Agricultores que produzem soja e grãos em Roraima estão cruzando a fronteira com a Guiana e encontrando do outro lado o que não conseguem no Brasil: terra cedida pelo governo, isenção fiscal, terminal fluvial dentro da fazenda e uma rodovia de US$ 1 bilhão sendo asfaltada com dinheiro do petróleo pra ligar a lavoura direto ao porto de Georgetown.
A Guiana, ex-colônia britânica com 800 mil habitantes que faz fronteira com Roraima, se transformou num dos países que mais crescem no mundo depois de descobrir reservas gigantes de petróleo a partir de 2015. Com os petrodólares, o governo guianense está investindo cerca de R$ 5 bilhões na pavimentação de 500 km de rodovia entre Georgetown e Lethem, na fronteira com o Brasil, incluindo cerca de 50 pontes. Um terço já está asfaltado. A obra promete reduzir o transporte de mercadorias de até 21 dias para 48 horas.
Para os produtores brasileiros que cruzaram a fronteira, a diferença é brutal. Na reportagem especial da Band, o agricultor Emílio resume: “Aqui é ser respeitado. O governo vê na gente um parceiro, não põe dificuldade nenhuma.” O governo guianense faz concessão de terras para cultivo, não cobra impostos sobre a produção agrícola e mantém mais de 80% do território preservado.
O que a Guiana oferece que o Brasil não consegue entregar

A lista começa pela terra e pelo imposto, mas não para aí. Uma das fazendas mostradas na reportagem tem terminal de embarque fluvial dentro da propriedade.
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A safra de grãos sai direto da lavoura pro rio e de lá pro porto, sem precisar de caminhão cruzando centenas de quilômetros de estrada precária.
O presidente da Aprosoja de Roraima, Murilo Ferrari, compara: de Boa Vista até Georgetown são 680 km, e de Georgetown até o Canal do Panamá são apenas 4,5 dias de navio, contra 8,5 dias saindo de Manaus e 15 dias saindo de Santos.
Enquanto a Guiana já usa hidrovias pra escoar produção, o Brasil acabou de publicar decreto pra estudar o uso de rios como Tapajós e Araguaia.
A diferença de velocidade entre os dois países é o que está empurrando produtores pra fora.
Em fevereiro de 2026, Roraima assinou um Memorando de Entendimentos com o governo guianense e a empresa TriStar, que administra o novo Porto de Georgetown, inaugurado com capacidade pra navios Panamax e calado de 9 metros.
Quanto cresceu o comércio entre Roraima e a Guiana nos últimos anos

Os números mostram uma explosão. As exportações de Roraima para a Guiana saltaram de US$ 1,6 milhão em 2018 para US$ 36,4 milhões em 2024, um crescimento de mais de 22 vezes em seis anos.
Só no primeiro semestre de 2025, o volume já alcançou US$ 21,7 milhões, quase 60% de todo o ano anterior.
Soja, milho, carnes e máquinas são os principais produtos exportados. Fertilizantes lideram as importações.
Roraima produz cerca de 430 mil toneladas de soja por safra em 130 mil hectares, e a tendência é de crescimento.
Mas a logística dentro do Brasil continua sendo o gargalo. Hoje, a maior parte da carga desce de balsa pelo rio Branco até Manaus e de lá segue pelo Amazonas.
É caro, lento e vulnerável a secas. A rota pela Guiana encurta o caminho e elimina a dependência dos rios amazônicos.
Por que a Guiana consegue fazer o que o Brasil não faz
Petróleo. A Guiana produz 900 mil barris por dia com apenas 800 mil habitantes, a maior produção per capita do mundo, acima de Kuwait, Catar e Emirados Árabes.
Os royalties alimentam um fundo soberano que financia estradas, pontes e portos sem precisar de imposto sobre o agro.
O modelo atrai produtores brasileiros que estão cansados de juros altos, insegurança jurídica sobre demarcação de terras e uma burocracia que na fronteira pode travar uma carga de fertilizantes por 15 dias.
Ainda falta uma ponte sobre o rio Tacutu pra completar a integração rodoviária e um tratado que permita caminhões brasileiros rodarem em solo guianense sem transbordo.
Mas o ritmo das obras sugere que a Guiana vai resolver a infraestrutura antes do Brasil resolver a burocracia.
E você, acha que o Brasil está perdendo produtores rurais pra Guiana por falta de incentivo ou por excesso de burocracia? Comenta aí.


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