Negociações entre Ucrânia e Rússia em Genebra duraram cerca de duas horas no segundo dia, mantiveram impasse sobre Donbas, envolveram pressão dos Estados Unidos por concessões territoriais e terminaram com acusações públicas de ganho de tempo e progresso desigual
As negociações entre Ucrânia e Rússia, mediadas pelos Estados Unidos, terminaram nesta quarta-feira em Genebra após cerca de duas horas no segundo dia de conversas, sem avanços decisivos. Volodymyr Zelenskyy acusou Moscou de ganhar tempo, mantendo impasses territoriais após quatro anos de guerra.
Ucrânia e Rússia encerram rodada em Genebra sem avanços substanciais
As negociações de paz entre Ucrânia e Rússia ocorreram durante dois dias na Suíça e focaram-se principalmente em questões territoriais, consideradas o principal obstáculo a um acordo há muitos meses. O encontro foi mediado pelos Estados Unidos.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, classificou o progresso como “desigual” e afirmou que Moscou estaria tentando prolongar tratativas que, segundo ele, poderiam ter chegado à fase final.
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“A Rússia está tentando prolongar negociações que poderiam ter chegado à fase final”, declarou Zelenskyy em publicação nas redes sociais. Ele reiterou que a soberania da Ucrânia e suas fronteiras internacionalmente reconhecidas são inegociáveis.
Impasse territorial permanece como principal entrave
O presidente russo, Vladimir Putin, não demonstrou disposição para abandonar a exigência de que a Ucrânia ceda formal e permanentemente o território ocupado no leste do país como parte de um acordo de paz.
A Rússia pressiona para obter controle total do coração industrial do leste ucraniano, a região de Donbas, onde os combates ocorrem desde 2014. Inicialmente, os confrontos envolveram forças ucranianas e separatistas apoiados por Moscou. Nos últimos quatro anos, pelo menos, as forças russas e ucranianas têm se enfrentado diretamente.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que as principais questões envolvem tanto os territórios quanto outras reivindicações apresentadas por Moscou.
Em entrevista à Axios, Zelenskyy disse estar disposto a discutir a retirada de tropas para criar uma zona tampão neutra e monitorada internacionalmente, mas rejeitou a reivindicação russa de soberania sobre o Donbas.
Ele declarou que o povo ucraniano jamais apoiaria uma retirada que significasse entregar o território à Rússia. “Emocionalmente, as pessoas nunca perdoarão isso. Nunca”, afirmou. “Elas não me perdoarão, elas não perdoarão os EUA.”
Pressão dos EUA marca negociações entre Ucrânia e Rússia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionou Ucrânia e Rússia a chegarem a um acordo e sugeriu que Kiev poderia ter de ceder parte de seu território em troca da paz.
Na segunda-feira, Trump classificou as negociações em Genebra como “importantes” e afirmou a repórteres a bordo do Air Force One que “a Ucrânia precisa se sentar à mesa de negociações rapidamente”.
Zelenskyy e aliados americanos da OTAN alertaram repetidamente que uma concessão territorial criaria um precedente perigoso, transmitindo a mensagem de que Putin estaria sendo recompensado pela invasão unilateral de um país vizinho.
O líder ucraniano enfatizou que garantias claras de proteção contra futura agressão russa devem integrar qualquer acordo. Segundo ele, tais garantias podem e devem ser formalizadas antes da conclusão sobre questões territoriais controversas.
“Nossos amigos americanos estão preparando garantias de segurança. Mas eles disseram: primeiro essa troca de territórios, ou algo parecido, e depois as garantias de segurança. Eu acho que primeiro vêm as garantias de segurança”, declarou.
Ele acrescentou que não aceitará um acordo que permita à Rússia se recuperar rapidamente e voltar a ocupar o país. Segundo ele, isso é fundamental para evitar novos ciclos de conflito.
Delegações relatam progresso limitado e novas conversas
O chefe da delegação russa em Genebra, Vladimir Medinskiy, classificou as discussões como “difíceis, mas profissionais”, segundo a agência estatal russa RIA.
Após as reuniões, Medinskiy afirmou que novas negociações serão realizadas em breve, sem especificar prazo.
O principal negociador da Ucrânia, Rustem Umerov, declarou: “Há progresso”, mas acrescentou que se trata de um trabalho complexo que exige alinhamento entre todas as partes e tempo suficiente.
Zelenskyy também defendeu participação mais direta das nações europeias nas negociações entre Ucrânia e Rússia. Segundo ele, a presença europeia é fundamental para implementação bem-sucedida de acordos plenamente viáveis.
“A Ucrânia não tem dúvidas de que os parceiros são capazes de garantir a construtividade do processo de negociação e, consequentemente, um resultado satisfatório”, afirmou.
Trocas de prisioneiros podem ser único resultado concreto
As delegações ucraniana e russa já haviam se reunido em Abu Dhabi em janeiro, em rodada anterior mediada pelos EUA. Na ocasião, houve a primeira troca de prisioneiros entre os países em cinco meses.
Zelenskyy afirmou nesta quarta-feira que outra troca pode ocorrer em breve. Se confirmada, poderá ser o único resultado concreto das negociações desta semana em Genebra.
Até o momento, as conversas entre Ucrânia e Rússia permanecem marcadas por divergências centrais sobre territórios, garantias de segurança e condições para um eventual acordo de paz, mantendo o conflito em um impasse diplomático que segue sem solução imediata.
