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Califórnia aposta em usina submarina inédita para transformar água do Pacífico em potável, instalar 60 pods a 400 metros perto de Malibu e produzir 227 milhões de litros diários contra a seca recorrente até 2030

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 08/12/2025 às 11:40
Atualizado em 08/12/2025 às 11:41
Nova usina submarina de dessalinização em Malibu promete gerar água potável e aliviar a seca na Califórnia com tecnologia inédita até 2030.
Nova usina submarina de dessalinização em Malibu promete gerar água potável e aliviar a seca na Califórnia com tecnologia inédita até 2030.
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Nova usina submarina de dessalinização da OceanWell, na Baía de Santa Monica, promete instalar 60 pods a 400 metros de profundidade até 2030, produzir 227 milhões de litros diários de água potável e reforçar o abastecimento de 70 mil moradores no oeste de Los Angeles em meio à seca recorrente.

Anunciada em 20 de agosto de 2025, a usina submarina Water Farm 1 inaugura o primeiro grande projeto de dessalinização submarina dos Estados Unidos, com foco em transformar diretamente a água do oceano Pacífico em água potável em escala industrial. O sistema será instalado na Baía de Santa Monica, próximo a Malibu, onde cerca de 60 módulos devem operar a aproximadamente 400 metros de profundidade.

O projeto surge em um contexto de seca recorrente na Califórnia, agravada por temperaturas mais altas, redução do degelo nas montanhas, evaporação acelerada e queda no volume do rio Colorado. A meta é produzir 227 milhões de litros diários de água potável até 2030, aliviando a pressão sobre reservatórios e redes convencionais e oferecendo uma nova fonte de fornecimento para dezenas de milhares de moradores da região oeste do Condado de Los Angeles e, futuramente, cidades mais distantes como Burbank.

Seca recorrente força nova estratégia hídrica na Califórnia

Nova usina submarina de dessalinização em Malibu promete gerar água potável e aliviar a seca na Califórnia com tecnologia inédita até 2030.

Nas últimas décadas, a Califórnia convive com ciclos de seca cada vez mais intensos e prolongados.

A combinação de ondas de calor frequentes, menor reposição de neve nas cadeias montanhosas, evaporação acelerada em rios e reservatórios e redução do fluxo do rio Colorado pressiona todo o sistema de abastecimento regional.

Manter reservatórios em níveis adequados tornou-se um desafio estrutural, não apenas sazonal.

Diante desse cenário, autoridades e empresas de tecnologia hídrica passaram a buscar fontes complementares de água além de reservatórios de superfície e importação de bacias distantes.

A usina submarina proposta pela OceanWell, em parceria com o Las Virgenes Municipal Water District e outras seis agências, é apresentada como uma alternativa para diversificar a matriz hídrica e reduzir a vulnerabilidade a ciclos de seca extrema.

Como funciona a usina submarina Water Farm 1

O conceito da usina submarina Water Farm 1 se baseia no uso da própria pressão natural do oceano em grandes profundidades.

A cerca de 400 metros na Baía de Santa Monica, os pods modulares de dessalinização serão posicionados de forma a aproveitar essa pressão para forçar a passagem da água do mar por filtros de osmose reversa, sem necessidade de bombas mecânicas para pressurização inicial.

Esses filtros são projetados para reter não apenas o sal, mas também microplásticos, bactérias, vírus e substâncias químicas persistentes conhecidas como PFAS, frequentemente chamadas de químicos eternos.

Ao concentrar o processo no fundo do mar, a usina submarina busca reduzir o impacto visual na costa e diminuir etapas de bombeamento em superfície.

Segundo a OceanWell, cada módulo da usina submarina poderá produzir até 3,7 milhões de litros de água potável por dia.

Em conjunto, os cerca de 60 pods têm capacidade projetada para atingir, até 2030, um volume total aproximado de 227 milhões de litros diários.

A empresa afirma ainda que a arquitetura submarina e o uso da pressão natural podem reduzir em até 40 por cento o consumo de energia em comparação com plantas tradicionais de dessalinização em terra.

Instalação dos pods e integração com a rede de abastecimento

Na prática, a implantação da usina submarina exigirá uma infraestrutura de conexão entre os pods instalados no fundo da Baía de Santa Monica e os sistemas de tratamento e distribuição em terra.

Dutos submarinos devem conduzir a água já dessalinizada até uma planta em solo, onde o produto final será integrado à rede de abastecimento operada pelo Las Virgenes Municipal Water District e pelas demais agências parceiras.

A expectativa é de que o volume produzido inicialmente na usina submarina atenda diretamente cerca de 70 mil moradores da região oeste do Condado de Los Angeles.

Ao longo do tempo, o sistema pode ser ampliado ou replicado, permitindo que cidades sem acesso direto ao oceano sejam beneficiadas por meio de arranjos de compensação dentro de redes maiores de distribuição.

