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Um planeta coberto de oceano a 124 anos-luz pode estar exalando o mesmo gás que o mar brasileiro libera quando o fitoplâncton está vivo, e a concentração detectada pelo James Webb é milhares de vezes maior do que qualquer registro feito na Terra

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 23/04/2026 às 16:52
Atualizado em 23/04/2026 às 18:08
Assista o vídeoTelescópio James Webb detecta gás associado à vida em exoplaneta a 124 anos-luz com concentração milhares de vezes superior à Terra.
exoplaneta detectado
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Telescópio James Webb detecta gás associado à vida em exoplaneta a 124 anos-luz com concentração milhares de vezes superior à Terra.

Segundo pesquisadores do Instituto de Astronomia da Universidade de Cambridge, liderados pelo professor Nikku Madhusudhan, o Telescópio Espacial James Webb detectou, em abril de 2025, assinaturas químicas de dimetilsulfeto na atmosfera do exoplaneta K2-18 b, localizado a 124 anos-luz da Terra, na constelação de Leão. O dimetilsulfeto, conhecido pela sigla DMS, é o composto responsável pelo cheiro característico do mar na Terra. Aqui, ele é produzido principalmente por organismos microscópicos que vivem nos oceanos. A concentração estimada no exoplaneta supera em mais de 10 partes por milhão os níveis encontrados na atmosfera terrestre, atingindo valores ordens de grandeza acima dos registrados no planeta.

O estudo foi publicado no periódico Astrophysical Journal Letters e alcançou significância estatística de três sigma, o que corresponde a aproximadamente 0,3% de probabilidade de o sinal ser resultado de ruído aleatório. Embora não represente uma confirmação de vida, trata-se de um dos indícios mais robustos já identificados fora do sistema solar.

Dimetilsulfeto é o gás responsável pelo cheiro de mar e está ligado a processos biológicos na Terra

O cheiro característico do oceano é resultado da liberação de dimetilsulfeto na atmosfera. Esse composto se origina a partir de uma cadeia de processos biológicos que começa em organismos microscópicos marinhos.

Durante seu metabolismo, esses organismos produzem uma substância precursora chamada dimetilsulfoniopropionato. Quando esse composto é decomposto por microrganismos marinhos, o DMS é liberado na forma gasosa, sobe para a atmosfera e se dispersa.

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Além de contribuir para o odor marinho, o DMS desempenha papel relevante na formação de nuvens ao atuar como núcleo de condensação. Na Terra, não existem processos geológicos conhecidos capazes de produzir esse gás em quantidades significativas na atmosfera sem a presença de atividade biológica.

Exoplaneta K2-18 b está localizado na zona habitável e possui características de planeta oceânico

O exoplaneta K2-18 b foi descoberto em 2015 pelo telescópio Kepler e orbita uma estrela anã vermelha na constelação de Leão.

Com aproximadamente 2,6 vezes o raio da Terra e 8,6 vezes sua massa, o planeta é classificado como um sub-Netuno, uma categoria intermediária sem equivalente direto no sistema solar.

Sua posição na zona habitável indica que as condições físicas permitem a existência de água líquida. Observações anteriores do James Webb já haviam identificado metano e dióxido de carbono em sua atmosfera, compatíveis com modelos teóricos de planetas oceânicos ricos em hidrogênio.

Observações em diferentes espectros confirmam persistência do sinal químico detectado

A equipe realizou novas observações utilizando o instrumento MIRI, que opera no infravermelho médio, complementando dados anteriores obtidos em outras faixas espectrais.

O objetivo era verificar se o sinal químico persistia em diferentes comprimentos de onda. O resultado confirmou a presença do sinal com significância estatística de até 3,4 sigma em algumas medições.

Um planeta coberto de oceano a 124 anos-luz pode estar exalando o mesmo gás que o mar brasileiro libera quando o fitoplâncton está vivo, e a concentração detectada pelo James Webb é milhares de vezes maior do que qualquer registro feito na Terra
Exoplaneta K2-18 b na zona habitável

Além do DMS, também foi considerada a presença de dissulfeto de dimetilo, composto quimicamente semelhante e igualmente classificado como potencial biossinal.

Concentração de gás detectada no exoplaneta supera em milhares de vezes os níveis terrestres

A análise indica que a concentração do composto químico pode ultrapassar 10 partes por milhão na atmosfera de K2-18 b.

Na Terra, os níveis atmosféricos desse gás raramente ultrapassam 0,1 parte por bilhão. Essa diferença representa uma concentração potencialmente milhares de vezes superior à observada em ambientes terrestres.

Se confirmada, essa abundância exigiria processos de produção extremamente intensos, o que levanta hipóteses sobre a natureza química ou biológica do fenômeno.

Comunidade científica mantém cautela e exige maior evidência estatística para confirmação

Apesar da relevância dos resultados, a comunidade científica mantém postura cautelosa. O padrão internacional para confirmação de descoberta exige significância de cinco sigma, equivalente a uma probabilidade extremamente baixa de erro estatístico. O nível atual de três sigma indica forte evidência, mas ainda insuficiente para confirmação definitiva.

