e baixa exigência de manejo contribuiu para sua adoção como fonte de energia.

Após a colheita, a produção destinada a Hangest-sur-Somme é guardada em um galpão de cinco mil metros quadrados, construído com madeira de faia, árvore encontrada na região.
Projeto com miscanto-gigante começou após visita a outra instalação
A substituição do óleo não surgiu diretamente em Hangest-sur-Somme. Representantes da prefeitura conheceram anteriormente um sistema semelhante instalado no castelo de Omiécourt. A experiência serviu como referência para que a administração municipal avaliasse a viabilidade de produzir seu próprio combustível vegetal.
Depois da visita, a cidade adquiriu cinco hectares de terras situados a aproximadamente dois quilômetros da caldeira. Os primeiros três hectares receberam o plantio em 2012. Os outros dois hectares começaram a ser cultivados em 2014, ampliando a área destinada ao fornecimento da biomassa.
A pequena distância entre a lavoura e o equipamento também facilita o transporte da produção depois da colheita.
Agricultor encontrou nova atividade econômica
O agricultor Philippe Collin participou da implantação da cultura na região. Na época, ele trabalhava com criação de gado na propriedade da família e assumiu um primeiro plantio de 25 hectares de miscanto-gigante como forma de diversificar a produção rural.
A iniciativa mostrou que a mudança na fonte de aquecimento não trouxe consequências apenas para o orçamento municipal. O projeto também criou uma alternativa de renda para produtores locais interessados no cultivo da gramínea.
Ao transformar uma planta em combustível para prédios públicos, a vila passou a movimentar uma cadeia que envolve plantio, colheita, armazenamento, controle de qualidade e geração de energia térmica.
Cultivo ajuda a retirar carbono da atmosfera
Durante seu crescimento, o miscanto absorve dióxido de carbono presente na atmosfera. Esse processo ajuda a compensar parte das emissões liberadas posteriormente durante a queima do material. Embora a combustão produza gases, a planta já capturou carbono enquanto se desenvolvia no campo.

O cultivo também contribui para diminuir a quantidade de nitrato presente no solo. Essas características reforçaram o interesse pelo uso da espécie como alternativa ao óleo combustível, que antes precisava ser consumido em grandes volumes para manter os edifícios aquecidos.
A proposta combina, assim, redução de despesas, aproveitamento agrícola e diminuição da dependência de uma fonte fóssil.
Economia ultrapassa 75% do gasto anterior
A diferença entre os custos mostra a dimensão do impacto para uma comunidade de menos de mil habitantes. Ao passar de 20 mil euros para 4,3 mil euros por ano, Hangest-sur-Somme reduziu em mais de três quartos a despesa que tinha com o aquecimento.
O resultado financeiro permite que os recursos antes destinados à compra de óleo possam ser utilizados em outras necessidades municipais. A economia também reduz a exposição da vila às oscilações do preço do combustível tradicional, já que parte da matéria-prima agora é produzida perto do próprio sistema de aquecimento.
Experiência atrai visitantes interessados no modelo
A adoção do miscanto-gigante transformou Hangest-sur-Somme em ponto de interesse para pessoas que avaliam implantar soluções semelhantes. Visitantes passaram a conhecer a caldeira, o armazenamento e o modelo de produção adotado pela comunidade francesa.
O projeto também é utilizado em ações de conscientização ambiental entre os moradores. Ao acompanhar o funcionamento do sistema, a população consegue observar como uma cultura agrícola pode substituir parte do consumo de combustíveis fósseis.
Mais de uma década depois do início da operação, a experiência mostra como uma pequena vila conseguiu transformar uma planta asiática em fonte local de calor, economia pública e oportunidade para agricultores.
Com informações do ig