No caso de Burbank, por exemplo, a saída proposta é um mecanismo de troca dentro da rede do Metropolitan Water District of Southern California.

A cidade contribuirá com o financiamento da água fornecida pela usina submarina aos parceiros costeiros e, em contrapartida, receberá um volume equivalente redistribuído pela MWD, sem necessidade de construir infraestrutura própria até o mar.

Impacto projetado até 2030 e declarações dos responsáveis

Se a meta de produzir 227 milhões de litros diários for alcançada até 2030, a usina submarina poderá representar uma parcela relevante do abastecimento de água potável nas áreas atendidas pelo consórcio.

Esse volume ajuda a compensar a queda de outras fontes, como reservas superficiais em períodos de estiagem prolongada, e aumenta a resiliência da rede diante de chuvas irregulares.

Para a OceanWell, o projeto Water Farm 1 funciona como vitrine tecnológica de uma abordagem considerada mais distribuída e escalável.

O CEO Robert Bergstrom destacou que a Califórnia e outras regiões do mundo precisam de novas fontes para substituir suprimentos em declínio e que a usina submarina busca mostrar como colher água doce do oceano de maneira responsável e economicamente viável.

A promessa é combinar segurança hídrica, eficiência energética e padrões elevados de qualidade da água final.

Do ponto de vista das cidades sem contato direto com o mar, como Burbank, o modelo de troca via rede metropolitana é visto como oportunidade para diversificar a origem da água sem replicar toda a infraestrutura.

Richard Wilson, da Burbank Water and Power, descreveu o arranjo como uma solução de compartilhamento em que o investimento local em novas fontes, como a usina submarina, retorna em forma de maior segurança de fornecimento distribuída pela MWD.

Estudos ambientais, projeto piloto e próximos passos regulatórios

Antes da expansão definitiva da usina submarina, o consórcio responsável conduziu um projeto piloto concluído em março de 2025.

Essa fase inicial serviu para testar o desempenho dos pods em condições reais de profundidade, avaliar a eficiência dos filtros de osmose reversa e acompanhar eventuais impactos em parâmetros de qualidade da água e no entorno marinho imediato.

Paralelamente, grupos ambientais e comunitários seguem analisando os resultados do projeto piloto e os estudos de impacto associados à futura usina submarina de grande escala.

As avaliações incluem potenciais efeitos sobre a fauna marinha, a dispersão do concentrado salino resultante da dessalinização e a compatibilidade do empreendimento com normas de proteção da Baía de Santa Monica e da costa próxima a Malibu.

Os próximos passos envolvem a integração definitiva do sistema Water Farm 1 à infraestrutura hídrica existente, ajustes finais no desenho de engenharia, licenciamento ambiental e acordos operacionais entre as agências de abastecimento participantes.

Se os estudos confirmarem impacto controlado e desempenho dentro das metas energéticas e de qualidade, a usina submarina poderá se tornar um modelo para outras regiões costeiras pressionadas pela seca.

Diante desse cenário, você considera que projetos como essa usina submarina devem se tornar prioridade na estratégia contra a seca em regiões costeiras ou ainda vê mais vantagens em investir apenas em reservatórios e reutilização de água?

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Vitoe
Vitoe
11/12/2025 08:41

Nunca vai faltar água para a humanidade. Infelizmente o homem
não sabe fazer uso sustentável desse líquido precioso que é a vida do planeta, assim como o sangue é a nossa vida! Os mares produz toda água que precisamos através de um processo chamado ciclo das águas, onde a evaporação dos mares torna possível cair água pura e cristalina altamente saudável que enche os recursos hídricos (rios, lagos, minas), e todos nós temos acesso ilimitado a esse bem precioso.

Tirar água doce do mar é possível, mas desnecessário, caríssimo, político, e por cima insustentável.

Última edição em 5 meses atrás por Vitoe
Maicon
Maicon
10/12/2025 09:02

Continua consumindo combustíveis fósseis como vocês gostam com essas camionete que parecem um caminhão e não se importando com a mudança climatica igual seu governo faz

Romoaldo
Romoaldo
09/12/2025 13:47

Buenas. É positivo. Mais uma opção. A questão do aquecimento global necessita ser trabalhada em várias frentes, mas precisamos também questionar se o Planeta não tem seu processo natural de transformação. A Terra tem 4,5 bilhões de anos, e estamos aqui há ” 10 mil anos “. Os estudos do passado nos trazem noções mas estão longe de certezas. E o processo de congelamento que o Planeta já sofreu? Existiam seres humanos aqui naquela época? No entanto é dever dessa humanidade fazer o que pode para colaborar com a saúde da Terra, independente se existe um processo natural conjuntamente. Abraço.

Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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