A ponte instalada em Ghent sobre o Canal Ringvaart exigiu Sarens, 120 linhas de eixo, barcaças gêmeas e controle extremo para preservar segurança viária, reduzir deslocamentos, apoiar ciclovias, melhorar cruzamentos e transformar uma travessia estreita em obra decisiva para a mobilidade urbana da cidade belga nos próximos anos locais integrados.
Uma ponte de 106 metros de comprimento, 2.600 toneladas e formato piramidal foi transportada e instalada em Ghent, na Bélgica, em uma operação conduzida pela Sarens e divulgada em 22 de abril de 2026. A estrutura saiu de Evergem e seguiu até o Canal Ringvaart antes de ocupar sua posição final.
Segundo informações divulgadas pela Sarens, o transporte chamou atenção pela precisão exigida: em alguns trechos do canal, a margem disponível era de apenas 30 a 40 centímetros. A nova Ponte Pirâmide KWN02 foi projetada para melhorar a mobilidade entre as margens, reduzir o tempo de viagem em cerca de 15 minutos e aumentar a segurança viária na região.
Ponte piramidal exigiu transporte por terra, água e cálculos fora do padrão

A operação começou com uma estrutura pouco comum para os padrões urbanos: uma ponte de 2.600 toneladas, 106 metros e desenho piramidal. O projeto arquitetônico leva assinatura de Laurent Ney, enquanto a fabricação ficou a cargo da Victor Buyck Steel Construction, em Evergem.
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Para tirar a peça da fábrica e levá-la até Ghent, a Sarens utilizou 120 linhas de eixo SPMT K24, veículos modulares autopropelidos usados em cargas que não podem ser movidas por caminhões convencionais. Depois, a estrutura seguiu pelo canal sobre as barcaças gêmeas Karel e Victor.
Canal estreito deixou apenas 30 a 40 centímetros de folga durante a travessia

O trecho mais delicado da operação ocorreu durante o transporte pelo Canal Ringvaart. Em determinados pontos, havia somente 30 a 40 centímetros de espaço livre entre a carga e os limites do trajeto, o que exigiu controle milimétrico para evitar danos à estrutura, à infraestrutura local e ao ambiente ao redor.
A logística envolveu bombas de lastro, guinchos e sistemas de escoramento para manter a estabilidade da ponte durante a navegação. Com uma peça desse porte, qualquer inclinação, deslocamento ou erro de cálculo poderia comprometer a operação inteira.
Formato piramidal mudou o desafio do içamento e da instalação
Além do peso, o formato piramidal da ponte tornou o trabalho mais complexo. A distribuição do centro de gravidade e os pontos de apoio exigiram estudos de engenharia específicos antes da instalação, já que a estrutura não se comportava como uma ponte reta convencional.
Na fase final, a Sarens utilizou um sistema de macacos hidráulicos CS1000 com quatro torres, além de vigas modulares 340T-MB. Esse conjunto permitiu posicionar a estrutura com precisão no local definitivo, sobre o Canal Ringvaart, dentro de uma janela curta de execução.
Instalação foi concentrada em um único fim de semana para reduzir impactos
A instalação da ponte foi organizada para ocorrer em apenas um fim de semana. A decisão teve relação direta com o impacto que uma interrupção prolongada causaria no tráfego rodoviário e fluvial da região de Ghent.
Para cumprir o prazo, as equipes trabalharam em turnos contínuos. A operação precisava avançar sem pausas longas, mas sem abrir margem para improvisos, já que o projeto envolvia transporte pesado, navegação em canal estreito e instalação estrutural de grande porte.
Nova ponte faz parte de uma requalificação urbana maior em Ghent

A Ponte Pirâmide não é uma intervenção isolada. Ela integra um projeto mais amplo de requalificação urbana em Ghent, que prevê a remodelação de 22 cruzamentos e interseções, além da criação de 27 quilômetros de infraestrutura cicloviária.
A proposta também busca separar melhor os fluxos de veículos, bicicletas e pedestres, especialmente por meio de cruzamentos desnivelados. Na prática, a ponte deve contribuir para reduzir conflitos no trânsito e melhorar a segurança de quem circula pela região.
Obra também promete reduzir viagens, emissões e barreiras para a fauna
Segundo os dados do projeto, a nova ponte deve encurtar o tempo de deslocamento entre as margens do canal em aproximadamente 15 minutos. A estimativa também aponta redução de cerca de 12% nas emissões de CO₂ por veículo nesse trecho.
Outro detalhe relevante é a presença de dois corredores verdes dedicados à passagem de fauna. A ideia é restabelecer conexões para espécies locais, principalmente pequenos mamíferos e anfíbios que antes ficavam mais isolados pela barreira formada pelo Canal Ringvaart.
Engenharia pesada mostra como uma ponte pode mudar mais do que o trânsito
A instalação da Ponte Pirâmide em Ghent mostra que uma obra de mobilidade pode reunir engenharia pesada, planejamento urbano, segurança viária e preocupação ambiental no mesmo projeto.
O transporte da estrutura foi tão importante quanto a própria instalação, porque revelou o nível de precisão necessário para mover uma peça de 2.600 toneladas por um canal estreito.
Agora, a ponte passa a fazer parte de uma transformação maior na cidade belga. A pergunta que fica é: obras desse porte, com logística complexa e impacto direto na mobilidade, deveriam ser mais comuns em grandes cidades? Você acha que projetos assim compensam o custo e a complexidade da execução? Comente sua opinião.

