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URSS ergueu cidade petrolífera soviética flutuante de 2 mil habitantes com hotéis e campo de futebol sobre navios afundados, a 55 km da costa do Azerbaijão, que hoje resiste em ruínas no Mar Cáspio

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 08/12/2025 às 12:10
URSS ergueu cidade petrolífera Neft Dashlari sobre plataforma petrolífera no Mar Cáspio, símbolo soviético hoje em ruínas que marcou a era do petróleo mundial.
URSS ergueu cidade petrolífera Neft Dashlari sobre plataforma petrolífera no Mar Cáspio, símbolo soviético hoje em ruínas que marcou a era do petróleo mundial.
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Entre 1945 e 1949, a URSS construiu a cidade petrolífera Neft Dashlari sobre uma plataforma petrolífera ancorada em navios afundados no Mar Cáspio, com hotéis, cinema e campo de futebol, abrigando 2 mil pessoas e se tornando um ícone da engenharia soviética, hoje em ruínas.

A 55 km da costa do Azerbaijão, no Mar Cáspio, a cidade petrolífera Neft Dashlari nasceu sob o regime de Josef Stalin entre 1945 e 1949 como a primeira plataforma petrolífera marítima operacional do mundo, erguida para explorar uma gigantesca camada de petróleo a mais de mil metros de profundidade identificada pela Academia de Ciências da URSS.

Ao longo das décadas seguintes, essa cidade petrolífera flutuante ganhou casas, hotéis, cinema, hospital e até campo de futebol sobre uma malha de plataformas e estradas metálicas construídas sobre navios afundados. O projeto chegou a abrigar cerca de 2 mil habitantes e controlar todo o ciclo de produção, do petróleo bruto aos produtos refinados, antes de entrar em decadência após a crise do petróleo dos anos 1970 e o colapso soviético em 1989.

A primeira cidade petrolífera flutuante da era soviética

URSS ergueu cidade petrolífera Neft Dashlari sobre plataforma petrolífera no Mar Cáspio, símbolo soviético hoje em ruínas que marcou a era do petróleo mundial.

Neft Dashlari, literalmente “Rochas de Petróleo”, foi concebida como vitrine da capacidade industrial soviética no pós Segunda Guerra.

No fim da década de 1940, a URSS apostou nessa cidade petrolífera isolada em alto-mar para transformar o Mar Cáspio em plataforma estratégica de abastecimento em plena corrida global pelo chamado “ouro negro”.

Entre 1945 e o fim dos anos 1960, o Ocidente e o Japão elevaram o consumo de petróleo a níveis inéditos, com os Estados Unidos dobrando sua demanda em relação a 1945.

Em um mercado ainda distante da volatilidade atual, consolidar uma cidade petrolífera fixa no mar era tanto um movimento econômico quanto geopolítico, projetando poder tecnológico soviético em plena Guerra Fria.

Navios afundados como fundação da cidade petrolífera

O início da construção de Neft Dashlari foi improvisado e, ao mesmo tempo, experimental.

Primeiro, tudo foi erguido sobre estacas de madeira cravadas no fundo do mar, criando passarelas e pequenas estruturas para os trabalhadores.

Em seguida, os engenheiros soviéticos adotaram uma solução mais radical para expandir a cidade petrolífera.

Pelo menos sete embarcações foram deliberadamente afundadas para servir de base a um sistema de estradas e plataformas de madeira e aço.

Uma delas era o Zoroaster, considerado o primeiro petroleiro do mundo. Sobre esses cascos afundados foram levantados quarteirões de prédios residenciais, transformando hulks de navios em fundação de uma cidade petrolífera permanente, hoje em boa parte corroída pela ação do tempo e do mar.

Ao longo do processo, Neft Dashlari se transformou em um emaranhado de estruturas industriais: cerca de 2 mil plataformas de petróleo interligadas por mais de 300 km de ruas e pontes metálicas instáveis.

Essa rede é o esqueleto físico da cidade petrolífera que ainda resiste, parcialmente ativa, em pleno Mar Cáspio.

Da perfuração ao campo de futebol sobre o mar Cáspio

Em 1951, tudo estava pronto para perfurar o primeiro poço em Neft Dashlari.

Um ano depois, começou a construção sistemática de pontes de estrutura metálica para conectar ilhas artificiais e áreas de produção.

A partir de 1958, a cidade petrolífera iniciou sua fase de expansão mais visível, aproximando-se de um assentamento urbano completo.

Foram erguidos albergues, hotéis, centros culturais, fábricas de pão, cinema, um hospital e o famoso campo de futebol traçado sobre estruturas metálicas suspensas.

Além disso, foram instaladas estações de coleta de petróleo, duas estações de compressão de diesel e dois oleodutos submarinos de 350 mm de diâmetro, consolidando a cidade petrolífera como polo integrado de prospecção, produção e escoamento de petróleo.

Durante seu auge, a maquinaria soviética transformou Neft Dashlari em vitrine de engenharia marítima. Ali se testavam soluções de infraestrutura no mar, que depois seriam replicadas em outros projetos.

A cidade controlava todo o ciclo, da prospecção ao produto final, algo raro até mesmo para grandes complexos petrolíferos em terra firme.

Crise do petróleo, queda da URSS e início da decadência

A partir dos anos 1980, o cenário começou a mudar.

Uma queda global nos preços do petróleo, causada por excedente de oferta após a redução da demanda subsequente às crises da década de 1970, enfraqueceu a rentabilidade de vários projetos.

A cidade petrolífera de Neft Dashlari foi diretamente impactada por esse novo ciclo.

Ao mesmo tempo, novos campos começaram a ser descobertos em outras regiões, desviando investimentos e mão de obra.

A queda da Cortina de Ferro em 1989 e o colapso final da União Soviética agravaram o quadro.

Grande parte da força de trabalho deixou Neft Dashlari, e as estruturas começaram a se deteriorar sem que houvesse um plano claro de desativação ou reconversão.

Desmantelar a cidade petrolífera era mais caro do que mantê-la operando de forma reduzida, o que prolongou uma espécie de limbo operacional.

Ruínas, reabilitações pontuais e legado no Mar Cáspio

Desde a independência do Azerbaijão, autoridades locais optaram por reabilitar apenas parte dos edifícios e alguns pontos emblemáticos da cidade petrolífera, como o antigo campo de futebol.

Ainda assim, não há clareza sobre o estado atual de Neft Dashlari, que nem sequer aparece em ferramentas de mapeamento convencionais, reforçando a aura de enclave esquecido.

O que se sabe é que a população provavelmente diminuiu em relação aos 2 mil habitantes do auge, e muitas estruturas da cidade petrolífera permanecem em ruínas sobre navios afundados e plataformas corroídas, com trechos de pontes instáveis e áreas desativadas.

Ao longo de seis décadas, os campos de Neft Dashlari produziram mais de 170 milhões de toneladas de petróleo e 15 bilhões de metros cúbicos de gás natural associado, deixando um legado expressivo na história da exploração offshore.

Hoje, Neft Dashlari é, ao mesmo tempo, vestígio da ambição energética soviética e exemplo extremo de cidade industrial criada exclusivamente para servir ao petróleo. Diante dessa história, se você tivesse a chance de visitar essa cidade petrolífera em ruínas no meio do Mar Cáspio, o que mais gostaria de ver ou registrar primeiro?

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Niko
Niko
12/12/2025 10:53

I think there were more than two inhabitants…

Dr.
Dr.
10/12/2025 14:23

Neft Dashlari, sounds like the name of a Star Wars city.

Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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