1. Início
  2. Construção
  3. Duas máquinas gigantes de 14 metros avançam em direções opostas debaixo do mar — quando se encontrarem, a China terá o maior túnel submarino ferroviário do mundo…
Faça um comentário 5 min de leitura

Duas máquinas gigantes de 14 metros avançam em direções opostas debaixo do mar — quando se encontrarem, a China terá o maior túnel submarino ferroviário do mundo…

Foto de perfil do autor Douglas Avila
Escrito por Douglas Avila Publicado em 17/04/2026 às 18:00 Atualizado em 17/04/2026 às 18:04
Tuneladora gigante de 14,5 metros escavando o túnel submarino de Jintang debaixo do oceano.
Duas tuneladoras de 14,5 metros de diâmetro avançam simultaneamente sob o mar entre Ningbo e Zhoushan — quando se encontrarem, a China terá o maior túnel submarino ferroviário do mundo.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
192 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Com 16,18 km de extensão e 11,21 km escavados sob o leito marinho, o túnel de Jintang conecta Ningbo a Zhoushan na China com trens a 250 km/h — duas tuneladoras de 14,5 metros avançam em direções opostas a 78 metros de profundidade e devem se encontrar até o final de 2026

Duas máquinas gigantes de 14,5 metros de diâmetro avançam em direções opostas debaixo do oceano. Quando se encontrarem, a China terá o maior túnel submarino ferroviário de alta velocidade do mundo. O túnel de Jintang tem 16,18 km de extensão total, dos quais 11,21 km passam sob o leito marinho, a até 78 metros abaixo do nível do mar.

A obra faz parte da ferrovia Ningbo-Zhoushan, na província de Zhejiang, leste da China. O objetivo é reduzir a viagem entre as duas cidades de aproximadamente 1 hora e meia para cerca de 30 minutos, com trens circulando a 250 km/h em dupla via submersa.

Segundo a Exame, a previsão é que a perfuração total seja concluída até o final de 2026. A operação comercial da ferrovia está prevista para 2028.

Os números do túnel de Jintang

O túnel de Jintang começa no distrito de Beilun, em Ningbo, e termina na cidade de Jintang, em Zhoushan. A estrutura é dimensionada como corredor binário, permitindo tráfego simultâneo em ambas as direções.

  • Extensão total: 16,18 km
  • Trecho submarino: 11,21 km sob o leito do mar
  • Diâmetro interno: 14,5 metros
  • Profundidade máxima: ~78 metros abaixo do nível do mar
  • Velocidade projetada: 250 km/h
  • Vias: dupla (tráfego em ambas as direções)
  • Ferrovia total: Ningbo-Zhoushan, 76,4 km
  • Conclusão da perfuração: final de 2026
  • Operação comercial: 2028
Interior do túnel submarino Jintang com duas vias férreas de alta velocidade.
O túnel terá duas vias férreas para tráfego simultâneo de trens a 250 km/h, reduzindo a viagem entre Ningbo e Zhoushan de 1h30 para 30 minutos.

Duas tuneladoras avançam para se encontrar debaixo do mar

As tuneladoras “Dinghai” e “Yongzhou” operam simultaneamente nos lados de Zhoushan e Ningbo, avançando uma em direção à outra. O encontro das duas máquinas debaixo do oceano marcará o momento mais emblemático da obra.

Em junho de 2025, a escavação pelo lado de Zhoushan superou 3.135 metros, inaugurando oficialmente a fase de travessia marítima. Até março de 2026, a tuneladora Yongzhou havia avançado 3.182 metros a partir de Ningbo, enquanto a Dinghai atingiu 5.850 metros.

O avanço combinado das duas máquinas já ultrapassa 9 km. A cada dia, centenas de metros de rocha são transformados em túnel habitável para trens de alta velocidade.

Outros megaprojetos chineses, como a construção de túneis recordes que atravessam montanhas, usam tecnologia similar mas enfrentam desafios diferentes — aqui, a pressão da água e a salinidade do oceano multiplicam a complexidade.

Vista aérea de Zhoushan na China com porto e ilhas no horizonte.
Zhoushan é um arquipélago com mais de mil ilhas que depende de balsas e estradas para se conectar ao continente — o túnel muda isso definitivamente.

Escavar granito a 78 metros debaixo do mar

O desafio técnico do túnel de Jintang está no subsolo. Cerca de 70% do trajeto atravessa formações rochosas duras ou mistas, com resistência de até 200 megapascals — equivalente à dureza do granito.

Isso significa que as lâminas de corte das tuneladoras se desgastam em velocidade acelerada. Até o momento, a equipe já realizou 23 aberturas de câmara para manutenção e substituiu 326 lâminas, mantendo o avanço contínuo sob pressão intensa de água.

A escavação exige precisão milimétrica. A dezenas de metros sob o oceano, qualquer desvio de rota pode comprometer a integridade da estrutura. Correções de rumo acontecem em tempo real, com sensores monitorando pressão, umidade e estabilidade geológica continuamente.

Disco de corte de tuneladora com lâminas desgastadas sendo inspecionado por engenheiros.
Cerca de 70% do trajeto atravessa rocha com resistência de até 200 megapascals, similar ao granito. A equipe já substituiu 326 lâminas de corte.

O que muda quando Zhoushan se conectar ao continente por trilhos

Zhoushan é um arquipélago com mais de mil ilhas que historicamente depende de balsas e estradas marítimas para se conectar ao continente. Ventos fortes, marés e tráfego marítimo tornam a travessia imprevisível.

Com o túnel de Jintang, a conexão passa a ser estável, rápida e previsível. A viagem cai de 1h30 para 30 minutos. Isso reconfigura mercados de trabalho, turismo e logística portuária na região.

A ferrovia Ningbo-Zhoushan faz parte do Plano de Médio e Longo Prazo da Rede Ferroviária Nacional da China (2016–2030). A linha completa terá 76,4 km e atenderá passageiros de média e longa distância, além de reforçar cadeias industriais portuárias.

Outros projetos ferroviários chineses, como a expansão de linhas de alta velocidade pelo país, seguem lógica semelhante de conectar regiões isoladas ao sistema nacional. Para mais detalhes técnicos, vale consultar a reportagem da FENATI e a cobertura do People’s Daily.

Trem-bala chinês emergindo de portal de túnel perto do litoral ao pôr do sol.
A ferrovia Ningbo-Zhoushan terá 76,4 km de extensão total com velocidade de 250 km/h e previsão de operação para 2028.

Ressalvas e riscos da obra

A conclusão da perfuração prevista para o final de 2026 ainda depende das condições geológicas nos trechos restantes. Formações rochosas imprevistas podem atrasar o cronograma, como já aconteceu em projetos similares ao redor do mundo.

A operação comercial em 2028 pressupõe que a instalação de trilhos, sistemas elétricos e de ventilação ocorra sem contratempos após a perfuração. Além disso, não há dados públicos sobre o custo total da obra em yuans ou dólares, limitando a avaliação do retorno financeiro do investimento.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x