Loomi, criada por ex-alunos da UFPE no Recife, faturou R$ 8,6 milhões em 2024, atende 84 clientes e avança com IA para grandes empresas.
A Loomi, empresa de tecnologia criada no Recife em 2020, se consolidou como um dos casos mais chamativos da nova geração de startups brasileiras de inteligência artificial. Segundo a EXAME, a companhia atende 84 clientes no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos e reúne em sua carteira nomes como Basf, Bayer, Neoenergia, Sem Parar, Eurofarma e Ipiranga. No recorte financeiro, o faturamento passou de R$ 6,5 milhões em 2023 para R$ 8,6 milhões em 2024, avanço de 34% que levou a empresa à 109ª posição na categoria de 5 milhões a 30 milhões de reais do ranking EXAME Negócios em Expansão 2025.
Por trás desse crescimento está um grupo formado majoritariamente por ex-alunos da Universidade Federal de Pernambuco. À frente da operação está Gabriel Albuquerque, que abriu a empresa aos 22 anos e, de acordo com o CIn da UFPE, foi reconhecido em 2024 como um dos destaques da Forbes Under 30. A própria EXAME informa que a Loomi tem 107 funcionários e média de idade de apenas 24 anos, um retrato raro de uma empresa jovem disputando contratos com grandes corporações.
Da universidade pública no Recife para a carteira de grandes multinacionais
A origem da Loomi ajuda a explicar por que a empresa ganhou tração tão cedo. Segundo o Movimento Econômico, a história começou quando a Neoenergia procurou o ambiente de inovação ligado ao Centro de Informática da UFPE para desenvolver soluções tecnológicas e acabou encontrando a equipe que depois daria origem à startup.
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O projeto teve resultado tão positivo que a companhia adotou a tecnologia em operações de quatro estados, abrindo caminho para a continuidade da parceria e para a criação formal do negócio.
A partir desse primeiro contrato, Gabriel Albuquerque e outros quatro alunos decidiram transformar a experiência em empresa.
Ainda segundo o Movimento Econômico, a Loomi saiu rapidamente de um estágio embrionário para um crescimento acelerado, com faturamento saltando de R$ 70 mil para R$ 200 mil em poucos meses, quase 285% de alta. O mesmo texto registra que a companhia passou a operar com sede própria no Recife e filial em São Paulo, reforçando o movimento de expansão para além do ambiente universitário.
Esse percurso se encaixa em um ecossistema que já vinha amadurecendo na capital pernambucana. A EXAME destaca que a UFPE integra o polo tecnológico do Recife, mantém parcerias com empresas do setor, como a Motorola, e já ajudou no nascimento de cerca de 120 startups, entre elas a empresa de cibersegurança Tempest.
Nesse contexto, a Loomi deixou de ser apenas um projeto acadêmico bem-sucedido e passou a representar uma vitrine da conexão entre universidade pública, Porto Digital e mercado corporativo.
Equipe de média etária de 24 anos aposta em autonomia e busca por propósito
Um dos elementos que mais chamam atenção na Loomi é o perfil da equipe. A EXAME afirma que a empresa tem média de idade de 24 anos, enquanto o próprio Gabriel Albuquerque aparece no levantamento com 27 anos, embora tenha fundado a operação aos 22.
O dado ajuda a sustentar o principal discurso da companhia: uma empresa dominada por profissionais muito jovens, mas já inserida em projetos de grande escala para clientes de peso.
Na reportagem, Gabriel resume esse traço geracional ao afirmar que sua equipe tende a questionar o propósito do trabalho e a transformação gerada por cada entrega. A frase usada pelo executivo sintetiza essa cultura: “Nós nunca fazemos algo sem entender o porquê daquilo”.
O reconhecimento externo reforçou esse discurso em 2024. O CIn da UFPE informou que Gabriel Albuquerque foi incluído entre os destaques da Forbes Under 30, ranking dedicado a empreendedores e criadores brasileiros com menos de 30 anos. Na publicação, o centro registra que ele atua como CEO e parceiro da Loomi e associa a conquista ao crescimento profissional acumulado nos últimos anos.
Projeto para a Mondelez e previsão de vendas do Bis mostram o tipo de IA que colocou a Loomi em outro patamar
A melhor forma de entender o que a Loomi entrega ao mercado é observar os projetos citados pela EXAME. Em um dos casos destacados, a empresa colaborou com a Mondelez no desenvolvimento de uma inteligência artificial preditiva capaz de estimar as vendas do chocolate Bis por canal e por dia, com 90% de acurácia.
Em operações de varejo e indústria, um índice desse porte é estratégico porque afeta planejamento de produção, distribuição e abastecimento.

A EXAME também informa que a Loomi atua em duas frentes principais: IA generativa e IA preditiva. Em vez de vender inteligência artificial como pacote genérico, a empresa diz que busca entender a situação concreta do cliente antes de desenhar a solução.
Esse posicionamento ajuda a explicar por que a startup conseguiu migrar de uma estrutura jovem para contratos com empresas que, em muitos casos, tradicionalmente recorreriam a consultorias maiores e mais consolidadas.
Recife fortalece a Loomi como vitrine de inovação fora do eixo Rio-São Paulo
O crescimento da Loomi também reforça a posição do Recife como um dos principais polos de tecnologia do país. A EXAME registra que a empresa hoje está no Porto Digital, hub de inovação localizado no Recife Antigo que abriga por volta de 400 empresas.
No plano simbólico, a trajetória da companhia também projeta o papel da universidade pública nesse processo. O CIn da UFPE afirma que Gabriel Albuquerque é egresso de Engenharia da Computação e destaca a formação recebida no centro como peça importante na sua trajetória empreendedora.
O próprio executivo, em relato reproduzido pelo portal, associa sua transformação profissional à entrada na UFPE e ao ambiente de computação do CIn.
Com 84 clientes, crescimento anual de 34%, presença internacional e contratos com grandes marcas, a Loomi se consolida como um caso de expansão relevante saído do Nordeste brasileiro. Mais do que uma startup de jovens, a empresa passou a representar um modelo de negócio em que formação técnica, ecossistema local e inteligência artificial aplicada se combinam para disputar espaço entre os nomes mais fortes do mercado corporativo.


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