1. Início
  2. Curiosidades
  3. 90 anos antes da Disney, uma “Moana original” já fazia história no cinema, recriava a vida em Samoa e ajudava a dar nome aos documentários
Faça um comentário 4 min de leitura

90 anos antes da Disney, uma “Moana original” já fazia história no cinema, recriava a vida em Samoa e ajudava a dar nome aos documentários

Imagem de perfil do autor Viviane Alves
Escrito por Viviane Alves Publicado em 30/06/2026 às 15:44 Atualizado em 30/06/2026 às 15:47
Cartaz em estilo vintage de Moana, com mulher samoana, criança em uma canoa e paisagem tropical inspirada no filme de 1926.
Ilustração inspirada no filme Moana, de Robert Flaherty, lançado em 1926 e filmado em Samoa com a participação da comunidade local.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Filme mudo lançado em 1926 acompanhou costumes polinésios, marcou a trajetória de Robert Flaherty e voltou ao debate por causa da franquia da Disney

Uma produção chamada Moana já chegava aos cinemas norte-americanos 90 anos antes da famosa animação da Disney.

Lançado em 1926, o filme mudo foi dirigido pelo cineasta norte-americano Robert Flaherty e apresentou uma representação da vida em Samoa.

A obra também ganhou importância histórica por ajudar a popularizar o uso da palavra “documentário” no cinema.

O interesse pelo longa voltou a crescer antes da estreia da versão live-action de Moana, prevista para 10 de julho de 2026.

Nenhuma inspiração direta foi confirmada oficialmente pela Disney. Mesmo assim, historiadores apontam semelhanças entre as duas produções.

O sucesso de Robert Flaherty antes de Moana

Robert Flaherty já havia conquistado reconhecimento com Nanook of the North, lançado em 1922.

A produção acompanhava o cotidiano dos Inuit e mostrava cenas de caiaques, gelo e caça às morsas.

O sucesso comercial abriu caminho para que o cineasta desenvolvesse um novo projeto em uma região distante.

Flaherty escolheu Samoa imaginando produzir uma história de aventura envolvendo um grande monstro marinho.

A realidade encontrada nas ilhas, porém, era bastante diferente do cenário planejado.

Segundo o historiador de cinema Bruce Posner, o diretor encontrou uma comunidade tranquila e sem o perigo imaginado.

O projeto acabou transformado em um retrato da rotina local, acompanhado por um jovem chamado Moana.

Filmagens em Samoa duraram mais de um ano

As gravações foram realizadas durante mais de um ano nas ilhas de Samoa.

O material produzido não correspondeu completamente ao que o estúdio esperava receber.

Tartarugas marinhas inofensivas ocuparam o espaço que seria destinado a criaturas ameaçadoras.

A narrativa passou a acompanhar Moana e os integrantes de sua suposta família em atividades cotidianas.

Sessões experimentais realizadas em Nova York registraram forte interesse do público.

O lançamento comercial mais amplo, no entanto, não repetiu o mesmo desempenho.

Um crítico da época afirmou que o filme interessava, mas não entretinha.

Como Moana ajudou a definir o cinema documentário

A produção conquistou relevância histórica mesmo sem alcançar grande sucesso comercial.

O crítico escocês John Grierson publicou uma análise do filme em 8 de fevereiro de 1926, no jornal New York Sun.

A avaliação destacou que a obra apresentava “valor documental”.

O British Film Institute e o Grierson Trust apontam esse registro como a primeira aplicação impressa do termo “documentary” relacionada diretamente a um filme.

Moana não foi necessariamente o primeiro documentário produzido na história.

A obra, entretanto, tornou-se a primeira produção cinematográfica publicamente associada ao termo que definiria o gênero.

Mulheres samoanas em uma lagoa cercada por pedras e vegetação, diante de uma cachoeira, em imagem inspirada no documentário Moana de 1926.
Ilustração em preto e branco inspirada no filme Moana, de 1926, mostra mulheres samoanas próximas a uma cachoeira em uma paisagem tropical.

Cenas foram encenadas para reconstruir costumes antigos

Diversas situações apresentadas no filme não aconteceram de maneira espontânea.

Moana e os demais integrantes de sua “família” não possuíam parentesco verdadeiro.

Flaherty escolheu cada participante conforme a aparência e a capacidade de atuação.

O próprio nome Moana também foi selecionado pelo diretor.

Alguns costumes retratados já não eram praticados normalmente pelos samoanos durante a década de 1920.

Moradores e anciãos participaram da reconstrução dessas tradições durante as filmagens.

O resultado não apresentou exatamente a Samoa daquele período.

A produção registrou uma memória encenada de antigos modos de vida, reconstruída com a colaboração da comunidade local.

Participação dos moradores marcou a produção

Frances Flaherty, esposa e coprodutora do diretor, afirmou que a comunidade participou ativamente do trabalho.

Anciãos da aldeia ajudaram a recuperar práticas consideradas antigas ou esquecidas.

A colaboração permitiu que o filme apresentasse hábitos que já não faziam parte da rotina daquele momento.

O conteúdo pode ser analisado hoje como uma mistura de registro cultural, encenação e interpretação artística.

A participação dos samoanos também mostra que a obra não foi construída apenas pelo olhar do diretor.

A Moana original inspirou a produção da Disney?

Pesquisadores identificam possíveis conexões entre o filme de 1926 e a franquia criada pela Disney.

As duas produções compartilham o nome Moana, o cenário do Oceano Pacífico e referências às culturas polinésias.

A animação lançada pela Disney em 23 de novembro de 2016 foi desenvolvida com a participação de estudiosos e especialistas das ilhas do Pacífico.

A obra de Flaherty surgiu em um período anterior às atuais normas éticas e técnicas dos documentários.

Bruce Posner considera improvável que todas as semelhanças sejam apenas acidentais.

A influência direta, contudo, permanece sem confirmação oficial.

Um filme centenário que ainda desperta debate

Moana permanece como um marco da presença dos povos do Pacífico na história do cinema.

A produção também ajuda a compreender como o gênero documental foi construído ao longo do século XX.

O filme reúne memória, encenação, costumes polinésios e escolhas artísticas realizadas durante a década de 1920.

A comparação com a franquia da Disney ampliou novamente o interesse por essa obra centenária.

As semelhanças entre as duas produções indicam inspiração ou representam apenas uma coincidência cultural? Deixe sua opinião!

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x