1. Início
  2. Ciência e Tecnologia
  3. Com rodas nas patas, esse Cão-robô chinês atravessa rio, gelo e frio de -30 °C e pode ser usado para inspecionar redes elétricas, túneis e auxiliar em áreas de desastres
Faça um comentário 6 min de leitura

Com rodas nas patas, esse Cão-robô chinês atravessa rio, gelo e frio de -30 °C e pode ser usado para inspecionar redes elétricas, túneis e auxiliar em áreas de desastres

Imagem de perfil do autor Geovane Souza
Escrito por Geovane Souza Publicado em 30/06/2026 às 15:48 Atualizado em 30/06/2026 às 15:50
Assista o vídeoLynx M20S combina rodas e pernas para atravessar rios, gelo e frio de -30 °C em inspeções industriais e áreas de risco
Lynx M20S combina rodas e pernas para atravessar rios, gelo e frio de -30 °C em inspeções industriais e áreas de risco (Fonte: DEEP Robotics/YouTube)
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Modelo Lynx M20S, da chinesa DEEP Robotics, combina pernas articuladas, rodas, sensores LiDAR e proteção IP67 para operar em locais onde frio, água, lama, altitude e risco elétrico tornam a presença humana mais perigosa

O Lynx M20S, novo cão-robô da chinesa DEEP Robotics, chamou atenção ao aparecer em testes atravessando trechos alagados, gelo e terreno inclinado sob frio extremo.

O equipamento foi projetado para inspeções industriais, emergências, logística em áreas difíceis e missões científicas em ambientes onde equipes humanas enfrentam risco físico.

Segundo a CNN Brasil, em reportagem publicada em 30 de junho de 2026, o robô foi mostrado cruzando rios de até 80 centímetros de profundidade, operando a -30 °C e enfrentando inclinações escorregadias de 45 graus em uma demonstração realizada em altitude próxima de 5.177 metros.

A diferença em relação a outros quadrúpedes robóticos está nas rodas instaladas nas patas. Em piso regular, o Lynx M20S pode rodar com mais velocidade. Quando encontra obstáculo, escada, lama ou pedra, passa a usar as pernas articuladas para manter estabilidade e vencer o terreno.

O que parece um robô de demonstração mira uma rotina cara e perigosa nas empresas

A aplicação mais concreta do Lynx M20S está longe de vídeos curiosos na neve. A fabricante posiciona o modelo para inspeção de redes elétricas, áreas industriais, túneis, dutos, usinas, zonas alagadas e locais atingidos por desastres.

Lynx-M20S-mede-820-mm-por-430-mm-por-570-mm,-pesa-35-kg
Fonte: DEEP Robotics/YouTube

Nesses ambientes, o problema costuma ser simples e caro. Um técnico precisa entrar em área energizada, caminhar por piso irregular, medir temperatura de equipamentos, conferir instrumentos ou procurar falhas depois de chuva, incêndio, deslizamento ou pane operacional.

De acordo com a página técnica da DEEP Robotics, o Lynx M20S mede 820 mm por 430 mm por 570 mm, pesa 35 kg, tem carga útil declarada de 35 kg em terreno convencional e suporta carga máxima de 100 kg. A autonomia sem carga fica entre 3,5 e 5 horas, com alcance de 16 km a 20 km, enquanto a autonomia com carga útil vai de 2,5 a 3,5 horas, com percurso de 12 km a 15 km.

Esses números explicam por que o robô é tratado como plataforma móvel, e não apenas como máquina de locomoção. Ele pode carregar câmeras, sensores térmicos, detectores de gás, módulos de comunicação e outros equipamentos usados em inspeções de campo.

Rodas nas patas ajudam no ganho de velocidade sem abandonar a estabilidade

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

O formato híbrido é o principal ponto técnico do Lynx M20S. Robôs apenas com pernas costumam se sair bem em obstáculos, mas gastam mais energia e se movem mais devagar em piso plano. Robôs com rodas são eficientes em superfícies regulares, mas sofrem com degraus, pedras, trilhos, lama e desníveis.

No modelo chinês, as duas estratégias aparecem juntas. Em corredores industriais, estradas internas, pisos de subestações e túneis, as rodas reduzem esforço mecânico. Em escadas, plataformas, valas e terrenos quebrados, as juntas articuladas ajudam o robô a mudar a postura.

A fabricante informa que a versão M20S atinge 9 m/s em teste de limite, mas observa que o produto real é limitado por segurança a 3 m/s. O robô também sobe degraus contínuos de 30 centímetros, vence um degrau isolado de até 100 centímetros e opera em inclinações de até 45 graus.

A proteção também subiu de patamar. Enquanto o Lynx M20 tem IP66, o M20S aparece na ficha chinesa com IP67, classificação associada a proteção contra poeira e maior resistência à entrada de água em comparação com níveis inferiores. A faixa de operação declarada vai de -30 °C a 55 °C.

