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Uma ponte de 106 metros, 2.600 toneladas e formato piramidal foi levada por canal estreito na Bélgica com apenas 30 a 40 centímetros de folga, antes de ser instalada em Ghent para encurtar viagens e melhorar a segurança viária

Escrito por Carla Teles
Publicado em 19/05/2026 às 14:45
Atualizado em 19/05/2026 às 14:47
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Ponte em Ghent no Canal Ringvaart mostra como Sarens usou engenharia pesada para ampliar segurança viária na Bélgica.
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A ponte instalada em Ghent sobre o Canal Ringvaart exigiu Sarens, 120 linhas de eixo, barcaças gêmeas e controle extremo para preservar segurança viária, reduzir deslocamentos, apoiar ciclovias, melhorar cruzamentos e transformar uma travessia estreita em obra decisiva para a mobilidade urbana da cidade belga nos próximos anos locais integrados.

Uma ponte de 106 metros de comprimento, 2.600 toneladas e formato piramidal foi transportada e instalada em Ghent, na Bélgica, em uma operação conduzida pela Sarens e divulgada em 22 de abril de 2026. A estrutura saiu de Evergem e seguiu até o Canal Ringvaart antes de ocupar sua posição final.

Segundo informações divulgadas pela Sarens, o transporte chamou atenção pela precisão exigida: em alguns trechos do canal, a margem disponível era de apenas 30 a 40 centímetros. A nova Ponte Pirâmide KWN02 foi projetada para melhorar a mobilidade entre as margens, reduzir o tempo de viagem em cerca de 15 minutos e aumentar a segurança viária na região.

Ponte piramidal exigiu transporte por terra, água e cálculos fora do padrão

Ponte em Ghent no Canal Ringvaart mostra como Sarens usou engenharia pesada para ampliar segurança viária na Bélgica.
Imagem: Sarens/Divulgação.

A operação começou com uma estrutura pouco comum para os padrões urbanos: uma ponte de 2.600 toneladas, 106 metros e desenho piramidal. O projeto arquitetônico leva assinatura de Laurent Ney, enquanto a fabricação ficou a cargo da Victor Buyck Steel Construction, em Evergem.

Para tirar a peça da fábrica e levá-la até Ghent, a Sarens utilizou 120 linhas de eixo SPMT K24, veículos modulares autopropelidos usados em cargas que não podem ser movidas por caminhões convencionais. Depois, a estrutura seguiu pelo canal sobre as barcaças gêmeas Karel e Victor.

Canal estreito deixou apenas 30 a 40 centímetros de folga durante a travessia

Ponte em Ghent no Canal Ringvaart mostra como Sarens usou engenharia pesada para ampliar segurança viária na Bélgica.
Imagem: Reprodução/VRT NWS.

O trecho mais delicado da operação ocorreu durante o transporte pelo Canal Ringvaart. Em determinados pontos, havia somente 30 a 40 centímetros de espaço livre entre a carga e os limites do trajeto, o que exigiu controle milimétrico para evitar danos à estrutura, à infraestrutura local e ao ambiente ao redor.

A logística envolveu bombas de lastro, guinchos e sistemas de escoramento para manter a estabilidade da ponte durante a navegação. Com uma peça desse porte, qualquer inclinação, deslocamento ou erro de cálculo poderia comprometer a operação inteira.

Formato piramidal mudou o desafio do içamento e da instalação

Além do peso, o formato piramidal da ponte tornou o trabalho mais complexo. A distribuição do centro de gravidade e os pontos de apoio exigiram estudos de engenharia específicos antes da instalação, já que a estrutura não se comportava como uma ponte reta convencional.

Na fase final, a Sarens utilizou um sistema de macacos hidráulicos CS1000 com quatro torres, além de vigas modulares 340T-MB. Esse conjunto permitiu posicionar a estrutura com precisão no local definitivo, sobre o Canal Ringvaart, dentro de uma janela curta de execução.

Instalação foi concentrada em um único fim de semana para reduzir impactos

A instalação da ponte foi organizada para ocorrer em apenas um fim de semana. A decisão teve relação direta com o impacto que uma interrupção prolongada causaria no tráfego rodoviário e fluvial da região de Ghent.

Para cumprir o prazo, as equipes trabalharam em turnos contínuos. A operação precisava avançar sem pausas longas, mas sem abrir margem para improvisos, já que o projeto envolvia transporte pesado, navegação em canal estreito e instalação estrutural de grande porte.

Nova ponte faz parte de uma requalificação urbana maior em Ghent

Ponte em Ghent no Canal Ringvaart mostra como Sarens usou engenharia pesada para ampliar segurança viária na Bélgica.
Imagem: Reprodução/VRT NWS.

A Ponte Pirâmide não é uma intervenção isolada. Ela integra um projeto mais amplo de requalificação urbana em Ghent, que prevê a remodelação de 22 cruzamentos e interseções, além da criação de 27 quilômetros de infraestrutura cicloviária.

A proposta também busca separar melhor os fluxos de veículos, bicicletas e pedestres, especialmente por meio de cruzamentos desnivelados. Na prática, a ponte deve contribuir para reduzir conflitos no trânsito e melhorar a segurança de quem circula pela região.

Obra também promete reduzir viagens, emissões e barreiras para a fauna

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Segundo os dados do projeto, a nova ponte deve encurtar o tempo de deslocamento entre as margens do canal em aproximadamente 15 minutos. A estimativa também aponta redução de cerca de 12% nas emissões de CO₂ por veículo nesse trecho.

Outro detalhe relevante é a presença de dois corredores verdes dedicados à passagem de fauna. A ideia é restabelecer conexões para espécies locais, principalmente pequenos mamíferos e anfíbios que antes ficavam mais isolados pela barreira formada pelo Canal Ringvaart.

Engenharia pesada mostra como uma ponte pode mudar mais do que o trânsito

A instalação da Ponte Pirâmide em Ghent mostra que uma obra de mobilidade pode reunir engenharia pesada, planejamento urbano, segurança viária e preocupação ambiental no mesmo projeto.

O transporte da estrutura foi tão importante quanto a própria instalação, porque revelou o nível de precisão necessário para mover uma peça de 2.600 toneladas por um canal estreito.

Agora, a ponte passa a fazer parte de uma transformação maior na cidade belga. A pergunta que fica é: obras desse porte, com logística complexa e impacto direto na mobilidade, deveriam ser mais comuns em grandes cidades? Você acha que projetos assim compensam o custo e a complexidade da execução? Comente sua opinião.

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Carla Teles

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