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Terremotos na Venezuela podem deixar mais de 10 mil mortos: dois tremores de magnitude 7,2 e 7,5 derrubam mais de 100 prédios em La Guaira, deixam 920 mortos e 3.360 feridos, enquanto equipes estrangeiras correm para buscar sobreviventes

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 26/06/2026 às 17:24 Atualizado em 26/06/2026 às 17:28
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Dois tremores de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram áreas próximas a Caracas, destruíram edifícios em La Guaira, deixaram milhares de feridos e mobilizaram socorristas estrangeiros com drones, cães e câmeras térmicas nas buscas

Os terremotos na Venezuela deixaram ao menos 920 mortos e 3.360 feridos após dois tremores de magnitude 7,2 e 7,5 atingirem, em 24 de junho, uma área cerca de 160 quilômetros a oeste de Caracas, provocando desabamentos e uma corrida internacional pela localização de sobreviventes. Dados da Reuters.

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Centenas de pessoas ainda estariam presas ou desaparecidas, segundo estimativas governamentais. Um site criado para reunir relatos de desaparecimentos acumulava mais de 50 mil cadastros na tarde de sexta-feira. O chefe humanitário da Organização das Nações Unidas apresentou número semelhante.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos apontou alto potencial para que o desastre supere 10 mil mortes.

Caso a projeção se confirme, os tremores poderão ficar entre os mais letais registrados na América Latina durante o último século.

Terremotos na Venezuela destroem mais de 100 prédios em La Guaira

La Guaira, cidade costeira nos arredores de Caracas, aparece como a região mais atingida. Pelo menos 100 edifícios desabaram completamente, incluindo construções residenciais com vários andares.

Rodovias ficaram rachadas, enquanto dezenas de imóveis foram reduzidos a concreto quebrado e estruturas metálicas retorcidas.

Nomes dos edifícios foram escritos sobre algumas ruínas para ajudar as equipes a identificar os locais durante as buscas.

Moradores passaram a vasculhar os escombros com as próprias mãos ou com ferramentas improvisadas. A principal reclamação era a ausência de guindastes e outros equipamentos pesados capazes de retirar grandes lajes.

Jennifer Palacios, de 25 anos, afirmou que moradores conseguiram retirar pessoas com vida dos escombros do complexo habitacional Hugo Chávez, formado por oito torres.

Segundo ela, ainda havia vítimas presas sob as estruturas. Palacios havia deixado brevemente sua residência para enterrar o filho de 6 anos e outros cinco parentes quando os tremores atingiram a região.

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Comunidades denunciam demora da ajuda e falta de equipamentos

Voluntários começaram a transportar suprimentos em motocicletas desde Caracas e Valência. A mobilização ocorreu enquanto moradores denunciavam a falta de apoio estatal, equipes forenses e máquinas para avançar nas operações.

Em Caraballeda, o advogado Ricardo Trias, de 73 anos, tentava obter a certidão de óbito do afilhado, retirado dos escombros na quinta-feira. O corpo permanecia no local porque nenhuma autoridade forense havia aparecido.

A afilhada de Trias, de 33 anos, foi resgatada e levada para um hospital em Caracas. A situação mostra os diferentes desafios enfrentados pelas comunidades, desde o atendimento dos feridos até a retirada e identificação das vítimas.

A presidente interina Delcy Rodríguez anunciou que o estado de La Guaira seria militarizado para facilitar os trabalhos.

Ela também agradeceu às caravanas de voluntários e afirmou que o governo havia distribuído 2.600 toneladas de alimentos.

Patrulhas policiais e integrantes da Guarda Nacional foram observados na estrada de acesso a Los Corales, uma das comunidades mais afetadas. Ainda assim, moradores continuavam cobrando maior presença das autoridades nas áreas destruídas.

Terremotos na Venezuela
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Equipes estrangeiras usam drones, câmeras térmicas e cães

Os primeiros grupos internacionais começaram a chegar quase dois dias depois dos terremotos na Venezuela. Um pequeno contingente da República Dominicana foi o primeiro a alcançar La Guaira, no fim da quinta-feira.

Índia e Suíça enviaram socorristas e suprimentos. O México mobilizou 250 militares especializados em resgate, cinco cães treinados e equipamentos para trabalhar entre estruturas desabadas.

Mais de 60 colombianos chegaram na sexta-feira. El Salvador enviou inicialmente mais de 180 integrantes de uma equipe prevista para reunir 300 pessoas, enquanto a Espanha mobilizou quase 100 socorristas.

Os Estados Unidos anunciaram US$ 150 milhões em ajuda e o relaxamento de sanções para facilitar o atendimento às vítimas. Dois navios militares foram enviados, enquanto helicópteros e aeronaves apoiariam as buscas.

Em Los Corales, 50 integrantes da equipe salvadorenha avaliaram os restos do Coral Mar, complexo formado por três prédios de dez andares. Drones, câmeras térmicas e cães foram usados para procurar sinais de sobreviventes.

O chefe da equipe, Roberto Gavidia, afirmou que moradores relataram ouvir gritos e conseguir contato telefônico com pessoas presas.

Até aquele momento, porém, os socorristas ainda não haviam localizado sobreviventes dentro das estruturas.

Quase 7 milhões de pessoas podem ser afetadas pelo terremotos na Venezuela

O órgão de migração da ONU estimou que quase 7 milhões de pessoas podem sofrer os efeitos do desastre. A entidade passou a fornecer abrigos emergenciais e outros materiais de socorro.

Os terremotos atingiram um país marcado por décadas de turbulência econômica e política, saída de milhões de habitantes e deterioração da infraestrutura e dos serviços básicos.

Empresas estrangeiras de energia informaram que o setor petrolífero venezuelano não sofreu grandes interrupções.

A Bolsa de Valores de Caracas permaneceu fechada e foi transformada em centro de arrecadação de ajuda humanitária.

Antes do desastre de junho de 2026, o terremoto mais mortal da história moderna da Venezuela havia ocorrido em 1967, quando 240 pessoas morreram.

Esta matéria foi elaborada com base em informações da Reuters.

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Romário Pereira de Carvalho

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