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Um navio russo que afundou misteriosamente perto da costa da Espanha transportava componentes de reatores nucleares com destino à Coreia do Norte, e uma investigação da CNN aponta que a explosão pode ter sido provocada por um torpedo lançado por forças ocidentais numa operação militar inédita

Publicado em 12/05/2026 às 15:48
Atualizado em 12/05/2026 às 15:57
Um navio russo que afundou misteriosamente perto da Espanha em 2024 transportava componentes de reatores nucleares para a Coreia do Norte, segundo investigação da CNN. Fontes apontam torpedo de forças ocidentais como causa da explosão.
Um navio russo que afundou misteriosamente perto da Espanha em 2024 transportava componentes de reatores nucleares para a Coreia do Norte, segundo investigação da CNN. Fontes apontam torpedo de forças ocidentais como causa da explosão.
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Um navio russo chamado Ursa Maior afundou em águas internacionais a 96 quilômetros da costa da Espanha em dezembro de 2024 após uma série de explosões, e uma investigação da CNN Internacional revelou que a embarcação transportava componentes suspeitos de serem reatores nucleares com destino à Coreia do Norte. Fontes ligadas à investigação espanhola apontam que o naufrágio pode ter sido provocado por um torpedo lançado por forças ocidentais.

Segundo informações divulgadas pelo G1, o navio russo Ursa Maior navegava pelo Mediterrâneo em 23 de dezembro de 2024, dois meses após a Coreia do Norte enviar tropas para lutar ao lado da Rússia na Ucrânia, quando sofreu uma série de explosões e afundou. Dois tripulantes morreram e os outros 14 foram resgatados por equipes espanholas. O incidente foi registrado pela imprensa internacional na ocasião, mas a causa das explosões nunca foi explicada publicamente. Agora, uma investigação da CNN divulgada nesta terça-feira (12) revela que o navio russo carregava materiais suspeitos de serem reatores nucleares destinados ao governo norte-coreano, e que a explosão pode ter sido resultado de uma rara operação militar do Ocidente para impedir a transferência de tecnologia nuclear à Coreia do Norte.

O governo russo alegou à época que o navio russo transportava guindastes para o porto de Vladivostok e equipamentos para quebrar gelo no mar. Mas não explicou por que a embarcação estava perto da costa da Espanha, a milhares de quilômetros da rota direta entre o Golfo da Finlândia e o Pacífico. O capitão do navio, em relato às autoridades espanholas, afirmou que a embarcação continha “componentes para dois reatores nucleares semelhantes aos usados em submarinos”, mas que não sabia se o material continha combustível nuclear. A contradição entre a versão oficial russa e o relato do capitão é um dos pontos centrais da investigação.

O que a investigação da CNN revelou

A reportagem da CNN Internacional afirma ter confirmado múltiplos elementos que sustentam a tese de que o navio russo foi deliberadamente afundado. Fontes da investigação que a Espanha ainda conduz sobre o caso disseram à rede que a embarcação pode ter sido perfurada por um tipo raro de torpedo lançado por forças ocidentais. Se confirmada, a operação representaria uma das ações militares mais ousadas dos últimos anos contra a Rússia fora do teatro de guerra na Ucrânia.

A CNN também confirmou que aeronaves das Forças Armadas dos Estados Unidos sobrevoaram o navio russo algumas vezes. No último ano, aeronaves norte-americanas sobrevoaram a área dos destroços pelo menos duas vezes. Um navio espião russo também visitou o local uma semana após o naufrágio, segundo fontes da inteligência espanhola ouvidas pela CNN. Até a última atualização da reportagem, autoridades dos países supostamente envolvidos não haviam se manifestado sobre a investigação.

O Ursa Maior: um cargueiro militar disfarçado

Imagem de arquivo do navio russo Ursa Major • Reuters

O navio russo Ursa Maior não era um cargueiro comercial comum. Fabricado em 2009, ele faz parte da frota da companhia Oboronlogistics, que possui contrato com o Ministério da Defesa da Rússia para operações de construções militares. A vinculação direta da embarcação com o aparato militar russo reforça a tese de que a carga tinha finalidade estratégica e não meramente comercial, como alegou o governo de Moscou.

Segundo a investigação, o navio russo havia atracado no porto de Ust-Luga, no Golfo da Finlândia, antes de seguir viagem pelo Mediterrâneo. A rota escolhida não faz sentido logístico se o destino fosse Vladivostok, na costa do Pacífico, já que o caminho mais direto seria pelo Ártico ou pelo Canal de Suez. A passagem pelas águas próximas à Espanha sugere que a embarcação seguia uma rota alternativa, possivelmente para evitar detecção ou para realizar uma transferência de carga em ponto intermediário antes de seguir para a Coreia do Norte.

