O petróleo da Venezuela entra no jogo geopolítico dos EUA após Trump anunciar envio de milhões de barris e controle dos recursos.
O governo dos Estados Unidos decidiu avançar em uma nova frente diplomática e energética ao confirmar, nesta terça-feira (06/01/2026), que a Venezuela entregará entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo ao país. O anúncio foi feito por Donald Trump, que declarou que o acordo foi firmado após discussões diretas com o governo interino venezuelano.
A exportação ocorrerá imediatamente, por meio de navios-tanque destinados a refinarias americanas, em um movimento que o ex-presidente descreveu como essencial para beneficiar tanto os EUA quanto o povo venezuelano.
A negociação foi revelada poucos dias depois da operação militar americana que resultou no sequestro de Nicolás Maduro, episódio que alterou drasticamente a correlação de forças internas.
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Segundo Trump, o petróleo será comercializado a preço de mercado e os recursos provenientes da venda serão administrados diretamente por ele para assegurar a “boa aplicação dos valores”.
Venezuela envia petróleo aos EUA após intervenção e acordo político
Trump afirmou que o carregamento de petróleo da Venezuela será transportado em navios de armazenamento e descarregado diretamente em terminais localizados no território dos EUA.
O volume acordado corresponde a quase dois meses da atual produção venezuelana, hoje limitada a cerca de 1 milhão de barris por dia.
O anúncio ocorre em meio a negociações sigilosas entre autoridades americanas e venezuelanas.
Conforme fontes consultadas pela agência Reuters, ambos os países discutem há semanas a liberação de petróleo venezuelano para refinarias dos Estados Unidos, o que redirecionaria embarques antes destinados à China.
Por que os barris de petróleo da Venezuela estavam parados
Desde dezembro, milhões de barris de petróleo da Venezuela ficaram estocados em navios e tanques, sem destino definido.
O motivo foi o bloqueio imposto pelos EUA durante o governo Trump, medida que integrou a pressão diplomática que culminou na captura de Maduro.
Assim, o petróleo extrapesado venezuelano permaneceu represado, dificultando a entrada de receitas e ampliando a crise econômica no país.
Com a queda do líder chavista, Trump declarou que pretende abrir o setor petrolífero venezuelano às grandes companhias americanas.
“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro para o país”, afirmou.
EUA buscam recuperar acesso ao petróleo pesado venezuelano
As refinarias instaladas na Costa do Golfo são especializadas no processamento do petróleo pesado da Venezuela, o que explica o interesse americano em normalizar os fluxos comerciais. Antes das sanções, os EUA importavam cerca de 500 mil barris por dia.
A retomada desses embarques, portanto, marca um reposicionamento estratégico no mercado internacional de energia.
Apesar de possuir as maiores reservas de petróleo do mundo, estimadas em cerca de 303 bilhões de barris segundo a Energy Information Administration (EIA), a Venezuela opera muito abaixo de seu potencial.
A deterioração da infraestrutura, somada às restrições de financiamento e às sanções internacionais, resultou em décadas de declínio produtivo.
Produção venezuelana encolheu e ainda depende de investimentos altos
A Statistical Review of World Energy mostra que a produção venezuelana caiu de 3,7 milhões de barris por dia em 1970 para apenas 665 mil barris em 2021.
No ano passado, houve leve recuperação, para cerca de 1 milhão de barris diários, ainda menos de 1% da produção global.
Analistas alertam que, mesmo com apoio dos EUA, elevar a produção exigirá tempo e capital intensivo. Arne Lohmann Rasmussen, da Global Risk Management, reforça que recuperar a capacidade produtiva “não será um processo rápido” e pode levar anos até que resultados consistentes apareçam.
Venezuela entre potencial gigantesco e realidade limitada
Embora detenha reservas superiores às da Arábia Saudita e do Irã, boa parte do petróleo venezuelano é extrapesado e requer tecnologias avançadas para extração.
Na prática, a combinação entre infraestrutura precária, isolamento diplomático e instabilidade política impôs severas barreiras ao aproveitamento desse potencial.
Agora, com a perspectiva de envio de barris de petróleo aos EUA e maior abertura ao mercado internacional, a Venezuela inicia um novo capítulo em sua relação com Washington.
Entretanto, o impacto real dessa aproximação dependerá da capacidade de o país reconstruir seu setor petrolífero e transformar suas vastas reservas em fonte sustentável de recuperação econômica.
