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Ela ligou para mais de 40 igrejas fingindo precisar de uma lata de leite em pó para o bebê, e 33 disseram não no teste de solidariedade que viralizou no TikTok

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 27/06/2026 às 13:00
Ela ligou para mais de 40 igrejas pedindo uma lata de leite em pó e 33 disseram não: o teste de solidariedade que virou experimento viral no TikTok.
Ela ligou para mais de 40 igrejas pedindo uma lata de leite em pó e 33 disseram não: o teste de solidariedade que virou experimento viral no TikTok.
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Uma criadora de conteúdo dos EUA fez um experimento simples e cruel no TikTok: ligou para mais de 40 igrejas fingindo precisar de uma lata de leite em pó. No teste de solidariedade, 33 disseram não, e a primeira ajuda veio de uma mesquita e de um templo budista.

A ideia parece banal, mas o resultado virou um espelho incômodo. Uma mulher pega o telefone, liga para um centro religioso, diz que é mãe de um bebê de dois meses e pede apenas uma lata de leite em pó, a fórmula infantil, e grava a resposta do outro lado da linha. Repetido dezenas de vezes, esse gesto mínimo se transformou em um dos experimentos sociais mais comentados da internet nos últimos meses.

Segundo o HuffPost, a autora do experimento é Nikalie Monroe, criadora de conteúdo do estado do Kentucky, que documentou as ligações numa série de mais de 40 vídeos no TikTok. Vale o aviso que muda tudo na leitura do caso: o bebê não existe, Monroe não tem filhos, e o choro que se ouve ao fundo das chamadas é um áudio que ela coloca para tornar o pedido convincente, o que faz do projeto um teste de solidariedade encenado, e não um drama real.

Como funcionava o experimento das ligações

Ela ligou para mais de 40 igrejas pedindo uma lata de leite em pó e 33 disseram não: o teste de solidariedade que virou experimento viral no TikTok.
A mecânica do experimento era propositalmente padronizada, para que cada ligação valesse como um teste comparável.

Monroe discava no viva-voz para igrejas, mesquitas, templos e outros locais de fé, deixava o áudio de um bebê chorando ao fundo e, quando alguém atendia, dizia que não estava conseguindo alimentar o filho de dois meses. O pedido era sempre o mesmo e deliberadamente pequeno: uma única lata de leite em pó, nada de dinheiro, nada de grandes somas, apenas a fórmula que sustentaria a criança por alguns dias.

Essa simplicidade é o que dá força ao teste de solidariedade e, ao mesmo tempo, o que o torna desconfortável. Ao limitar o pedido a um item barato e essencial, o experimento eliminava as desculpas mais comuns sobre falta de recursos, jogando luz apenas sobre a disposição de ajudar. Cada resposta era registrada e publicada no TikTok, transformando a reação de instituições religiosas em conteúdo viral e, de quebra, num placar público que qualquer pessoa podia acompanhar vídeo a vídeo.

O placar: 33 de mais de 40 disseram não

O número que prendeu a atenção da internet foi o saldo final das ligações. Ao longo da série de mais de 40 vídeos, 33 das instituições contatadas se recusaram a ajudar, enquanto cerca de nove a dez aceitaram fornecer a lata de leite em pó pedida. É um placar que inverte a expectativa de muita gente, já que boa parte das recusas partiu justamente de igrejas cristãs locais, instituições que costumam colocar a caridade no centro do próprio discurso.

Convém tratar esses números com cuidado, e não como estatística científica. O total de ligações e a divisão entre “sins” e “nãos” variam um pouco conforme a parte da série, porque o projeto foi sendo publicado aos poucos, vídeo após vídeo. Ainda assim, a tendência geral se manteve estável ao longo de todo o experimento: a maioria das igrejas e centros religiosos contatados disse não a um pedido de uma simples lata de leite em pó, e foi esse desequilíbrio que alimentou o debate.

A reviravolta: quem estendeu a mão primeiro

Se o placar já chamava atenção, a origem dos “sins” deu à história sua maior reviravolta. As primeiras respostas positivas, segundo a cobertura do caso, não vieram das grandes igrejas evangélicas, e sim de uma mesquita e de um templo budista, somadas depois a algumas paróquias católicas e a congregações menores. O detalhe é simbólico porque subverte a expectativa: instituições de fés minoritárias no país, muitas vezes alvo de preconceito, foram as que mais rapidamente se dispuseram a ajudar uma suposta mãe em apuros.

Esse contraste é o coração do teste de solidariedade e o que o tornou tão debatido. Não se tratava de comparar uma religião contra a outra de forma rasa, mas de observar quem, diante de um pedido mínimo, escolhia agir em vez de transferir o problema. O resultado sugeriu que a generosidade concreta não segue necessariamente o tamanho ou a fama de uma instituição, e que um pequeno templo ou uma comunidade discreta pode responder com mais prontidão do que igrejas enormes e milionárias.