Pesquisadores também destacam a possibilidade de o gás ser produzido por processos não biológicos em ambientes com composição atmosférica diferente da terrestre.

Estudos independentes questionam interpretação dos dados e sugerem alternativas sem biossinais

Análises independentes posteriores levantaram questionamentos sobre a metodologia utilizada na interpretação dos dados espectrais.

Reavaliações que combinaram diferentes conjuntos de observações indicaram que o espectro pode ser explicado sem a necessidade de incluir o dimetilsulfeto como componente obrigatório.

Outros estudos também apontaram a possibilidade de formação do composto em condições experimentais sem a presença de processos biológicos, ampliando o debate científico.

Natureza do exoplaneta ainda é incerta e pode variar entre planeta oceânico e mundo gasoso

K2-18 b permanece como um objeto de estudo com características ainda não totalmente definidas. As interpretações variam entre um planeta oceânico com atmosfera relativamente fina e um mundo gasoso mais denso, sem superfície definida.

Essa incerteza dificulta a determinação exata dos processos responsáveis pelos sinais detectados. O avanço na busca por vida fora da Terra depende de instrumentos mais precisos.

Projetos futuros, como telescópios dedicados à análise de atmosferas de planetas rochosos semelhantes à Terra, devem ampliar a capacidade de detecção de biossinais com maior confiabilidade.

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K2-18 b funciona atualmente como um caso de estudo que permite testar métodos e refinar técnicas de observação.

Agora queremos saber: a detecção desse gás representa um avanço real na busca por vida fora da Terra ou ainda estamos longe de uma confirmação definitiva?

A possível identificação de compostos associados à atividade biológica em um exoplaneta marca um momento relevante na astrobiologia.

Na sua visão, esse tipo de evidência já representa um avanço concreto ou ainda exige validação mais rigorosa antes de qualquer conclusão?

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Anderson
Anderson
30/04/2026 15:32

Em minha visão de perspectiva, se já deve indicar vida ou não nesse planeta.
É totalmente favorável a ter vida com absoluta certeza.
Por quê ao usar os mais modernos espectrômetros desenvolvidos pela nasa e também de outras agências espaciais que contribuem na exploração de novos mundos e sistemas estelares.
De fato, a identificação dos gases da atmosfera que, identificou em gases de efeito estufa como o co2 e metano em altíssimas concentrações na atmosfera e o de possuir um gigantesco oceano que cobre completamente todo globo.
E mais as altíssimas emissões de gás dimetil sulfeto na atmosfera, se caracterizam plenamente que há vida nesse planeta.
Portanto não bastariam mais evidências do que estas.
Ou seja, não é somente pelo fato de existir água em abundância, e sim pelo fato de provar que tem altíssimas concentrações desse gás dimetil sulfato na atmosfera do planeta
E se a água o suficiente, também à oxigênio e hidrogênio o suficiente para ter vida.
Direto ao ponto de vista, com certeza tem vida.Pois se tem muito metano e dmetil sulfato tem excesso de algas e fitoplâncton por todo o planeta.
E pode haver maiores concentrações de algas em regiões que tem muitos corais e perto de ilhas.
Sem contar que o planeta está orbitantando uma estrela anã vermelha parecida com o nosso sol em tamanhos.
Isso indica a ter vida no planeta K2- 18 b que está na constelação de leão.
Assim como muitos outros planetas que já foram identificados como orbitando pequenos sois semelhantes ao do nosso sistema solar.
Isso é relevante de mais, e precisava ser esclarecido a todos na terra.
E outro exemplo é a estrela de alta centauro que possui um planeta orbitando com condições de haver vida.
E mais um grande exemplo está o super planeta 51 pegasus que fica na constelação de pegasus.
Nenhum desses planetas é tão perto assim a ponto de coquistarmos ou de enviar uma nave para alguns desses planetas.
Oque é hoje de fato impossível de se fazer, mesmo que tenha naves com propulsão nuclear ou de plasma.
Encarar uma viagem longa de anos Luz é extremamente evelhecedora no corpo de um ser humano e sem falar nas radiações e mutações que o corpo humano sofre.
Teria alterações no sangue e muita perda de massa óssea, deixando os ossos esburados e frágeis e causaria anemias no sangue por causa da falta de gravidade e radiações o tempo todo sendo recebida diretamente.
Ainda não conseguimos criar gravidade artificial dentro de naves e foguetes e nem combustível e alimentos e suprimentos para anos de viagem interplanetária.
Mas, de fato à sim prova que existe vida em muitos planetas que contem água.
E só faltam os cientistas e a própria nasa a dizer a verdade a população da terra.
E se já sabem de tudo, porque escondem as verdades.
As vezes, passam algum tempo e ainda dizem que não a provas o suficiente pra dizer que achou vida ou que era só mais um planeta gasosos que está sendo estudado.

Larissa
Larissa
24/04/2026 08:27

Amei o conteúdo, amo o oceano

Fonte
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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