Com 16,18 km de extensão e 11,21 km escavados sob o leito marinho, o túnel de Jintang conecta Ningbo a Zhoushan na China com trens a 250 km/h — duas tuneladoras de 14,5 metros avançam em direções opostas a 78 metros de profundidade e devem se encontrar até o final de 2026
Duas máquinas gigantes de 14,5 metros de diâmetro avançam em direções opostas debaixo do oceano. Quando se encontrarem, a China terá o maior túnel submarino ferroviário de alta velocidade do mundo. O túnel de Jintang tem 16,18 km de extensão total, dos quais 11,21 km passam sob o leito marinho, a até 78 metros abaixo do nível do mar.
A obra faz parte da ferrovia Ningbo-Zhoushan, na província de Zhejiang, leste da China. O objetivo é reduzir a viagem entre as duas cidades de aproximadamente 1 hora e meia para cerca de 30 minutos, com trens circulando a 250 km/h em dupla via submersa.
Segundo a Exame, a previsão é que a perfuração total seja concluída até o final de 2026. A operação comercial da ferrovia está prevista para 2028.
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Os números do túnel de Jintang
O túnel de Jintang começa no distrito de Beilun, em Ningbo, e termina na cidade de Jintang, em Zhoushan. A estrutura é dimensionada como corredor binário, permitindo tráfego simultâneo em ambas as direções.
- Extensão total: 16,18 km
- Trecho submarino: 11,21 km sob o leito do mar
- Diâmetro interno: 14,5 metros
- Profundidade máxima: ~78 metros abaixo do nível do mar
- Velocidade projetada: 250 km/h
- Vias: dupla (tráfego em ambas as direções)
- Ferrovia total: Ningbo-Zhoushan, 76,4 km
- Conclusão da perfuração: final de 2026
- Operação comercial: 2028

Duas tuneladoras avançam para se encontrar debaixo do mar
As tuneladoras “Dinghai” e “Yongzhou” operam simultaneamente nos lados de Zhoushan e Ningbo, avançando uma em direção à outra. O encontro das duas máquinas debaixo do oceano marcará o momento mais emblemático da obra.
Em junho de 2025, a escavação pelo lado de Zhoushan superou 3.135 metros, inaugurando oficialmente a fase de travessia marítima. Até março de 2026, a tuneladora Yongzhou havia avançado 3.182 metros a partir de Ningbo, enquanto a Dinghai atingiu 5.850 metros.
O avanço combinado das duas máquinas já ultrapassa 9 km. A cada dia, centenas de metros de rocha são transformados em túnel habitável para trens de alta velocidade.
Outros megaprojetos chineses, como a construção de túneis recordes que atravessam montanhas, usam tecnologia similar mas enfrentam desafios diferentes — aqui, a pressão da água e a salinidade do oceano multiplicam a complexidade.

Escavar granito a 78 metros debaixo do mar
O desafio técnico do túnel de Jintang está no subsolo. Cerca de 70% do trajeto atravessa formações rochosas duras ou mistas, com resistência de até 200 megapascals — equivalente à dureza do granito.
Isso significa que as lâminas de corte das tuneladoras se desgastam em velocidade acelerada. Até o momento, a equipe já realizou 23 aberturas de câmara para manutenção e substituiu 326 lâminas, mantendo o avanço contínuo sob pressão intensa de água.
A escavação exige precisão milimétrica. A dezenas de metros sob o oceano, qualquer desvio de rota pode comprometer a integridade da estrutura. Correções de rumo acontecem em tempo real, com sensores monitorando pressão, umidade e estabilidade geológica continuamente.

O que muda quando Zhoushan se conectar ao continente por trilhos
Zhoushan é um arquipélago com mais de mil ilhas que historicamente depende de balsas e estradas marítimas para se conectar ao continente. Ventos fortes, marés e tráfego marítimo tornam a travessia imprevisível.
Com o túnel de Jintang, a conexão passa a ser estável, rápida e previsível. A viagem cai de 1h30 para 30 minutos. Isso reconfigura mercados de trabalho, turismo e logística portuária na região.
A ferrovia Ningbo-Zhoushan faz parte do Plano de Médio e Longo Prazo da Rede Ferroviária Nacional da China (2016–2030). A linha completa terá 76,4 km e atenderá passageiros de média e longa distância, além de reforçar cadeias industriais portuárias.
Outros projetos ferroviários chineses, como a expansão de linhas de alta velocidade pelo país, seguem lógica semelhante de conectar regiões isoladas ao sistema nacional. Para mais detalhes técnicos, vale consultar a reportagem da FENATI e a cobertura do People’s Daily.

Ressalvas e riscos da obra
A conclusão da perfuração prevista para o final de 2026 ainda depende das condições geológicas nos trechos restantes. Formações rochosas imprevistas podem atrasar o cronograma, como já aconteceu em projetos similares ao redor do mundo.
A operação comercial em 2028 pressupõe que a instalação de trilhos, sistemas elétricos e de ventilação ocorra sem contratempos após a perfuração. Além disso, não há dados públicos sobre o custo total da obra em yuans ou dólares, limitando a avaliação do retorno financeiro do investimento.
