Transporte de cargas por navios pode quintuplicar no Brasil

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A cabotagem, segundo estudo feito pelo instituto Ilos, tem potencial para crescer cinco vezes se absorver o transporte de cargas feito por rodovias em todo o país

O Instituto Ilos, referência no Brasil em planejamento, estruturação e implementação de atividades relacionadas à logística e ao Supply Chain, divulgou um estudo que sinaliza que o mercado de cabotagem (navegação entre portos de um mesmo país) pode crescer multiplicar por cinco o volume de cargas transportadas se absorvesse os volumes transportados pelo modal rodoviário.

Segundo o estudo, cerca de 22 milhões de toneladas de cargas transportadas por estradas poderiam ser entregues por navios, fomentando um modal bem fora de moda por aqui, a cabotagem.
Se a cabotagem absorvesse as cargas que são transportadas através de rodovias, ela seria responsável por 44,2 milhões de toneladas ao ano.

O Instituto conclui o estudo afirmando que é necessário também uma agenda para que o setor cresça de forma estruturada. Atualmente nossa matriz modal de transporte é bastante desequilibrada, com mais da metade das cargas trocadas pelos estados sendo transportada pelas estradas, conforme abaixo:

  • 61% das cargas viajam através do modal rodoviário;
  • 22% das cargas fazem suas operações através das ferrovias;
  • 11% das cargas são entregues usando-se a cabotagem.

Como é nos países desenvolvidos

No Japão, por exemplo, a matriz de transporte de cargas é bem mais equilibrada, o modal rodoviário também responde por uma grande fatia, com 50%, mas a cabotagem tem um papel de destaque e chega bem perto, entregando 44% do volume aos destinatários.

A sócia-executiva do Instituto Ilos, Maria Fernanda Hijja, responsável pelo estudo, explicou como foi feito o estudo, “Para achar o potencial da cabotagem, a gente identificou qual era o volume de carga que estava nas rodovias, movimentadas acima de 1.500 quilômetros, que estivessem próximas da costa. Isso é o que tem potencial de ser retirado”.

A diretora explicou também que foi feita uma pesquisa de mercado com os representantes das empresas de carga. “Aí, vimos que 21% de grandes indústrias brasileiras, aquelas que movimentam maior volume de cargas, tem a intenção de trocar de modal, sair do rodoviário e optar pela cabotagem. A gente corroborou que tem carga e que as empresas querem trocar”.

Portos mais usados

O Porto de Santos é o mais utilizado para operações de cabotagem no País, representando um total de 21,6% das cargas. Em segundo lugar está o porto de Suape (PE) com 14,3% e em terceiro o porto de Manaus (AM)com 13,5% das mercadorias.
Além deles, o porto de Pecém (CE) concentra 11,6% das mercadorias e as rotas mais usadas envolvem o Porto de Santos e Manaus.

A diretora do instituto finalizou afirmando que a cabotagem só tem uma desvantagem em relação a outros modais, mas possui outras enormes vantagens.
“A cabotagem tem custo mais barato para uma série de rotas, emite menos gases poluentes e, para algumas empresas, isso é fator de decisão. Há menos risco de roubo de cargas, mas também tem a desvantagem de ser mais lenta do que o modal rodoviário”.

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Renato Oliveira

Sobre Renato Oliveira

Engenheiro de Produção com pós-graduação em Fabricação e montagem de tubulações com 30 anos de experiência em inspeção/fabricacão/montagem de tubulações/testes/Planejamento e PCP e comissionamento na construção naval/offshore (conversão de cascos FPSO's e módulos de topsides) nos maiores estaleiros nacionais e 2 anos em estaleiro japonês (Kawasaki)