O pastor que viralizou e os US$ 100 mil

Ela ligou para mais de 40 igrejas pedindo uma lata de leite em pó e 33 disseram não: o teste de solidariedade que virou experimento viral no TikTok.
No meio das recusas, uma resposta calorosa se destacou e virou fenômeno à parte.

O pastor Johnny Dunbar, da Heritage Hope Church of God, atendeu a ligação e se ofereceu de imediato para ajudar, com um tom acolhedor que conquistou a internet e lhe rendeu o apelido carinhoso de “papai apalache”. A reação espontânea dele se espalhou pelo TikTok e provocou um efeito inesperado: comovida, a internet começou a doar para a igreja dele, que arrecadou cerca de US$ 100 mil vindos de todo o país.

Esse desdobramento é a parte luminosa do experimento e merece o mesmo destaque que o placar negativo. Um único gesto de acolhimento, gravado por acaso num teste de solidariedade, acabou convertido em um fundo real para ajudar famílias de verdade na região onde o pastor atua. Mostra que o mesmo vídeo que expôs a frieza de dezenas de igrejas também foi capaz de premiar a generosidade de uma delas, transformando a viralização em recurso concreto para quem realmente precisa de leite em pó.

Por que o experimento viralizou no TikTok

O sucesso da série no TikTok não se explica só pelo placar, mas pela forma como ele foi construído. Cada vídeo funcionava como um pequeno suspense, com o público torcendo para saber se aquela igreja específica diria sim ou não, e essa estrutura de episódios viciou milhões de espectadores. O formato transformou um tema sério, a distância entre o discurso e a prática da caridade, em algo tão viciante quanto um reality show, com direito a heróis, vilões e reviravoltas a cada ligação.

Há também um motivo mais profundo para a repercussão, que toca numa ferida social. O experimento mexeu com a expectativa coletiva de que instituições religiosas existem, entre outras coisas, para amparar quem bate à porta, e o choque entre essa imagem idealizada e o “não” gravado gerou indignação imediata. Nos Estados Unidos, o caso ganhou até contornos políticos e religiosos acalorados, com pastores reagindo, alguns chamando a autora de “bruxa”, e o assunto rendendo discussões sobre o que se espera, de fato, das igrejas no século XXI.

O que o teste não prova

Por mais poderoso que seja, o experimento exige um olhar crítico para não virar injustiça. Uma ligação telefônica não captura tudo: muitas igrejas têm regras que proíbem doar para desconhecidos por telefone, encaminham pedidos a bancos de alimentos e programas estruturados, ou só ajudam presencialmente, depois de algum cadastro. Dizer “não” a uma chamada anônima nem sempre significa indiferença, e pode refletir protocolos de segurança e triagem que, embora pareçam frios no vídeo, existem justamente para organizar a ajuda a quem mais precisa.

Também é preciso lembrar que se trata de conteúdo editado para viralizar, com um bebê fictício e um roteiro pensado para emocionar. O teste de solidariedade não é um estudo científico, não ouve a versão das instituições e seleciona os momentos mais impactantes para o público. Nada disso apaga o incômodo legítimo que ele provoca, mas ajuda a separar o que o experimento de fato revela, uma falha real de compaixão em muitos casos, do que ele apenas insinua com a força da edição e da trilha de choro ao fundo.

O que o caso do experimento das igrejas mostra

A série de Nikalie Monroe é, ao mesmo tempo, um soco no estômago e um convite ao debate, e talvez seja esse o seu maior valor. Ela mostra que muitas igrejas falham num teste tão simples quanto doar uma lata de leite em pó, mas também que a generosidade verdadeira aparece onde menos se espera, numa mesquita, num templo budista ou num pastor que vira “papai apalache” da internet. Mesmo assim, vale manter o pé no chão, porque um experimento viral, com bebê fictício e edição caprichada, comprova menos do que sugere e não deve ser confundido com um censo da fé alheia.

O mais honesto é ler o caso como uma provocação útil, e não como veredito definitivo sobre quem tem ou não coração. O placar de 33 recusas incomoda e deveria incomodar, mas a reviravolta dos US$ 100 mil e dos “sins” inesperados prova que o mesmo experimento que expõe a frieza também sabe iluminar a bondade. Ainda assim, poucos conteúdos resumem tão bem a distância entre pregar a caridade e praticá-la: bastou pedir uma lata de leite em pó para que dezenas de igrejas revelassem, ao vivo, o tamanho real da própria compaixão.

E você, se recebesse uma ligação dessas, com um bebê chorando ao fundo e um pedido de leite em pó, qual seria a sua primeira reação? Comenta aqui se você acha que o experimento de Nikalie Monroe é um teste de solidariedade justo com as igrejas ou se a forma como ele foi feito pesou demais a balança.

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Bruno Teles

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