Sensores LiDAR e câmeras dão ao robô visão para andar em locais sem referência humana

Lynx-M20S-usa-dois-sensores-LiDAR-de-96-linhas
Lynx M20S usa dois sensores LiDAR de 96 linhas (Fonte: DEEP Robotics/YouTube)

Para navegar, o Lynx M20S usa dois sensores LiDAR de 96 linhas, com campo de visão de 360° por 90° e geração aproximada de 860 mil pontos por segundo, além de duas câmeras grande-angulares. Esse conjunto permite criar mapas do ambiente, detectar obstáculos ao redor e se orientar mesmo em locais escuros.

Na prática, o LiDAR funciona como uma leitura em três dimensões do espaço. O sensor emite feixes de laser, calcula a distância até objetos e ajuda o sistema a identificar paredes, máquinas, buracos, escadas, tubos, veículos ou pessoas próximas.

A DEEP Robotics afirma, em material voltado ao setor elétrico publicado em 23 de junho de 2025, que robôs com rodas e pernas podem atuar em subestações de ultra-alta tensão, onde há riscos de inspeção manual, muitos equipamentos próximos e baixa eficiência em medições feitas apenas por equipes presenciais.

Esse tipo de uso é relevante porque subestações, túneis de cabos e áreas industriais não têm o mesmo desenho de uma fábrica limpa. Há canaletas, grades, chuva, óleo, calor, ruído, objetos metálicos e pontos onde um trabalhador precisa entrar com equipamento pesado de proteção.

O mercado já tem concorrentes e a disputa não está só na aparência do robô

O Lynx M20S entra em uma disputa que já envolve empresas chinesas e ocidentais. A Unitree, também da China, vende robôs quadrúpedes industriais como o B2 e o B2-W, este último com rodas e foco em deslocamento de longa distância. A fabricante informa que o B2-W chega a 15 km/h, tem bateria acima de 2 kWh e autonomia declarada de até 25 km com carga de 40 kg.

Nos Estados Unidos, a Boston Dynamics ajudou a popularizar a categoria ainda nos anos 2000, com projetos como o BigDog. A própria DARPA registra que o BigDog foi financiado para atuar em terrenos difíceis, correu a 10 km/h, subiu encostas de 35 graus e carregou até 150 kg em demonstrações.

A diferença agora está na tentativa de tirar os robôs do laboratório e colocá-los em rotinas pagas por empresas. Eles precisam operar com chuva, poeira, bateria limitada, comunicação instável, manutenção previsível e integração com sistemas de inspeção já usados por companhias de energia, mineração, saneamento, logística e segurança.

O movimento acompanha a expansão dos robôs de serviço profissional. A Federação Internacional de Robótica informou, em relatório de 2025, que as vendas desse tipo de robô chegaram a quase 200 mil unidades em 2024, crescimento de 9% no ano, com falta de mão de obra qualificada como um dos fatores de adoção.

Ainda não há preço nem previsão para o Brasil, mas o recado para o setor industrial já foi dado

Mesmo com as especificações divulgadas, ainda faltam informações comerciais importantes. Não há preço público confirmado para o Lynx M20S, nem previsão de chegada ao Brasil. Também não há, até agora, indicação de contratos locais para uso em concessionárias de energia, mineração ou defesa civil.

Esse ponto limita qualquer leitura sobre adoção imediata. Robôs desse tipo exigem assistência técnica, peças, treinamento, software, integração com sensores e adaptação às normas de cada país. O custo real não fica só na compra da máquina.

Ainda assim, o lançamento mostra uma direção clara da robótica de campo. O objetivo não é substituir todos os trabalhadores, mas retirar pessoas de trechos onde frio extremo, água, energia elétrica, altura, fumaça, desabamento ou contaminação aumentam o risco de acidente.

Se esses modelos conseguirem operar por horas, carregar sensores úteis e enviar dados confiáveis, podem mudar a forma como empresas fazem inspeção em locais perigosos. A pergunta que fica é prática: você confiaria em um cão-robô para entrar primeiro em uma área de risco antes de uma equipe humana? Deixe sua opinião nos comentários.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Geovane Souza

Especialista em criação de conteúdo para internet, SEO e marketing digital, com atuação focada em crescimento orgânico, performance editorial e estratégias de distribuição. No CPG, cobre temas como empregos, economia, vagas home office, cursos e qualificação profissional, tecnologia, entre outros, sempre com linguagem clara e orientação prática para o leitor. Universitário de Sistemas de Informação no IFBA – Campus Vitória da Conquista. Se você tiver alguma dúvida, quiser corrigir uma informação ou sugerir pauta relacionada aos temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: gspublikar@gmail.com. Importante: não recebemos currículos.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x