Segundo informações da BBC, a primeira ponte rodoviária ligando a Coreia do Norte e a Rússia está quase concluída sobre o rio Tumen, com um quilômetro de extensão, capacidade para 300 veículos e 2.850 pessoas por dia, custo estimado de US$ 120 milhões e inauguração prevista para 19 de junho. Especialistas afirmam que a obra simboliza o aprofundamento da aliança militar entre Pyongyang e Moscou no contexto da guerra na Ucrânia.
A Coreia do Norte e a Rússia estão prestes a concretizar uma ligação física que até recentemente seria impensável pela velocidade com que foi executada. Imagens de satélite analisadas pela BBC Verify mostram que a primeira ponte rodoviária entre os dois países está quase concluída, com a estrutura principal já unida e infraestrutura de apoio visível nas margens. A ponte, conhecida como Khasan-Tumangang, foi construída em aproximadamente um ano após um acordo firmado durante a visita do presidente russo Vladimir Putin a Pyongyang em junho de 2024, quando ele se encontrou com o líder norte-coreano Kim Jong Un.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia declarou que a abertura da ponte “se tornará uma etapa verdadeiramente marcante nas relações russo-coreanas” e que “seu significado vai muito além de uma obra puramente de engenharia”. A ponte está localizada a poucas centenas de metros da única outra conexão entre a Coreia do Norte e a Rússia, a Ponte da Amizade, que é exclusivamente ferroviária. Com a nova travessia rodoviária, os dois países passam a contar com uma rota para transporte de cargas por caminhões, ampliando significativamente a capacidade logística entre seus territórios.
Um quilômetro de concreto sobre o rio Tumen

Uma imagem divulgada pelo Ministério dos Transportes da Rússia mostra a cerimônia que marcou a ligação das duas margens da nova ponte rodoviária.
A ponte rodoviária que liga a Coreia do Norte e a Rússia tem aproximadamente um quilômetro de extensão e cruza o rio Tumen, o curso de água que forma parte da fronteira entre os dois países no extremo nordeste da Ásia. O Ministério dos Transportes da Rússia informou que a estrutura foi projetada para suportar até 300 veículos e 2.850 pessoas por dia, números que indicam uma capacidade significativa de movimentação de cargas e pessoas entre os dois territórios.
-
A Tailândia desistiu de cortar o país com um canal e escolheu uma megaobra de US$ 28 bilhões por terra: o Southern Landbridge terá 90 km, dois portos gigantes, ferrovia, rodovia e dutos para ligar dois mares e desafiar o Estreito de Málaca sem entregar a rota estratégica à China
-
O Mali quer abrir caminho para o oceano cavando 900 km de hidrovia pelo Rio Senegal: projeto de US$ 800 milhões promete reduzir custos logísticos em até 60%, criar uma rota direta ao Atlântico e transformar a exportação de ouro de um dos países mais isolados da África sem depender de estradas ou ferrovias
-
Quanto custa o metro do reboco? Profissional cita média entre R$ 25 e R$ 30
-
Um estudo na China revelou que as juntas de borracha que vedam os túneis submersos sob o mar se degradam muito mais rápido do que se imaginava quando a salinidade e a compressão constante agem juntas, perdendo até 67% da força de vedação ao longo da vida útil, embora as obras existentes não corram risco imediato
O custo total da obra é estimado em mais de 9 bilhões de rublos, equivalentes a aproximadamente US$ 120 milhões ou mais de R$ 600 milhões, segundo a mídia estatal russa. As imagens de satélite mais recentes, datadas de maio de 2026, mostram a ponte finalizada ao lado de novas vias de acesso, um posto de controle de fronteira, infraestrutura de apoio e estacionamento. Uma cerimônia para marcar a união dos dois lados da ponte foi realizada em 21 de abril, e a embaixada da Rússia na Coreia do Norte informou que a construção deve ser totalmente concluída em 19 de junho.
A velocidade da obra diz tanto quanto a ponte em si

