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Pesquisador da USP cria tese para atrair fundos internacionais para o setor de energia elétrica do país

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 15/06/2026 às 20:49
Atualizado em 15/06/2026 às 20:59
Pesquisador da USP cria tese para atrair fundos internacionaispara os setor de energia elétrica do país
Foto: Rodrigo Brandão Fontoura | Acervo Pessoal
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O modelo une pensamento jurídico, gestão tecnológica e mitigação de riscos regulatórios. Em 2025, os fundos de preocupação ambiental movimentaram mais de R$60 bi no Brasil.

Segundo a Climate Bonds Initiative, o mercado acumulado de dívida sustentável no Brasil alcançou US$ 49,3 bilhões até o primeiro semestre de 2025, consolidando o país como o principal mercado da América Latina nesse segmento, consolidando-se como o principal protagonista da demanda por investimentos ligados à agenda verde. Nesse ambiente de expansão, em que fundos e investidores buscam segurança jurídica, governança sólida e critérios técnicos confiáveis, o mercado brasileiro acaba de ganhar uma nova proposta metodológica voltada à atração de capital. A iniciativa surge a partir de uma tese de doutorado defendida no Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo, o IEE-USP.

O pesquisador Rodrigo Brandão Fontoura, advogado e professor com passagem por instituições como FGV, Ibmec e PUC-Campinas, apresenta no estudo o modelo ESGx. A proposta foi desenvolvida para ajudar empresas brasileiras a reduzir riscos regulatórios e a se alinhar às exigências mais rigorosas do mercado financeiro global.

Tese da USP propõe modelo ESGx para fortalecer governança e atrair investimentos

Segundo o estudo, os indicadores de ESG mais difundidos no mercado de energia brasileiro ainda apresentam lacunas relevantes. A tese argumenta que, para o país transformar seu potencial ambiental em atração efetiva de capital, será necessário elevar o padrão técnico de avaliação e gestão da sustentabilidade corporativa.

Na visão de Fontoura, o Brasil vive uma oportunidade estratégica para ampliar sua posição na economia verde, mas o capital internacional tende a se concentrar em companhias que demonstrem governança técnica consistente, gestão de riscos robusta e critérios claros de conformidade. É justamente nesse ponto que o modelo ESGx pretende atuar.

A metodologia foi desenhada para ampliar o conceito tradicional de ESG e oferecer uma análise mais abrangente da estrutura empresarial. O objetivo é fortalecer a confiança de investidores e melhorar o posicionamento de companhias que desejam emitir green bonds, captar recursos internacionais ou acessar novas frentes do financiamento sustentável.

Modelo ESGx amplia análise de sustentabilidade com oito pilares de gestão

O ESGx propõe o aprimoramento do modelo ESG tradicional por meio de oito pilares de gestão. Além dos eixos ambiental, social e de governança, a metodologia inclui também os campos econômico, integridade, conformidade, gestão de riscos e inovação.

A proposta é que cada demanda de sustentabilidade seja analisada de forma transversal, considerando diferentes dimensões estratégicas da operação empresarial. Em vez de limitar a avaliação a critérios mais genéricos, o modelo sugere um filtro mais amplo, com foco em governança corporativa, prevenção regulatória e capacidade de adaptação ao ambiente de negócios.

Pesquisador da USP cria tese para atrair fundos internacionaispara os setor de energia elétrica do país
Foto: Rodrigo Brandão Fontoura | Acervo Pessoal

Essa abordagem busca responder a uma exigência crescente do mercado. Para emitir títulos verdes ou captar recursos diretamente com grandes gestores globais, as empresas precisam demonstrar não apenas compromisso ambiental, mas também consistência institucional e capacidade de execução.

Setor de energia elétrica lidera títulos sustentáveis e amplia protagonismo no Brasil

O avanço do mercado de títulos sustentáveis mostra como o setor de energia vem assumindo papel central na agenda de financiamento verde. Ao responder por quase metade do volume emitido, a área de energia elétrica reforça sua posição estratégica dentro da transição para uma economia de baixo carbono.

O protagonismo do setor elétrico também reflete o peso estrutural da distribuição de energia no país. Segundo a Abradee, as distribuidoras associadas à entidade atendem mais de 90 milhões de clientes e cobrem 99,6% dos consumidores brasileiros, o que mostra a dimensão estratégica desse segmento dentro da infraestrutura nacional.

Essa escala ajuda a explicar por que a agenda de governança, previsibilidade regulatória e sustentabilidade corporativa ganhou tanta relevância no setor. Em um mercado intensivo em capital, com forte dependência de confiança institucional e necessidade constante de investimento, modelos de gestão mais robustos tendem a se tornar cada vez mais decisivos para viabilizar captação de longo prazo.

A presença dominante da iniciativa privada amplia a importância de modelos de governança e sustentabilidade mais sofisticados. Em um mercado de infraestrutura crítica, a confiança regulatória e a previsibilidade institucional se tornaram fatores decisivos para viabilizar investimentos de longo prazo.

Energia no Brasil atrai capital por escala, demanda e transformação digital

Na avaliação de Fontoura, o setor privado identifica na distribuição de energia no Brasil uma combinação rara de escala de mercado, crescimento de demanda e possibilidade de captura de valor. Esse cenário ganha ainda mais força com a pressão trazida pela economia digital, que exige sistemas energéticos mais inteligentes, descentralizados e orientados por dados.

Essa transformação amplia o espaço para empresas capazes de integrar inovação, gestão de riscos, conformidade e sustentabilidade em uma mesma estratégia corporativa. Em outras palavras, o mercado não busca apenas ativos verdes, mas estruturas empresariais capazes de sustentar crescimento com segurança regulatória e eficiência operacional.

Com isso, o avanço dos títulos sustentáveis e o surgimento de metodologias como o ESGx indicam que o debate sobre sustentabilidade empresarial no Brasil entrou em uma nova fase. Mais do que discurso institucional, a agenda verde passa a exigir consistência técnica, governança ampliada e capacidade real de responder às exigências do capital global.

Mercado de títulos sustentáveis no Brasil entra em nova fase de exigência técnica

O crescimento acima de R$ 60 bilhões em movimentação mostra que o mercado de finanças sustentáveis no Brasil continua avançando. Mas a expansão do volume também aumenta a pressão por critérios mais sólidos de avaliação, sobretudo em setores intensivos em capital e regulação, como o de energia.

Nesse contexto, a tese desenvolvida no IEE-USP propõe uma resposta diretamente conectada às exigências do presente. Ao ampliar a estrutura de análise da sustentabilidade corporativa, o ESGx tenta aproximar empresas brasileiras dos padrões exigidos por investidores que buscam previsibilidade, integridade e segurança de longo prazo.

O resultado é um movimento que vai além da emissão de títulos. O que está em disputa é a capacidade do Brasil de converter seu potencial na agenda verde em fluxo real de investimento, com governança forte, metodologia clara e credibilidade suficiente para competir pelo capital mais exigente do mercado internacional.

Crédito: Rodrigo Brandão Fontoura é fundador da Verax ESGx, plataforma de sustentabilidade corporativa.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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