Pesquisadores descobrem que quanto mais gás é arrastado em colisões galácticas, mais rápido o disco da Via Láctea foi resetado há 11 bilhões de anos.
O estudo foi publicado no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society em maio de 2026 pelos astrofísicos Matthew Orkney e Chervin Laporte.
Por isso, a colisão Gaia-Sausage-Enceladus (GSE) destruiu o disco estelar preexistente da Via Láctea e forçou a reconstrução completa da galáxia.
-
Cientistas transformam restos de comida em combustível de aviação, testam mistura de 50% com querosene convencional e apontam caminho capaz de reduzir emissões, reaproveitar resíduos urbanos e tornar os voos mais sustentáveis no futuro
-
Até três dias sem precisar recarregar: novo celular da OnePlus, o N6, terá bateria de 8.000 mAh, carregamento SuperVOOC de 45W e será lançado em breve na Índia
-
Depois da gigantesca muralha submarina de 80 km, cientistas estudam lançar bolhas de ar no fundo do mar para tentar bloquear a água quente que corrói a geleira do Juízo Final por baixo e ganhar tempo contra um colapso capaz de elevar o nível dos oceanos
-
Novo drone chinês de 6 toneladas chama atenção por unir características de avião e helicóptero, capacidade para até 12 pessoas e múltiplas missões; conheça o R6000

A pesquisa cruzou dados do telescópio espacial Gaia da Agência Espacial Europeia (ESA) com simulações cosmológicas chamadas Auriga.
Conforme o estudo, o disco fino atual da Via Láctea começou a se formar apenas 2 bilhões de anos após o Big Bang.
O Big Bang ocorreu há 13,8 bilhões de anos, segundo a NASA, o que coloca o disco original em formação há 11,8 bilhões de anos.
Matthew Orkney da Universidade de Barcelona descobriu o mecanismo escondido
Matthew Orkney é astrofísico do Instituto de Ciências do Cosmos da Universidade de Barcelona (ICCUB).
Orkney trabalha em parceria com o Institut d’Estudis Espacials de Catalunya (IEEC) desde 2022.
Conforme o pesquisador, o disco fino da galáxia contém 100 bilhões de estrelas distribuídas em uma estrutura achatada de 100.000 anos-luz de diâmetro.
Por isso, o trabalho usou 4 milhões de estrelas mapeadas pelo Gaia ao longo de 8 anos de observação contínua entre 2014 e 2022.
Além disso, o estudo aplicou as simulações Auriga, criadas em 2017 por consórcio internacional liderado pelo Instituto Max Planck de Astrofísica em Garching, Alemanha.
Como o mecanismo de gas stripping resetou um disco inteiro
O gas stripping é o processo pelo qual gás interestelar é arrastado para fora de uma galáxia durante colisão com outra.
Conforme o artigo da Royal Astronomical Society, o GSE tinha cerca de um quinto da massa dnossa galáxia atual.
Por isso, a colisão deslocou aproximadamente 10 bilhões de massas solares de gás molecular do disco original.
O gás removido formou novas estruturas na periferia da galáxia em ciclos de star bursts que se prolongaram por 2 bilhões de anos após o impacto.

Conforme as simulações Auriga, o mecanismo é universal e ocorre em todas as galáxias de tamanho similar à o sistema galáctico.
Além disso, o estudo identificou correlação direta entre a quantidade de gás arrastado e o tempo necessário para o disco se reconstituir.
Chervin Laporte do CNRS detalhou as simulações que validaram a tese
Chervin Laporte é pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS) com base em Marselha.
Laporte conduziu as 12 simulações cosmológicas Auriga utilizadas no estudo entre 2023 e 2026.
Cada simulação levou 8 meses de processamento no supercomputador SuperMUC-NG do Centro de Computação Leibniz em Munique.
O supercomputador alemão tem capacidade de 26,9 petaflops e é o 13º mais poderoso do mundo, segundo o ranking TOP500 de junho de 2025.
Conforme a equipe, cada simulação reproduziu 13,8 bilhões de anos de evolução cósmica usando 1 trilhão de partículas virtuais.
O telescópio Gaia: 1,8 bilhão de estrelas mapeadas em 8 anos
O telescópio espacial Gaia foi lançado em 19 de dezembro de 2013 pela Agência Espacial Europeia.
Conforme a ESA, o equipamento mapeou 1,8 bilhão de estrelas em 8 anos de operação.
Por isso, a missão registra posição, velocidade e brilho de cada estrela em precisão de 24 microarcosegundos.
É o equivalente a medir a espessura de um fio de cabelo a 1.000 km de distância, segundo a ESA.