A rapidez com que a ponte entre a Coreia do Norte e a Rússia foi construída impressiona analistas internacionais. Victor Cha, do think tank Center for Strategic and International Studies (CSIS), afirmou que a velocidade da construção é um reflexo do volume de atividade comercial entre os dois lados, sugerindo que a demanda por uma conexão rodoviária era urgente o suficiente para justificar um cronograma acelerado. A obra foi iniciada aproximadamente um ano após o acordo entre Putin e Kim e já está em fase final de conclusão.
Para efeito de comparação, pontes de escala similar em contextos convencionais costumam levar de dois a cinco anos entre projeto e entrega. O fato de a Coreia do Norte e a Rússia terem completado a estrutura em cerca de 12 meses indica prioridade máxima de ambos os governos. Segundo Cha, essa pressa é estimulada em grande parte pelo fornecimento de tropas, armas, munições e trabalhadores pela Coreia do Norte para apoiar a Rússia na guerra contra a Ucrânia, uma relação que exige logística robusta e vias de transporte confiáveis.
O contexto militar por trás da ponte
A nova ponte entre a Coreia do Norte e a Rússia não pode ser analisada fora do contexto da guerra na Ucrânia. Edward Howell, especialista em Coreias do think tank britânico Chatham House, afirmou que a ponte oferecerá uma rota útil para transferir bens militares e munições em ambas as direções. A Coreia do Norte já enviou cerca de 15 mil soldados para lutar ao lado das forças russas na Ucrânia, segundo estimativas da Coreia do Sul, além de mísseis e armas de longo alcance. Seul também estima que aproximadamente 2 mil norte-coreanos morreram no conflito.
Nem Pyongyang nem Moscou confirmaram oficialmente esses números, mas ações recentes indicam que a cooperação militar é profunda. Na semana passada, Kim Jong Un e o ministro da Defesa da Rússia, Andrey Belousov, inauguraram um memorial em Pyongyang para os norte-coreanos que morreram combatendo na guerra da Ucrânia. Belousov declarou ter discutido cooperação militar de longo prazo com autoridades norte-coreanas. Em troca do fornecimento de soldados e armamento, acredita-se que a Coreia do Norte tenha recebido comida, combustível e tecnologia militar da Rússia.
O acordo de 2024 que gerou a ponte
A ponte rodoviária é um dos desdobramentos concretos da visita de Vladimir Putin a Pyongyang em junho de 2024. Além de acordarem a construção da travessia, Putin e Kim Jong Un assinaram um pacto histórico prometendo que a Coreia do Norte e a Rússia se ajudarão mutuamente em caso de “agressão” contra qualquer um dos países. Esse acordo de defesa mútua representou uma escalada formal na aliança entre os dois governos e sinalizou ao mundo que a relação bilateral havia ultrapassado o estágio de cooperação pontual.
A BBC Verify utilizou imagens de satélite para acompanhar o progresso da construção desde o início das obras. Registros de maio de 2025 mostram o início da fundação nos dois lados do rio Tumen. Em novembro, a estrutura já avançava sobre a água. Em abril de 2026, a ponte aparece praticamente completa, com vias de acesso, postos de controle e infraestrutura de apoio claramente visíveis. A sequência de imagens documenta uma das construções de infraestrutura mais rápidas e geopoliticamente significativas dos últimos anos.
Como a ponte funcionará na prática

A logística de operação da ponte entre a Coreia do Norte e a Rússia terá particularidades que refletem a natureza dos dois regimes. Segundo o CSIS, motoristas russos e norte-coreanos provavelmente deverão transferir cargas de caminhões cheios na própria travessia, pois estarão restritos a operar veículos apenas nas proximidades da fronteira, sem permissão para avançar mais para dentro do território do outro país. Esse modelo de transbordo na ponte é comum em fronteiras de alto controle, onde cada governo limita o acesso estrangeiro ao seu interior.
O tráfego ferroviário na vizinha Ponte da Amizade permaneceu alto durante toda a construção da nova ponte rodoviária. Isso indica que a demanda comercial entre a Coreia do Norte e a Rússia já supera a capacidade da conexão ferroviária existente e que a ponte rodoviária não substitui, mas complementa o fluxo de mercadorias. Especialistas consideram que a nova travessia deve se tornar rapidamente uma das principais rotas comerciais entre os dois países, movimentando tanto produtos civis quanto materiais de interesse militar.
Uma ponte que simboliza uma aliança além da guerra
A ponte Khasan-Tumangang está quase pronta e deve ser inaugurada em junho. Com um quilômetro de extensão, capacidade para 300 veículos por dia e um custo de mais de US$ 120 milhões, a primeira ligação rodoviária entre a Coreia do Norte e a Rússia é o símbolo mais visível do aprofundamento da aliança entre Pyongyang e Moscou. Como destacou Edward Howell, a construção simboliza como os laços entre os dois países parecem destinados a continuar além de qualquer eventual fim da guerra na Ucrânia.
O que você acha da construção dessa ponte entre Coreia do Norte e Rússia? Conte nos comentários se acredita que essa ligação rodoviária tem fins principalmente comerciais ou militares, como avalia o impacto na guerra da Ucrânia e o que pensa sobre a velocidade de construção da obra. Queremos ouvir a sua análise sobre essa movimentação geopolítica.

-
1 pessoa reagiu a isso.