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Vencedor do Nobel de Física diz que a humanidade talvez não dure mais 50 anos e alerta para um cenário em que armas nucleares, tensões globais e decisões apressadas podem empurrar o mundo para uma catástrofe irreversível

Escrito por Ana Alice
Publicado em 23/04/2026 às 22:23
Assista o vídeoDavid Gross alerta para risco nuclear crescente e diz que a humanidade pode não sobreviver aos próximos 50 anos em cenário global tenso. (Imagem: Ilustrativa)
David Gross alerta para risco nuclear crescente e diz que a humanidade pode não sobreviver aos próximos 50 anos em cenário global tenso. (Imagem: Ilustrativa)
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Físico vencedor do Nobel reacende debate sobre risco nuclear ao relacionar instabilidade global, arsenais estratégicos e decisões militares rápidas à possibilidade de a humanidade não sobreviver tempo suficiente para ver avanços científicos decisivos.

O físico teórico David J. Gross, vencedor do Nobel de Física de 2004, afirmou em entrevista ao Live Science que a humanidade pode não sobreviver tempo suficiente para ver uma teoria capaz de unificar todas as forças da natureza.

A avaliação foi feita no contexto de uma discussão sobre riscos existenciais e teve como foco o perigo de uma guerra nuclear em um cenário internacional de maior tensão entre potências.

Na entrevista, Gross não apresentou a afirmação como uma previsão exata.

O físico citou uma estimativa segundo a qual a chance anual de uma guerra nuclear poderia estar em torno de 2%, o equivalente a uma possibilidade em 50 a cada ano.

Considerado isoladamente, o número pode parecer baixo; acumulado ao longo de décadas, ele amplia a preocupação levantada pelo pesquisador.

O cientista dividiu o Nobel de Física com H. David Politzer e Frank Wilczek pela descoberta da liberdade assintótica na teoria da interação forte.

A contribuição ajudou a explicar o comportamento da força nuclear forte, uma das quatro forças fundamentais da natureza, e se tornou parte importante da física de partículas moderna.

Risco nuclear e cálculo citado por David Gross

Gross disse ao Live Science que costuma destacar a possibilidade de as pessoas não viverem mais 50 anos por causa do risco nuclear.

Segundo o físico, estimativas anteriores situavam a chance anual de uma guerra nuclear em cerca de 1%, mas ele considera que o ambiente geopolítico atual permite trabalhar com uma hipótese de 2% ao ano.

Essa formulação não significa que exista uma data definida para o fim da humanidade.

O ponto apresentado pelo pesquisador é probabilístico: riscos pequenos, quando repetidos ano após ano, passam a ter impacto maior no cálculo acumulado.

Em termos práticos, uma ameaça anual de baixa frequência pode se tornar relevante quando observada em períodos longos.

O argumento de Gross também se relaciona ao enfraquecimento de mecanismos internacionais de controle de armas e ao aumento da instabilidade entre países com capacidade nuclear.

O Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo, o Sipri, estimou que, no início de 2025, nove Estados possuíam juntos cerca de 12.241 armas nucleares, das quais 9.614 estavam em estoques militares para possível uso.

O mesmo levantamento apontou que todos os países com armas nucleares mantiveram, em 2024, programas de fortalecimento ou modernização de seus arsenais.

A lista inclui Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França, China, Índia, Paquistão, Coreia do Norte e Israel.

De acordo com o Sipri, Washington e Moscou concentram quase 90% das ogivas nucleares do mundo.

Armas nucleares e instabilidade internacional

A entrevista de Gross foi publicada em um momento de deterioração de acordos que, durante décadas, buscaram limitar parte da corrida nuclear.

Em fevereiro de 2026, expirou o tratado New START, último grande acordo bilateral de controle de armas nucleares estratégicas entre Estados Unidos e Rússia.

Com o fim do tratado, deixaram de existir limites juridicamente vinculantes sobre os arsenais estratégicos das duas maiores potências nucleares.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou a expiração do acordo como um momento grave para a paz e a segurança internacionais.

A fala foi apresentada em meio a pedidos para que Washington e Moscou retomassem negociações sobre um novo arranjo de controle de armas.

