Pagamento equivocado em moeda estrangeira transforma visita turística em impasse administrativo e expõe entraves para reembolso a estrangeiros sem cadastro no Brasil, após transferência mil vezes superior ao valor do ingresso em um dos pontos mais visitados do Rio Grande do Norte.
Uma turista paraguaia de 60 anos pagou por engano cerca de R$ 30 mil ao comprar entradas que somavam R$ 30 para visitar o Cajueiro de Pirangi, em Parnamirim, na Grande Natal.
O caso ocorreu em 31 de janeiro de 2026 e segue sem solução definitiva porque a devolução do valor depende de um caminho administrativo que permita o reembolso a uma estrangeira sem CPF e sem conta bancária no Brasil.
Erro no PIX e valor mil vezes maior que ingresso
A visitante fez a transferência por PIX no valor de 40.500.000 guaranis paraguaios, quantia equivalente a aproximadamente R$ 30 mil na conversão informada pelas reportagens que divulgaram o episódio.
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O pagamento ficou, portanto, cerca de mil vezes acima do valor devido pelas entradas, que naquele momento totalizavam R$ 30.
O erro foi percebido ainda no processo de cobrança, tanto pela própria turista quanto pela equipe responsável pela administração do ponto turístico.

Impasse para devolução sem CPF e conta no Brasil
O Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte, o Idema, confirmou que a restituição não pôde ser feita de forma imediata.
Segundo o órgão, a dificuldade surgiu porque a visitante não possui os cadastros normalmente exigidos para operações desse tipo no país, como CPF e conta em instituição bancária brasileira, o que travou a devolução automática do valor excedente.
Com esse obstáculo, o Estado abriu um processo administrativo para buscar uma solução juridicamente segura que permita a restituição integral.
A medida passou a ser tratada como alternativa necessária para viabilizar o reembolso dentro das regras aplicáveis à administração pública, já que a operação envolve dinheiro recebido por um equipamento administrado pelo poder público estadual.
Cajueiro de Pirangi é um dos principais pontos turísticos do RN
O episódio chamou atenção porque ocorreu em um dos cartões-postais mais conhecidos do Rio Grande do Norte.
O Cajueiro de Pirangi é administrado pelo Idema e aparece em materiais oficiais do governo estadual como o Maior Cajueiro do Mundo, título pelo qual se tornou conhecido nacionalmente e que ajuda a manter o fluxo constante de turistas brasileiros e estrangeiros ao longo do ano.
Em registros mais recentes do próprio governo potiguar, a árvore ocupa cerca de 9 mil metros quadrados e tem perímetro estimado em aproximadamente 500 metros.
O espaço fica em Pirangi do Norte, no município de Parnamirim, e concentra visitação voltada tanto ao turismo de lazer quanto ao interesse ambiental, já que a estrutura do cajueiro e seu crescimento horizontal transformaram o local em referência histórica do estado.
Ingressos acessíveis contrastam com pagamento indevido
O valor cobrado hoje pela visitação pública segue abaixo do montante pago por engano pela turista em proporção extrema.
Na bilheteria oficial do monumento e em comunicados recentes do governo estadual, a entrada inteira aparece por R$ 10, enquanto a meia-entrada custa R$ 5, preços compatíveis com o total de R$ 30 informado no caso, o que indica a compra de múltiplos ingressos em uma única operação.
Caso expõe desafio em pagamentos internacionais via PIX
Ainda que a diferença entre o valor correto e o valor transferido seja evidente, a devolução de recursos recebidos pela administração pública nem sempre ocorre de modo simples quando há pendências cadastrais, especialmente em situações que envolvem estrangeiros.
Foi esse ponto que levou o governo a formalizar o procedimento interno, numa tentativa de encontrar base legal e operacional para concluir o ressarcimento sem descumprir as exigências administrativas.
O caso ganhou repercussão justamente por reunir dois elementos incomuns em uma mesma ocorrência: um erro de conversão ou digitação em moeda estrangeira dentro de um sistema de pagamento instantâneo brasileiro e, ao mesmo tempo, a dificuldade posterior para devolver o dinheiro a quem não tem vínculo bancário local.
Embora o problema tenha sido identificado de imediato, a solução esbarrou em regras que vão além da simples constatação do equívoco.
Governo busca solução para devolver valor integral
No caso da visitante paraguaia, o Idema informou que as providências vêm sendo adotadas desde que o pagamento indevido foi detectado.
Até a divulgação pública do episódio, o órgão ainda buscava a forma legalmente viável para concluir a devolução integral. Não houve indicação, nas fontes consultadas, de que o reembolso já tivesse sido finalizado.
Enquanto isso, o Cajueiro de Pirangi continua como um dos principais atrativos turísticos do litoral potiguar, com visitação regular e cobrança de ingresso em valores populares.
A árvore segue descrita pelo governo estadual como patrimônio natural de destaque, reconhecida pelo tamanho incomum e pelo peso simbólico que mantém no turismo do Rio Grande do Norte.
