Tecnologia japonesa, obras bilionárias e ampliação do saneamento colocam a ETE Barueri no centro de uma das maiores intervenções ambientais em andamento no estado de São Paulo, com impacto direto sobre a capacidade de tratamento de esgoto na Região Metropolitana de São Paulo.
A ETE Barueri, na Grande São Paulo, maior estação de tratamento de esgoto da América Latina, recebeu o primeiro de quatro conjuntos de superbombas que vão ampliar o recebimento de esgoto bruto de 24 mil para 36 mil litros por segundo, segundo o Governo de São Paulo.
Integrado à obra de expansão e retrofit da unidade, o equipamento faz parte do programa Integra Tietê, que prevê R$ 5,7 bilhões em investimentos e conclusão até o fim de 2029.
Com a modernização, a capacidade de tratamento deve crescer 40,6%, ampliando o acesso ao serviço para mais de 4 milhões de pessoas.
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Capacidade ampliada na ETE Barueri
Descritas pelo governo paulista como inéditas no Brasil e desenvolvidas com tecnologia japonesa, as novas bombas foram projetadas para aumentar a vazão de entrada do esgoto bruto na estação e reforçar a operação de uma estrutura essencial para a Grande São Paulo.
Na prática, a ampliação acrescentará mais de 1 bilhão de litros tratados por dia à capacidade da unidade, volume comparado a mais de 103 mil caminhões-pipa de 10 mil litros circulando diariamente.
Além do avanço no bombeamento, a Sabesp prevê elevar a capacidade média de tratamento da ETE Barueri de 16 mil para 22,5 mil litros por segundo, ganho operacional equivalente a cerca de 2 milhões de habitantes em capacidade adicional de saneamento.
Prevista para entrar em operação em janeiro de 2027, a primeira das quatro bombas será seguida pelos demais equipamentos, que devem ser acionados de forma escalonada nos anos posteriores.
A estação atende continuamente São Paulo, Barueri, Osasco, Carapicuíba, Jandira, Itapevi, Santana de Parnaíba e Taboão da Serra, além de áreas de Cotia, Embu das Artes e Itapecerica da Serra.
Integra Tietê concentra obra bilionária
Dentro do Integra Tietê, a expansão da ETE Barueri busca ampliar o tratamento de esgoto e reduzir o lançamento de efluentes sem tratamento na bacia do rio Tietê, uma das áreas mais pressionadas pela urbanização na Região Metropolitana de São Paulo.
Por concentrar obras estruturais em municípios densamente povoados, o projeto reforça a rede de saneamento em uma região onde a ampliação da capacidade operacional depende tanto de novos equipamentos quanto da modernização de estruturas já existentes.
“Investir em saneamento é investir em saúde”, afirmou o governador Tarcísio de Freitas. Segundo ele, cada ampliação na capacidade de tratamento representa mais proteção à população, qualidade de vida e um ambiente mais saudável, com a ETE Barueri citada como exemplo concreto desse compromisso.
Também ao comentar a obra, a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, afirmou que a ampliação mostra o uso de tecnologia de ponta na infraestrutura de saneamento paulista.
Para ela, a desestatização da Sabesp permitiu acelerar investimentos e obras estruturantes no estado.
Bombas exigiram adaptação de engenharia
Para viabilizar a instalação, o desenvolvimento das bombas precisou considerar as limitações físicas da elevatória da ETE Barueri, já que a estrutura existente não permite a passagem de equipamentos de grande porte completamente montados.
A solução adotada foi dividir os conjuntos em dois grandes blocos, facilitando o transporte e a instalação sem comprometer a operação da unidade.
Essa adaptação permitiu incorporar equipamentos maiores a uma estação que já funciona em grande escala.
Outro ponto destacado pelo governo é o sistema interno que distribui e equilibra a força da água dentro das bombas, reduzindo o desgaste dos componentes.
Em uma operação contínua e de alto volume, esse recurso contribui para ampliar a vida útil dos equipamentos.
Investimentos da Sabesp após a desestatização
Desde a desestatização da Sabesp, concluída em 2024, o governo estadual afirma que os investimentos em saneamento cresceram 120%.
A previsão é que São Paulo receba R$ 260 bilhões até 2060, com R$ 70 bilhões aplicados até 2029 para universalizar o saneamento básico.
Somente em 2025, os dados divulgados pelo governo paulista apontam R$ 15,2 bilhões em obras de infraestrutura, valor também 120% superior ao do ano anterior.
Os recursos foram direcionados à ampliação da cobertura de saneamento e à melhoria dos padrões de qualidade dos serviços.
Nesse período, a Sabesp levou água tratada a 2,1 milhões de pessoas e ampliou a coleta e o tratamento de esgoto para mais 4,3 milhões, segundo a Agência SP.
Ao fim do primeiro trimestre de 2026, as metas de acesso à água, coleta e tratamento chegaram a 87%, 77% e 71%, respectivamente.
Com 1,2 mil frentes de obra em andamento, a companhia informa atuar para levar água e esgoto a áreas que ainda não contam com acesso regular ao saneamento básico.
A carteira inclui intervenções de ampliação, reforço operacional e implantação de sistemas nos municípios atendidos pelo novo contrato da Sabesp.
Na Rota da Água acompanha obras
O acompanhamento das intervenções ocorre por meio do programa Na Rota da Água, iniciativa do Governo de São Paulo voltada a dar visibilidade a projetos de segurança hídrica, reforço de abastecimento e universalização do saneamento.
A programação prevê entregas e visitas técnicas a mais de 1,1 mil frentes de trabalho nos municípios contemplados, aproximando a execução das obras do monitoramento público sobre prazos, investimentos e avanços ligados ao novo contrato da Sabesp.
Entre as entregas já citadas pelo governo estão obras de saneamento em Itapecerica da Serra, Embu das Artes e Embu-Guaçu, além de novas estações de tratamento de esgoto em Caieiras e Franco da Rocha.
Também foi mencionado um sistema de expansão do esgotamento sanitário que contempla Francisco Morato, na Grande São Paulo.
