A expansão do oleoduto Bridger recebeu aval de Trump para transportar até 550 mil barris de petróleo por dia do Canadá aos EUA, mas o projeto de 650 milhas ainda depende de licenças ambientais e enfrenta oposição por riscos de vazamentos.
Trump concedeu na quinta-feira uma aprovação crucial para a expansão do oleoduto Bridger, projeto que levaria petróleo do Canadá aos Estados Unidos para exportação e refino. A estrutura de 650 milhas teria capacidade para transportar até 550 mil barris por dia, mas ainda depende de novas autorizações ambientais antes da construção.
Oleoduto Bridger recebe aval para expansão
A expansão prevê uma tubulação de 91 centímetros de largura, saindo da fronteira canadense com Montana e seguindo pelo leste de Montana e por Wyoming. O traçado se conectaria a outro oleoduto, ampliando a rede usada para movimentar petróleo entre as duas regiões.
Mesmo com a aprovação presidencial, a obra ainda precisa passar por etapas ambientais nos níveis estadual e federal. Representantes da empresa esperam iniciar os trabalhos no próximo ano, enquanto grupos ambientalistas tentam barrar o projeto por causa do risco de rompimentos e vazamentos.
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Em seu volume máximo, o oleoduto transportaria dois terços da quantidade de petróleo prevista para o Keystone XL. Esse projeto ficou mais conhecido, teve parte da construção concluída e acabou com a licença cancelada por Joe Biden em 2021, no dia em que assumiu a Presidência.
Trump comparou a decisão com a postura da gestão anterior e afirmou que sua administração tem gasodutos sendo construídos. Em seu primeiro mandato, ele já havia aprovado o Keystone XL em 2020, apesar de preocupações de tribos indígenas americanas e de grupos ambientais.

Comparação com o Keystone XL
O Keystone XL foi alvo de críticas ligadas ao risco de vazamentos e ao papel dos combustíveis fósseis nas mudanças climáticas. O cancelamento da licença por Biden frustrou autoridades canadenses, incluindo o primeiro-ministro Justin Trudeau, depois que Alberta investiu mais de US$ 1 bilhão no projeto.
A expansão do Bridger, às vezes chamada de “Keystone Light”, tem diferenças em relação ao projeto cancelado. A Bridger Pipeline LLC informou que o traçado não atravessaria reservas indígenas, que mais de 70% da obra ficaria dentro de corredores de gasodutos já existentes e que 80% passaria por terras privadas.
A empresa responsável, sediada em Casper, no Wyoming, opera mais de 5.950 quilômetros de oleodutos de coleta e transmissão de petróleo. A atuação ocorre na Bacia de Williston, em Dakota do Norte e Montana, e na Bacia do Rio Powder, em Wyoming.
A Bridger Pipeline é subsidiária da True Companies e pode evitar uma reversão futura se concluir a expansão antes do fim do mandato de Trump. A construção deve começar no outono de 2027, com conclusão prevista para o fim de 2028 ou o início de 2029.
Histórico de vazamentos preocupa ambientalistas
O mandato de Trump termina em 20 de janeiro de 2029, data que torna o cronograma relevante para o avanço do oleoduto. O porta-voz Bill Salvin afirmou que a empresa pretende finalizar o projeto dentro desse período, caso as aprovações necessárias sejam obtidas.
Subsidiárias da True Company estiveram envolvidas em acidentes graves em oleodutos. Em 2015, mais de 240 mil litros de petróleo bruto vazaram no rio Yellowstone, contaminando o abastecimento de água potável de uma cidade em Montana.
Em 2022, houve vazamento de 45 mil galões de diesel no Wyoming. Em 2016, outro acidente liberou mais de 2,7 milhões de litros de petróleo bruto em Dakota do Norte, atingindo o rio Little Missouri e um afluente.
Subsidiárias da True aceitaram pagar multa civil de US$ 12,5 milhões para encerrar um processo movido pelo governo sobre vazamentos em Dakota do Norte e Montana. Esses antecedentes reforçam a oposição de organizações como Montana Environmental Information Center e WildEarth Guardians.
Empresa promete detecção com inteligência artificial
Salvin afirmou que a companhia desenvolveu um sistema de detecção de vazamentos com inteligência artificial para ser avisada mais rapidamente quando houver problemas. A empresa também planeja perfurar entre 9 e 12 metros abaixo de grandes rios, incluindo Yellowstone e Missouri, para reduzir riscos.
O acidente de 2015 ocorreu em uma tubulação instalada em vala rasa no fundo do rio. Salvin afirmou que o novo oleoduto foi projetado com foco em integridade e segurança, além de prever planos de resposta a emergências em caso de vazamento.
A advogada Jenny Harbine, da Earthjustice, declarou que a principal preocupação está no risco inerente aos projetos de gasodutos. Para os grupos contrários, a possibilidade de rompimentos e vazamentos permanece como ponto central da disputa em torno do oleoduto.

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