Uso de óleo mais viscoso em motores com alta quilometragem não tem recomendação técnica, segundo especialista.
A substituição do óleo recomendado pela fabricante por versões mais viscosas continua sendo uma prática encontrada em algumas oficinas, principalmente em veículos com alta quilometragem. No entanto, especialistas afirmam que a mudança não resolve desgaste interno do motor e ainda pode trazer impactos negativos ao funcionamento do conjunto mecânico.
No quadro “o mecânico responde”, um especialista esclarece a dúvida de um proprietário de um Toyota Corolla que afirma ter sido orientado a trocar o óleo sintético 5W30 pelo 10W40 após o carro ultrapassar os 150 mil km. A justificativa costuma ser a tentativa de “compensar folgas” causadas pelo desgaste natural do motor ao longo do tempo.

Segundo Cleyton André, consultor técnico da Revista O Mecânico, a alteração não possui fundamento técnico quando não existe previsão da própria fabricante do veículo.
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Óleo recomendado pelo fabricante deve ser mantido
De acordo com o especialista, a escolha do lubrificante faz parte do desenvolvimento original do motor. Isso significa que a viscosidade indicada não é definida de forma aleatória.
Cada projeto considera fatores específicos, incluindo:
- Temperatura de funcionamento
- Materiais internos do motor
- Tolerâncias das peças
- Circulação do lubrificante
- Pacote de aditivos
Durante participação no quadro Mecânico Responde, no YouTube, Cleyton André criticou a prática de engrossar o óleo em motores mais rodados.
Segundo ele: “Jamais fez sentido e não será hoje que fará sentido.”
O consultor também classificou a recomendação como incompatível com os princípios corretos de preservação mecânica.
Mudança no óleo pode afetar lubrificação
O especialista explica que modificar a viscosidade sem autorização prevista no manual pode interferir diretamente no funcionamento do motor.
Isso porque o óleo possui papel importante não apenas na lubrificação, mas também no controle térmico e na circulação interna do sistema.
Segundo Cleyton André: “Manter as especificações recomendadas pelo fabricante é extremamente importante.”
Ele ressalta que os engenheiros responsáveis pelo desenvolvimento do veículo definem previamente qual tipo de óleo deve ser utilizado em diferentes condições de operação.
Quando o fabricante permite mais de uma opção
Em alguns modelos, as montadoras disponibilizam mais de uma especificação de viscosidade. Nesses casos, a utilização alternativa está prevista oficialmente.

Fora dessa situação, porém, o especialista afirma que não existe justificativa técnica para trocar o lubrificante apenas por conta da quilometragem elevada.
A recomendação, segundo ele, deve seguir exclusivamente o que está descrito no manual do veículo.
Problemas mecânicos não são resolvidos com óleo mais espesso
A ideia de utilizar óleo mais grosso para esconder desgaste interno ainda é comum em parte do setor automotivo. Entretanto, o consultor afirma que essa prática não corrige folgas mecânicas.
De acordo com ele, quando há desgaste interno significativo, a solução correta envolve reparo mecânico.
Entre os procedimentos citados estão:
- Abertura do motor
- Substituição de peças desgastadas
- Correção de medidas internas
- Ajuste dimensional adequado
Ao comentar o tema, Cleyton André resumiu: “Óleo não corrige falhas.”
Uso correto do óleo ajuda na preservação do motor
A orientação apresentada pelo especialista reforça a importância de seguir as especificações técnicas determinadas pela fabricante do automóvel.
Além da viscosidade correta, o projeto do motor também considera características químicas e aditivos presentes no lubrificante.
Segundo o consultor, alterar essas definições sem respaldo técnico pode comprometer o desempenho e a durabilidade do conjunto mecânico ao longo do tempo.
Por isso, a recomendação é manter sempre o padrão indicado oficialmente para evitar riscos desnecessários ao funcionamento do motor.
Veja o vídeo completo
Com informações da Revista O Mecânico

