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Um satélite da NASA e da agência francesa flagrou do espaço a maior onda já medida em mar aberto, um paredão de água de quase 20 metros gerado pela tempestade Eddie no Pacífico Norte em dezembro de 2024, alta como um prédio de seis andares

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 25/05/2026 às 15:31
Atualizado em 25/05/2026 às 15:48
Satélite da NASA e da França mediu do espaço a maior onda em mar aberto: 19,7 metros na tempestade Eddie, no Pacífico Norte. Energia viajou 24 mil km. Entenda.
Satélite da NASA e da França mediu do espaço a maior onda em mar aberto: 19,7 metros na tempestade Eddie, no Pacífico Norte. Energia viajou 24 mil km. Entenda.
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O recorde não veio de boia nem de navio, mas de um radar em órbita que mapeou cristas em pleno meio do oceano, longe de qualquer costa. E a energia daquela tempestade viajou cerca de 24 mil quilômetros, cruzando a Passagem de Drake até o Atlântico Tropical, semanas depois de o mar já ter se acalmado no Pacífico.

Um satélite da NASA e da agência espacial francesa flagrou do espaço a maior onda já medida em mar aberto: um paredão de água de cerca de 19,7 metros de altura, alto como um prédio de seis andares, gerado pela tempestade Eddie no Pacífico Norte em dezembro de 2024. O registro, feito longe de qualquer costa, é o maior já obtido por satélite em mais de três décadas de observações e revelou detalhes inéditos sobre como o oceano transporta sua energia.

A medição foi realizada em 21 de dezembro de 2024, no auge da tempestade Eddie, pelo satélite SWOT, sigla em inglês para Topografia das Águas Superficiais e do Oceano, uma missão conjunta da agência espacial americana NASA com a francesa CNES. O estudo foi liderado pelo oceanógrafo Fabrice Ardhuin, do Laboratório de Oceanografia Física e Espacial da França, e publicado em setembro de 2025 na revista científica PNAS, dos Estados Unidos.

O número correto: 19,7 metros, não 35

Satélite da NASA e da França mediu do espaço a maior onda em mar aberto: 19,7 metros na tempestade Eddie, no Pacífico Norte. Energia viajou 24 mil km. Entenda.
Aqui vale um esclarecimento importante, porque o dado vem sendo divulgado de forma confusa por aí.

O recorde medido pelo satélite foi de 19,7 metros de altura significativa da onda, não de 35 metros como alguns chegaram a afirmar. A altura significativa é uma medida estatística que representa a média das maiores ondas observadas, e é o número oficial e validado do estudo.

O valor de 35 metros que circulou em algumas publicações se refere, na verdade, a uma estimativa de cristas individuais isoladas que poderiam ter ocorrido dentro daquela tempestade, e não à medição-recorde em si. Para efeito de comparação, a Agência Espacial Europeia descreve a onda de quase 20 metros como tão alta quanto um prédio de seis andares ou o Arco do Triunfo, em Paris, o que já é impressionante por si só, sem necessidade de exageros.

Como um satélite mede ondas no meio do oceano

Satélite da NASA e da França mediu do espaço a maior onda em mar aberto: 19,7 metros na tempestade Eddie, no Pacífico Norte. Energia viajou 24 mil km. Entenda.
O grande mérito do feito está na tecnologia.

O SWOT, lançado em dezembro de 2022, consegue criar mapas bidimensionais da superfície do oceano, medindo não só a altura das ondas, mas também seu comprimento e direção, mesmo quando as cristas estão separadas por mais de 500 metros. Isso permite observar ondulações em áreas remotas do mar, onde boias e navios raramente conseguem registrar eventos com a mesma precisão.

Antes do SWOT, a humanidade já tinha dados de altura de ondas captados por cerca de 15 satélites desde 1991, mas até dezembro de 2024 essas medições nunca haviam ultrapassado 18,5 metros. Não porque ondas maiores não existissem, mas porque os satélites antigos cobriam apenas uma fração pequena do oceano e quase sempre passavam longe do centro das tempestades. A sorte foi que o SWOT cruzou bem o coração da tempestade Eddie no momento de pico das ondas.

A tempestade Eddie e as ondas que cruzaram o planeta

A tempestade Eddie foi um ciclone extratropical de rara intensidade, considerado o de maior altura média de ondas do Pacífico na última década. Ela causou mortes e estragos ao longo da costa americana, do Canadá ao Peru, e gerou as ondas gigantes que marcaram a famosa competição de surfe conhecida como the Eddie, no Havaí, voltada justamente para ondas extremas.

