A Petrobras aprovou, no dia 19 de junho de 2026, a decisão final de investimento para a construção de uma planta de biorrefinaria na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão, no litoral de São Paulo, com aporte estimado em cerca de US$ 1,2 bilhão. A unidade será dedicada à produção de bioquerosene de aviação e diesel renovável, combustíveis feitos a partir de matérias-primas vegetais, e deve entrar em operação em 2030.
O projeto representa um dos maiores investimentos recentes da estatal em energias de baixo carbono e marca a entrada definitiva da companhia no mercado de combustíveis sustentáveis para a aviação, um segmento que cresce no mundo todo à medida que o setor aéreo busca reduzir suas emissões. A planta terá capacidade para produzir até 15 mil barris por dia de combustíveis renováveis.
O que a nova planta vai produzir
A unidade de Cubatão será voltada a dois produtos principais. O primeiro é o bioquerosene de aviação, conhecido pela sigla SAF, do inglês para combustível sustentável de aviação. Trata-se de um substituto do querosene fóssil que alimenta os aviões, produzido a partir de fontes renováveis como óleos vegetais e gorduras residuais, com potencial de reduzir de forma significativa as emissões de carbono dos voos.
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O segundo produto é o diesel renovável, também chamado de diesel R, um combustível quimicamente semelhante ao diesel comum, mas feito a partir de biomassa. Diferente do biodiesel tradicional, o diesel renovável pode ser usado em motores sem necessidade de adaptação e em proporções maiores de mistura, o que o torna atraente para o transporte pesado e para a frota de caminhões.

Por que a aposta nos combustíveis sustentáveis
A decisão acompanha uma tendência global. O setor de aviação enfrenta pressão crescente para reduzir suas emissões, e o combustível sustentável de aviação é hoje a principal alternativa disponível, já que aviões elétricos ou a hidrogênio ainda estão distantes da operação comercial em larga escala. Metas internacionais e regulações europeias vêm exigindo mistura mínima de SAF nos voos, criando demanda firme para esse tipo de combustível.
A pressão por voos mais limpos não para de crescer.
No Brasil, a política de Combustível do Futuro, sancionada em lei, estabeleceu metas de adição de combustíveis renováveis e abriu espaço para investimentos como o da Petrobras. O país tem vantagem competitiva nesse mercado por ser um grande produtor agrícola, com oferta abundante de matérias-primas como óleos vegetais que servem de base para o SAF e o diesel renovável.
Para a Petrobras, o projeto diversifica o portfólio e posiciona a empresa num segmento de futuro, sem abandonar a sua força no petróleo. A estratégia da companhia para os próximos anos prevê investimentos relevantes em etanol, biodiesel, biometano, diesel renovável e SAF, dentro do esforço de transição energética acompanhado de perto por investidores.


A escolha de Cubatão
A localização não é por acaso. A Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão, é uma das mais antigas do país e está estrategicamente localizada perto do Porto de Santos e dos grandes centros consumidores do Sudeste. Instalar a biorrefinaria numa refinaria já existente permite aproveitar parte da infraestrutura, da logística e da mão de obra qualificada disponíveis na região, reduzindo custo e tempo de implantação.
A escolha também tem peso simbólico. Cubatão foi por décadas conhecida pela poluição industrial pesada, e instalar ali uma planta de combustíveis renováveis sinaliza a transformação do polo petroquímico em direção a uma produção de menor impacto ambiental. A obra deve gerar empregos durante a construção e na operação da unidade.
O cronograma e os próximos passos
Com a decisão final de investimento aprovada, a Petrobras parte agora para a fase de contratação e construção da planta, cuja entrada em operação está prevista para 2030. Projetos industriais desse porte envolvem etapas de engenharia detalhada, licenciamento e montagem que se estendem por vários anos antes do início da produção.
O investimento de cerca de US$ 1,2 bilhão em Cubatão integra um plano mais amplo da estatal, que prevê aportes bilionários no estado de São Paulo até o fim da década, concentrados em exploração e produção, refino, gás, logística e biocombustíveis. Segundo a Agência Petrobras, a planta de bioquerosene e diesel renovável é uma das peças centrais dessa estratégia de baixo carbono.
