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Brechó que começou com roupas dos filhos e empréstimo da avó virou rede de R$ 300 milhões por ano: Peça Rara cresceu para 130 lojas, vendeu 4 milhões de itens e transformou peças usadas em negócio nacional de economia circular

Escrito por Carla Teles
Publicado em 22/06/2026 às 10:30
Atualizado em 22/06/2026 às 10:33
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Brechó Peça Rara, fundado por Bruna Vasconi, cresce com franquias e economia circular no Brasil. Imagem: Divulgação
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Fundado por Bruna Vasconi em Brasília, o brechó Peça Rara começou com peças dos filhos e hoje opera em mais de 130 lojas. Segundo o Seu Dinheiro, a rede faturou cerca de R$ 300 milhões em 2025, vendeu quatro milhões de itens e mira 300 unidades nos próximos três anos.

O brechó que começou com roupas e brinquedos dos filhos de Bruna Vasconi virou uma das maiores redes de economia circular do Brasil. O Peça Rara nasceu em Brasília, em 2007, depois de um empréstimo familiar, uma sociedade curta e uma aposta em peças usadas quando o mercado ainda enfrentava resistência.

Segundo reportagem do Seu Dinheiro publicada em 26 de março de 2026, a empresa faturou cerca de R$ 300 milhões em 2025, crescimento de 25% sobre o ano anterior, e vendeu quatro milhões de itens. Hoje, a marca soma mais de 130 lojas e está presente em 22 dos 26 estados brasileiros, além do Distrito Federal.

Ideia nasceu dentro de casa, com roupas dos filhos

Bruna Vasconi, psicóloga de formação, começou o negócio em um momento de busca por complemento de renda familiar. Antes do Peça Rara, ela já havia vendido bijuterias, chocolates e produtos de beleza para conhecidos durante a faculdade.

A virada veio depois de ler uma história sobre uma empreendedora que vendia roupas usadas dos filhos na garagem de casa, em São Paulo. Ao olhar para as peças e brinquedos que as crianças já não usavam, Bruna enxergou a chance de montar um brechó com investimento aparentemente menor.

Empréstimo da avó ajudou no primeiro passo

Na época, Bruna morava em Brasília e era mãe de duas crianças. Ela abriu o primeiro negócio em parceria com uma amiga, reunindo itens dos próprios filhos e de outras colegas que também tinham peças paradas em casa.

Cada uma das sócias investiu R$ 7 mil para alugar um espaço de 100 metros quadrados e bancar os custos iniciais. Bruna pediu esse dinheiro emprestado à avó. A sociedade, porém, durou apenas 40 dias, e cada uma seguiu seu caminho.

Primeira loja do Peça Rara abriu em 2007

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Depois da separação da sociedade inicial, as duas calcularam que o negócio valia R$ 50 mil. Bruna ficou com R$ 25 mil e buscou novo apoio financeiro com o pai, que colocou mais R$ 25 mil na operação.

Com R$ 50 mil em mãos, ela alugou um espaço maior, de 350 metros quadrados, e abriu a primeira loja do Peça Rara em abril de 2007. A proposta deixou de ser apenas infantil e passou a incluir roupas, sapatos e acessórios femininos.

Consignação virou base do modelo de negócio

Bruna atribui parte do crescimento do brechó ao modelo de consignação adotado desde o início. A lógica era simples: pessoas deixavam peças na loja e recebiam o pagamento somente depois da venda.

Segundo a fundadora, a consignação surgiu porque ela não achava justo pagar um valor fechado por uma sacola de roupas, já que cada peça tinha seu próprio valor. O outro motivo era direto: ela não tinha dinheiro para comprar estoque próprio.

Fornecedores hoje têm três formas de receber

Atualmente, quem leva itens ao Peça Rara pode escolher entre consignação, moedas PR ou pagamento via Pix. Na consignação, as peças ficam expostas nas lojas e o fornecedor acompanha as vendas por aplicativo.

A marca também criou alternativas para quem prefere pagamento mais rápido. O Pix pode ocorrer em até 48 horas, enquanto as moedas PR permitem trocar o valor por outras peças do brechó no mesmo dia.

Curadoria ajuda a organizar o acervo

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A seleção das peças é feita por equipes de curadoria e precificação nas unidades do Peça Rara. Os critérios variam conforme o público de cada loja, já que os fornecedores e consumidores tendem a ter perfis semelhantes dentro do mesmo bairro ou cidade.

A rede recebe peças de luxo, mas não se limita a esse segmento. Há também itens mais acessíveis, desde que estejam alinhados ao perfil da unidade. Esse processo ajudou a transformar o brechó em uma operação mais organizada e escalável.