Na avaliação de Gross, conflitos abertos e tensões regionais ampliam a dificuldade de administrar esse risco.

Ele citou a guerra na Europa, focos de instabilidade no Oriente Médio e o histórico de rivalidade entre Índia e Paquistão como exemplos de situações que mantêm o tema nuclear no centro das preocupações internacionais.

A existência de arsenais nucleares, por si só, não resume o problema.

Em momentos de crise, autoridades políticas e militares podem ter poucos minutos para avaliar sinais de ataque, confirmar informações e decidir uma resposta.

Esse intervalo reduzido aumenta a dependência de protocolos, sistemas de alerta e canais de comunicação entre governos.

Inteligência artificial em decisões militares

Outro aspecto citado por Gross é o avanço da automação e da inteligência artificial em estruturas militares.

O físico afirmou que sistemas automatizados podem passar a ser vistos como uma forma de acelerar decisões em situações de emergência, especialmente quando o tempo de resposta é limitado.

Na entrevista, ele mencionou um cenário em que responsáveis militares teriam cerca de 20 minutos para decidir se lançam mísseis nucleares.

Nessa situação, segundo Gross, poderia aumentar a pressão para transferir parte do processo a sistemas de IA.

A preocupação atribuída ao pesquisador é que essas tecnologias também podem falhar, interpretar dados de forma incorreta ou responder de maneira imprevista.

O debate, portanto, envolve mais do que o número de ogivas existentes.

Também passa por quem controla os sistemas, como as decisões são verificadas e quais salvaguardas impedem que erro humano, falha técnica ou informação incompleta produza uma escalada militar.

À medida que os processos se tornam mais rápidos e complexos, especialistas em segurança internacional costumam apontar a necessidade de mecanismos adicionais de supervisão e contenção.

Cooperação entre potências e controle de armas

Embora alerte para o risco nuclear, Gross não trata esse cenário como inevitável.

Na entrevista, o físico afirmou que há medidas capazes de reduzir a ameaça, com destaque para a retomada da cooperação entre potências e para a reconstrução de instrumentos de controle de armas.

A posição apresentada por ele se apoia na ideia de que armas nucleares são produto de decisões humanas e, por isso, também dependem de decisões políticas para serem limitadas.

Gross comparou o tema ao debate sobre mudanças climáticas, no sentido de que a mobilização científica e pública pode transformar um risco global em pauta permanente de governos e instituições.

Ao tratar do assunto, o pesquisador disse que “nós as fizemos; podemos pará-las”, em referência às armas nucleares.

A frase resume a defesa de que o risco não decorre de uma força natural fora de controle, mas de escolhas militares, diplomáticas e tecnológicas que podem ser revistas por governos.

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Teoria de tudo e futuro da física

A fala de Gross aparece em uma discussão sobre um dos objetivos mais ambiciosos da física teórica: aproximar a gravidade das outras três forças fundamentais, o eletromagnetismo, a força nuclear forte e a força nuclear fraca.

A formulação de uma teoria unificada segue como tema de pesquisa, embora ainda não exista uma resposta definitiva aceita pela comunidade científica.

A trajetória do físico está ligada a esse campo de investigação.

Sua contribuição para a compreensão da força forte ajudou a consolidar a cromodinâmica quântica, teoria que descreve a interação entre quarks e glúons.

Segundo o Nobel Prize, a descoberta da liberdade assintótica explicou por que quarks podem se comportar quase como partículas livres em altas energias.

Nos anos seguintes, Gross também trabalhou em temas relacionados à teoria das cordas, área que busca descrever partículas e forças em uma estrutura teórica mais ampla.

O próprio debate sobre unificação, no entanto, aparece na entrevista ao Live Science ao lado de uma preocupação externa à física: a capacidade da humanidade de atravessar as próximas décadas sem uma catástrofe nuclear.

A declaração do Nobel não altera o estado atual da física nem representa consenso científico sobre a probabilidade exata de uma guerra nuclear.

Ela funciona, dentro da entrevista, como um alerta de um pesquisador sobre riscos que envolvem arsenais, decisões políticas, tecnologia militar e cooperação internacional.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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