Debate em programa de televisão argentino analisa dados do USDA, reconhece que o Brasil superou os Estados Unidos na produção de carne bovina em 2025, destaca avanço da genética no rebanho brasileiro, diversificação das exportações e associa a virada histórica à crise do gado nos EUA, inflação da carne e pressões comerciais recentes
A confirmação de que o Brasil se tornou, em 2025, o maior produtor de carne bovina do mundo ganhou forte repercussão na Argentina e foi tema de debate em um programa de televisão do país. Durante a análise, comentaristas destacaram que a liderança brasileira, confirmada por dados oficiais internacionais, representa uma virada histórica no setor agropecuário global e altera o equilíbrio tradicional entre os grandes produtores de carne.
No programa exibido pela Canal 26, os apresentadores afirmaram que não há dúvidas sobre a dimensão alcançada pelo Brasil na produção agropecuária e, em especial, na carne bovina.
A atração ressaltou que o país já era o maior exportador mundial e agora passa a ocupar também a primeira posição em volume total produzido, superando os Estados Unidos após décadas de liderança norte-americana.
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A discussão teve como base os números divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, que apontam produção brasileira de 12,35 milhões de toneladas de carne bovina em 2025, contra 11,81 milhões de toneladas dos EUA, considerando o peso do animal abatido. Para os comentaristas argentinos, o dado confirma uma tendência que vinha se desenhando nos últimos anos e que agora se consolida de forma inequívoca.
Surpresa histórica e mudança de patamar
Durante o programa, os analistas lembraram que, por pelo menos oito anos consecutivos, os Estados Unidos mantiveram produção acima de 12 milhões de toneladas anuais, ocupando com folga o topo do ranking mundial. A queda americana em 2025, ainda que considerada leve em termos absolutos, foi suficiente para permitir que o Brasil assumisse a liderança.
Os apresentadores destacaram que, até poucos anos atrás, a diferença entre os dois países era significativa. Em 2023, por exemplo, os EUA produziam entre 2,3 milhões e 2,5 milhões de toneladas a mais que o Brasil, uma vantagem próxima de 20%. A reversão desse quadro em tão pouco tempo foi classificada no programa como “incrível” e indicativa de transformações profundas no setor.
Segundo a análise exibida, a mudança ocorreu mais pela queda da produção americana do que por um crescimento explosivo brasileiro em um único ano. Ainda assim, os comentaristas ressaltaram que o Brasil vem ampliando sua produção de forma consistente, em ritmo acelerado, enquanto os EUA enfrentam dificuldades estruturais.
Qualidade da carne brasileira em debate
Um dos pontos centrais do debate no Canal 26 foi a evolução da qualidade da carne bovina produzida no Brasil. Os comentaristas afirmaram que, historicamente, a carne brasileira era vista como inferior à argentina em termos de padrão e maciez, em razão das raças predominantes e dos sistemas produtivos.
Segundo o programa, esse cenário mudou de forma significativa nos últimos anos. A incorporação de genética oriunda da Argentina e do Paraguai, países reconhecidos pela qualidade de seus rebanhos, teria contribuído para elevar o padrão da carne brasileira. Os analistas afirmaram que essa “penetração genética” melhorou substancialmente o rodeio do Brasil, aproximando a qualidade do produto daquilo que tradicionalmente se associa à carne argentina.
Durante a conversa, foram citadas raças de origem europeia amplamente utilizadas na região, como Angus, Hereford, Shorthorn e Brangus. Os comentaristas lembraram que praticamente todas as principais raças bovinas têm origem europeia e que o Brasil soube combinar essa genética com escala produtiva e acesso a mercados.
Para os debatedores, o resultado é um produto que hoje pode ser comparado, em qualidade, ao da Argentina, algo que, segundo eles, “há anos não acontecia”. Essa evolução foi apontada como um fator-chave para a expansão das exportações brasileiras e para a consolidação do país como líder global.
Exportações, escala e estratégia de país
Outro aspecto enfatizado no programa argentino foi a capacidade do Brasil de ganhar mercados internacionais. Os comentaristas destacaram que o país não apenas produz grandes volumes, mas também soube estruturar uma estratégia de exportação eficiente, com crescimento contínuo das vendas externas.
Segundo a análise, esse desempenho é resultado de uma combinação de políticas públicas, organização do setor privado e visão estratégica de longo prazo. O fortalecimento das exportações teria garantido aos produtores uma base sólida de rentabilidade, permitindo reinvestimentos constantes em genética, manejo e tecnologia.
Os apresentadores afirmaram que esse “círculo virtuoso” diferencia o Brasil de outros grandes produtores e explica por que o país conseguiu avançar mesmo em um cenário global marcado por volatilidade e tensões comerciais.
Queda dos EUA e impacto político
No contraponto, o programa detalhou os problemas enfrentados pelos Estados Unidos. A queda da produção americana foi atribuída a um “problema enorme”, caracterizado pela redução histórica do rebanho, provocada por anos de seca, aumento dos custos de alimentação e restrições sanitárias.
Os comentaristas relacionaram esse cenário à alta dos preços da carne no mercado interno dos EUA, o que gerou reclamações de consumidores e pressão política sobre o governo.
Nesse contexto, o presidente Donald Trump teria passado a olhar com mais atenção para as importações de carne bovina, inclusive as provenientes do Brasil e da Argentina.
Durante o programa, foi mencionado que Trump chegou a pressionar produtores americanos a reduzirem preços, ao mesmo tempo em que sinalizou abertura maior às importações. Para os analistas argentinos, essa postura evidencia como a queda da produção interna nos EUA teve efeitos diretos sobre a política comercial do país.
Tarifaço e reposicionamento do Brasil
A atração também comentou o impacto das tarifas impostas pelos EUA sobre a carne bovina importada. O Brasil, maior fornecedor externo do produto para a indústria americana, chegou a enfrentar sobretaxas elevadas, o que provocou uma redução temporária das vendas após um forte crescimento inicial.
Mesmo assim, segundo os comentaristas, o Brasil conseguiu contornar as dificuldades ao diversificar destinos e ampliar sua presença em outros mercados. Esse movimento foi visto como prova de maturidade do setor exportador brasileiro e de sua capacidade de adaptação a cenários adversos.
2026: equilíbrio no topo
Ao final do debate, o Canal 26 destacou as projeções do USDA para 2026, que indicam um cenário de quase empate entre Brasil e Estados Unidos. De acordo com o departamento, o Brasil deverá produzir 11,7 milhões de toneladas, enquanto os EUA alcançariam 11,71 milhões de toneladas no próximo ano.
Para os comentaristas, isso sugere que o crescimento brasileiro pode desacelerar levemente, enquanto os EUA tentariam se recuperar, caso consigam recompor parte do rebanho. Ainda assim, o fato de o Brasil ter alcançado e mantido o topo, mesmo que temporariamente, foi tratado como um marco histórico.
Olhar argentino sobre o novo líder
A repercussão no programa argentino deixou claro que a ascensão do Brasil é observada com atenção na região. Ao reconhecer a evolução da qualidade da carne brasileira e a força de sua produção, os comentaristas também ressaltaram a importância da genética e da tradição pecuária compartilhada entre os países do Cone Sul.
Para o Canal 26, o novo ranking global não representa apenas uma disputa de números, mas um reposicionamento do Brasil como potência agropecuária completa, capaz de combinar volume, qualidade e estratégia comercial. A análise concluiu que, independentemente do que ocorrer em 2026, a liderança brasileira em 2025 já entrou para a história da produção mundial de carne bovina.

Com produção tão elevada, daria para diminuir o preço da carne, aqui no Brasil?