Mas o aspecto mais fascinante foi o alcance dessa energia. As ondas geradas por Eddie se transformaram em marulho, o tipo de ondulação que viaja longas distâncias depois que a tempestade passa, e percorreram cerca de 24 mil quilômetros. Elas saíram do Pacífico Norte, atravessaram a Passagem de Drake, entre a América do Sul e a Antártida, e chegaram ao Atlântico Tropical entre 21 de dezembro de 2024 e 6 de janeiro de 2025, mostrando como um evento extremo num ponto do planeta reverbera oceanos afora.

O que o estudo corrigiu nos modelos do oceano

Um dos resultados mais relevantes da pesquisa foi ajustar a forma como a ciência calcula a energia das ondas mais longas. Ao contrário do que se poderia imaginar, o problema não era que os modelos ignoravam essa força: o que acontecia é que eles superestimavam em até 20 vezes a energia transportada pelas ondas de maior comprimento, distribuindo a força de um jeito diferente do que o satélite observou na prática.

Com os dados diretos do SWOT, os pesquisadores passaram a trabalhar em um modelo mais preciso, que leva em conta interações complexas entre ondas curtas e longas, antes pouco consideradas nas previsões de alto-mar. Em vez de revelar uma força desconhecida, o estudo serviu para validar e corrigir os modelos existentes, tornando as previsões de ondas extremas mais confiáveis no futuro, algo essencial para a segurança no mar.

Por que isso importa para navios e plataformas

Ondas extremas não são apenas um espetáculo visual. Para navios cargueiros, plataformas de energia offshore, cabos submarinos e portos, um paredão de água de dezenas de metros representa risco direto à segurança, à navegação e à engenharia marítima. Saber com mais precisão onde e como essas ondas se formam pode ajudar a evitar tragédias no mar e a proteger estruturas que custam bilhões.

O monitoramento por satélite abre caminho para aplicações práticas, como identificar áreas perigosas antes que as ondas alcancem rotas de navegação, ajustar trajetos de embarcações durante tempestades intensas, revisar normas de engenharia para plataformas e estruturas costeiras e melhorar os modelos que preveem ressacas e erosão. Para o setor de petróleo e energia no mar, em especial, esse tipo de informação é estratégico para a segurança das operações.

As ondas extremas e o clima

Uma das questões em aberto é se megatempestades como a Eddie estão ficando mais frequentes ou intensas por causa das mudanças climáticas. A equipe de Fabrice Ardhuin investiga essa relação, e o próprio pesquisador é cauteloso ao afirmar que o aquecimento global pode ser um dos motores desse fenômeno, mas não o único, já que fatores como o relevo do fundo do mar, as rotas das tempestades e as variações naturais do clima também pesam.

O que se sabe é que oceanos mais quentes armazenam mais energia, alimentam tempestades mais fortes e ajudam a criar os ventos que formam ondas gigantes. Por isso, o papel do SWOT será central nessa investigação: ao medir o oceano com riqueza de detalhes, o satélite permitirá comparar eventos extremos ao longo dos anos e verificar se a energia das tempestades está mudando junto com o clima do planeta.

A onda de quase 20 metros flagrada do espaço pela missão SWOT é muito mais do que um recorde curioso: é a prova de que parte da força do oceano ainda escapava das medições tradicionais e agora pode ser observada diretamente de órbita, mesmo em pontos remotos do mar. A tempestade Eddie mostrou que o oceano transporta energia de formas complexas, e cada novo registro transforma fenômenos antes invisíveis em dados concretos para a ciência, a navegação e a segurança marítima.

Você já tinha imaginado que um satélite consegue medir do espaço uma onda do tamanho de um prédio de seis andares no meio do oceano? O que mais te impressiona, a altura da onda ou o fato de a energia dela ter viajado 24 mil quilômetros? Deixe seu comentário, conte o que achou dessa descoberta e compartilhe a matéria com quem se interessa por ciência, oceanos e tecnologia espacial.

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Edson Santelmo
Edson Santelmo
28/05/2026 13:17

Acredito que a medição da altura e do comprimento da onda seja feita por meio de raio laser, da mesma forma como se mediu a distância da Terra até a Lua. A energia dissipada no percorrer de 24 mil km é mais impressionante que a altura que alcançou.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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