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Um lago na Antártida esconde água com química rara, profundidade de quase 170 metros e estruturas microbianas que ajudam cientistas a buscar sinais de vida em Marte

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 09/04/2026 às 16:54
Atualizado em 09/04/2026 às 16:57
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Cientistas analisaram Lake Unter See na Antártida, com quase 170 metros de profundidade, para entender condições extremas e seus efeitos na astrobiologia

Um lago coberto por gelo durante todo o ano, com água selada sob uma camada espessa e química fora do padrão, chama a atenção de pesquisadores na Antártida. O cenário reúne alta concentração de oxigênio dissolvido e metano, pouco dióxido de carbono dissolvido e água com pH elevado.

Esse conjunto transforma Lake Unter See em um dos ambientes mais incomuns do planeta. Além do valor científico, o local ajuda a entender como formas simples de vida conseguem persistir em condições extremas, com impacto direto sobre estudos que tentam ler sinais de vida fora da Terra.

Gelo permanente mantém água isolada o ano inteiro

Mesmo no verão antártico, o lago permanece congelado na superfície. As águas ficam presas sob uma cobertura de 2 a 4 metros de gelo, enquanto a luz solar atravessa essa barreira e aquece a água logo abaixo.

Ao mesmo tempo, o frio intenso e os ventos fortes impedem derretimento mais amplo na parte superior. A temperatura média anual da região gira em torno de menos 10 graus Celsius, o que ajuda a manter esse isolamento por longos períodos.

Profundidade de quase 170 metros amplia singularidade do ambiente

Estruturas microbianas em formato cônico no fundo do lago Unter See, na Antártida, crescem sob águas seladas pelo gelo e ajudam cientistas a estudar como a vida pode ter surgido em ambientes extremos.

Além da composição química rara, o lago impressiona pelo porte. Sua profundidade máxima chega a quase 170 metros, o que o coloca entre os lagos de superfície mais profundos e expressivos da Antártida.

Essa combinação entre profundidade, gelo constante e água com características incomuns cria um ambiente muito estável em aparência. Ainda assim, processos internos e eventos externos podem alterar esse equilíbrio de forma rápida e relevante.

Estruturas microbianas lembram alguns dos fósseis mais antigos da Terra

No fundo do lago, pesquisadores identificaram grandes estruturas cônicas chamadas microbialitos. Elas são formadas por microrganismos fotossintetizantes que prendem e organizam sedimentos ao longo do tempo.

Essas formações são vistas como exemplos vivos comparáveis aos estromatólitos mais antigos conhecidos no planeta. Em alguns pontos, elas se elevam até 70 centímetros acima do fundo, algo raro em ambientes modernos e que aumenta o peso científico da descoberta.

Lago virou referência para estudos sobre Marte e Encélado

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Segundo NASA Earth Observatory, esse ambiente também é tratado como modelo para entender locais onde a vida poderia persistir ou deixar vestígios em outros mundos.

A bacia sul do lago, escura, estratificada e sem oxigênio, serve como referência para pesquisas sobre o oceano subterrâneo de Encélado. Já as águas seladas por gelo reforçam comparações com lagos cobertos que podem ter existido em Marte no passado, o que muda a leitura estratégica.

Evento em 2019 elevou nível da água em 2 metros

Mesmo com aparência estável, o lago passou por uma mudança brusca durante trabalhos de campo em 2019. Pesquisadores registraram uma elevação rápida do nível da água e depois confirmaram que o aumento foi de 2 metros.

A explicação veio de uma descarga repentina de água de degelo vinda do lago próximo, Lake Ober See. O episódio mostrou que até sistemas extremos e aparentemente isolados podem sofrer alterações expressivas em pouco tempo.

Enchente liberou 17,5 milhões de metros cúbicos e alterou química da água

A descarga despejou cerca de 17,5 milhões de metros cúbicos de água de degelo no lago. Com isso, houve mudança no pH e reposição de água rica em dióxido de carbono em um sistema normalmente pobre nesse composto.

Esse reforço pode ter ampliado a produtividade microbiana no ambiente. Para os pesquisadores, eventos periódicos desse tipo podem funcionar como estímulo biológico em ecossistemas antárticos muito pobres em carbono.

O conjunto dessas características coloca o lago em posição rara na ciência atual. Profundidade elevada, gelo permanente, química incomum e estruturas microbianas gigantes fazem do ambiente um ponto chave para entender limites da vida.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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