Preconceito com roupa usada foi obstáculo no início

Quando abriu a primeira unidade em Brasília, Bruna enfrentou um problema comum naquele período: muitas pessoas queriam fornecer peças, mas poucas queriam comprar roupas de segunda mão.

A fundadora contou ao Seu Dinheiro que, no começo, não havia cultura forte de consumo em brechó. Para mudar essa percepção, ela apostou em loja organizada, ambiente convidativo e uma experiência que mostrasse valor além do preço.

Expansão por franquias começou depois de sete lojas

Em 2019, o Peça Rara tinha sete lojas próprias, todas em Brasília. A empresa estava mais estruturada, mas tinha dificuldade de crescer mantendo apenas a lógica familiar.

Após buscar uma consultoria, Bruna recebeu o diagnóstico de que o caminho seria franquear. A primeira unidade nesse modelo também foi aberta no Distrito Federal, marcando o início de uma nova fase de expansão.

SMZTO e Deborah Secco ampliaram visibilidade

No mesmo ano em que avaliava a expansão, Bruna foi procurada pelo grupo SMZTO, de José Carlos Semenzato. A parceria demorou a avançar por causa da pandemia, mas foi oficializada em 2021.

A atriz Deborah Secco entrou como sócia em 2022 e passou a ser o rosto mais conhecido da comunicação da marca. Por isso, o Peça Rara ficou nacionalmente associado à expressão “brechó da Deborah Secco”, embora a fundadora seja Bruna Vasconi.

Rede chegou a R$ 300 milhões em 2025

O Peça Rara faturou cerca de R$ 300 milhões em 2025, segundo o Seu Dinheiro. O resultado representou crescimento de 25% em relação ao ano anterior e veio acompanhado da venda de quatro milhões de itens.

O número mostra a mudança de status do mercado de segunda mão. O que antes era visto com resistência passou a dialogar com economia circular, consumo consciente, peças únicas e busca por alternativas mais sustentáveis no varejo.

Instituto transforma peças fora do acervo em ação social

A rede criou, em 2019, o Instituto Eu Sou Peça Rara. A iniciativa surgiu de um desafio operacional: o que fazer com itens que chegavam às lojas, mas não entravam no acervo principal?

A resposta veio em forma de bazares beneficentes, com peças vendidas a valores mais simbólicos, entre R$ 5 e R$ 50. Em 2024, o instituto vendeu mais de 300 mil peças nesses bazares e arrecadou R$ 2,8 milhões para ações sociais.

Creche e impacto ambiental entraram na estratégia

Entre as ações sociais citadas pela reportagem está uma creche inaugurada pelo Peça Rara em 2023, com atendimento a 300 crianças. A iniciativa reforça a tentativa da marca de conectar negócio, impacto social e economia circular.

A empresa também estima que, ao evitar a produção de uma peça nova, preserva 2,7 mil litros de água e evita 5,7 quilos de dióxido de carbono na atmosfera. Esses dados ajudam a explicar por que o brechó passou a ser tratado como parte de uma agenda ESG.

Meta agora é chegar a 300 lojas

O grande objetivo atual de Bruna Vasconi é ampliar a rede. Segundo a fundadora, o Peça Rara quer chegar a 300 unidades nos próximos três anos.

Ela afirma que a expansão foi segurada em 2025 para consolidar a operação, depois de a rede saltar de sete lojas para 130 em quatro anos. A prioridade em 2026 continua sendo fortalecer a estrutura, sem deixar a marca perder controle do modelo.

Franquias têm três formatos de investimento

A rede trabalha com três modelos de franquia: Clássica, Midi e Pocket. A versão Clássica exige investimento a partir de R$ 630 mil, em lojas acima de 300 metros quadrados e cidades com mais de um milhão de habitantes.

O modelo Midi exige investimento a partir de R$ 530 mil, para lojas entre 200 e 250 metros quadrados. Já a versão Pocket parte de R$ 320 mil, com lojas de 100 metros quadrados, voltadas a cidades menores e com foco no setor feminino.

Quando roupa usada vira negócio nacional

A história do Peça Rara mostra como um brechó criado a partir de roupas dos filhos, empréstimo da avó e necessidade de renda virou uma rede nacional com faturamento milionário, franquias, sócios conhecidos e impacto social.

A pergunta que fica é simples: você compraria mais peças usadas se o brechó tivesse curadoria, loja organizada e proposta sustentável, ou ainda prefere roupa nova mesmo pagando mais? Comente o que mais chama sua atenção nessa virada do mercado de segunda mão.

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Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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