Reatores nucleares para a Coreia do Norte: o que estava em jogo

O líder norte-coreano Kim Jong Un inspecionou o submarino nuclear do país, estimado em 8.700 toneladas, e classificou o plano de desenvolvimento de submarinos nucleares de Seul como “um ato ofensivo” • KCNA

A possibilidade de que a Rússia estivesse transferindo tecnologia nuclear para a Coreia do Norte eleva o incidente a uma categoria geopolítica diferente. Reatores nucleares semelhantes aos usados em submarinos, conforme descreveu o capitão do navio russo às autoridades espanholas, são componentes de alto valor estratégico que poderiam ampliar significativamente a capacidade nuclear norte-coreana. A Coreia do Norte já possui armas nucleares, mas a aquisição de reatores compactos de origem russa poderia acelerar o desenvolvimento de submarinos nucleares ou de novas instalações de enriquecimento de urânio.

A transferência de tecnologia nuclear entre Rússia e Coreia do Norte viola múltiplas resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Essas resoluções proíbem o fornecimento de materiais, tecnologias e conhecimento que possam contribuir para o programa nuclear ou de mísseis balísticos de Pyongyang. Se a investigação da CNN estiver correta, o navio russo representava uma violação flagrante dessas sanções, o que explicaria por que forças ocidentais teriam decidido intervir de forma tão drástica.

O contexto: tropas norte-coreanas na Ucrânia e a aliança com Moscou

O naufrágio do navio russo ocorreu em um momento de intensificação da aliança militar entre Rússia e Coreia do Norte. Dois meses antes do incidente, a Coreia do Norte havia enviado tropas para lutar ao lado das forças russas na invasão da Ucrânia, um movimento sem precedentes que transformou a relação entre Pyongyang e Moscou de cooperação discreta em aliança militar aberta. Estima-se que cerca de 15 mil soldados norte-coreanos foram enviados ao campo de batalha.

Em troca do fornecimento de tropas, mísseis e artilharia, acredita-se que a Coreia do Norte tenha recebido da Rússia comida, combustível e tecnologia militar. A transferência de reatores nucleares, se confirmada, representaria um salto qualitativo nessa troca: não apenas suprimentos e armamentos convencionais, mas tecnologia nuclear de ponta que poderia alterar o equilíbrio estratégico na península coreana. Para os Estados Unidos e seus aliados na região, especialmente Coreia do Sul e Japão, essa possibilidade seria inaceitável.

O resgate, a escolta militar e o silêncio de Moscou

Sobreviventes do naufrágio do navio cargueiro russo Ursa Major no convés de um navio de salvamento marítimo espanhol após a chegada ao porto de Cartagena, Espanha, em 23 de dezembro de 2024 • Jose Maria Rodriguez/Reuters

Os detalhes do resgate dos tripulantes do navio russo também levantam perguntas. Após os 14 sobreviventes serem resgatados por equipes espanholas, um navio militar russo que escoltava o Ursa Maior ordenou que os tripulantes fossem devolvidos às forças russas de forma imediata. O fato de o cargueiro estar sendo escoltado por um navio militar é mais um indício de que a carga não era trivial. Cargueiros que transportam guindastes e equipamentos de quebra-gelo não costumam navegar com escolta da Marinha.

O governo russo nunca forneceu explicação oficial sobre a causa das explosões. Apenas o governo da Espanha se manifestou sobre o caso, em um comunicado publicado em fevereiro de 2025, no qual citou o relato do capitão sobre os reatores nucleares. Desde então, o silêncio de Moscou sobre o incidente contrasta com as missões militares que países ocidentais e a própria Rússia realizaram ao redor dos destroços, indicando que o material no fundo do mar continua sendo objeto de interesse estratégico de ambos os lados.

Um naufrágio que pode reescrever as regras do jogo

O caso do navio russo Ursa Maior permanece oficialmente sem explicação. Se a investigação da CNN estiver correta e forças ocidentais de fato torpedearam um cargueiro militar russo para impedir a transferência de reatores nucleares à Coreia do Norte, o incidente representa uma operação sem precedentes na era moderna: uma ação militar direta contra um ativo russo fora da Ucrânia, em águas internacionais, sem declaração de guerra e sem reconhecimento público.

O que você acha dessa investigação sobre o navio russo que transportava reatores nucleares? Conte nos comentários se acredita na tese de torpedo ocidental, como avalia a aliança entre Rússia e Coreia do Norte e o que pensa sobre o silêncio de Moscou a respeito do naufrágio. Queremos ouvir a sua análise sobre esse episódio que pode ter mudado as regras da geopolítica global.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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