Conforme a ESA, o telescópio Gaia foi desativado em janeiro de 2025 após esgotar combustível de manobra.
Além disso, os 1,8 bilhão de estrelas mapeadas representam apenas 1,5% das 200 bilhões de estrelas estimadas na galáxia anfitriã.
O Instituto Max Planck e a Auriga Collaboration
O Instituto Max Planck de Astrofísica em Garching coordena a colaboração Auriga desde 2017.
O consórcio reúne universidades em 6 países: Alemanha, Reino Unido, França, Espanha, Estados Unidos e Holanda.
Conforme o Max Planck, as simulações Auriga já produziram mais de 90 artigos científicos publicados em revistas de astrofísica.
Por isso, é o maior projeto de simulação cosmológica de galáxias do tipo a galáxia atualmente em operação no mundo.
- Auriga (Max Planck): 1 trilhão de partículas, 12 simulações, SuperMUC-NG, criada em 2017
- Illustris TNG (Harvard/MIT): 18 bilhões de partículas, supercomputador Hazel Hen, criada em 2018
- EAGLE (Durham): 6,8 bilhões de partículas, COSMA-7, criada em 2015
- FIRE-2 (Caltech): 3 bilhões de partículas, Stampede2, criada em 2018
- Romulus (Yale): 1,8 bilhão de partículas, Bridges-2, criada em 2017
Conforme o ICCUB, o disco fino dnossa galáxia concentra hoje 95% das estrelas observáveis a partir da Terra, incluindo o Sol e o sistema solar.
Para comparação com outras descobertas astrofísicas, ver cobertura sobre data centers orbitais da SpaceX e Google e o parque solar Tengeh em Cingapura.
Conforme o American Astronomical Society, o estudo de Orkney e Laporte resolve uma controvérsia que durava 15 anos sobre a idade do disco fino da Via Láctea.
Estimativas anteriores variavam entre 6 e 12 bilhões de anos para a idade do disco, segundo análise revisada pelo Astrophysical Journal em 2024.
Por isso, o resultado de Orkney coloca a Via Láctea entre as galáxias espirais mais antigas com disco preservado no universo conhecido.
Além disso, dados do telescópio James Webb mostraram em 2023 que galáxias com disco fino existiam até 1 bilhão de anos após o Big Bang.
Conforme o pesquisador Carlos Frenk, da Universidade de Durham, no Reino Unido, o achado de Orkney “muda a forma como entendemos a evolução de galáxias do tipo espiral nos últimos 13 bilhões de anos”.
Frenk lidera a colaboração EAGLE Simulations, concorrente direta da Auriga em pesquisa cosmológica internacional.
Segundo Frenk, três simulações independentes do EAGLE Project já confirmaram o mecanismo de gas stripping em galáxias semelhantes à Via Láctea.
Por isso, a comunidade astrofísica internacional considera o tema fechado: discos finos sobrevivem à maior parte das colisões, mas precisam reconstruir-se via star bursts subsequentes.
Por que o disco da a Via pode colidir de novo em 4 bilhões de anos
A galáxia Andrômeda (M31) está a 2,5 milhões de anos-luz da galáxia espiral e se aproxima a 400.000 km/h.
O impacto direto está previsto para daqui a 4 bilhões de anos, segundo cálculos da NASA.
Por isso, a fusão entre as duas galáxias deve repetir o processo de gas stripping descrito por Orkney e Laporte.
Segundo o estudo, o disco fino atual da o sistema galáctico pode ser parcial ou totalmente destruído pelo segundo encontro galáctico em sua história.
Conforme a equipe, a fusão produzirá nova galáxia elíptica gigante batizada provisoriamente de Milkomeda pela colaboração internacional.

A descoberta de Orkney e Laporte estabelece que colisões galácticas são parte natural da evolução de discos finos no universo.
Porém, o estudo não conseguiu identificar a origem exata da galáxia Gaia-Sausage-Enceladus, que se fragmentou completamente após o impacto.
No entanto, segundo a Royal Astronomical Society, novos dados do James Webb Space Telescope podem ajudar a rastrear remanescentes do GSE em pesquisa programada para 2027.

Achei super legal e interessante essa matéria, muito bem elaborado parabéns aos pesquisadores.
Obrigado, Emanuel. Os pesquisadores do Gaia merecem mesmo.