Tecnologia desenvolvida por engenheiros da Nasa, que apaga chamas com som usa ondas infrassônicas para sufocar o fogo, reduzir danos materiais, enfrentar incêndios com baterias de lítio e abrir um novo caminho no combate a chamas urbanas e florestais
Tecnologia que apaga chamas com som é o nome dado a um sistema criado por ex engenheiros acústicos da Nasa, desenvolvido nos Estados Unidos, que usa ondas sonoras para sufocar o fogo ao retirar o oxigênio da área em chamas, sem água ou produtos químicos, com o objetivo de reduzir danos materiais, evitar reações perigosas e tornar o combate a incêndios mais eficiente em casas, indústrias, florestas e veículos elétricos.
A solução foi desenvolvida pela Sonic Fire Tech, uma startup americana fundada por especialistas em acústica que trabalhavam em projetos aeroespaciais. A ideia surgiu a partir de estudos sobre como o som afeta partículas no ar e evoluiu para um sistema capaz de interromper a reação química do fogo de forma totalmente física.
Como ondas sonoras conseguem apagar chamas ao interferir na reação química do fogo
Para que o fogo exista, três elementos precisam estar presentes ao mesmo tempo: oxigênio, combustível e calor. A tecnologia que apaga chamas com som atua diretamente no oxigênio, um dos pilares da combustão.
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O sistema emite ondas infrassônicas, com frequência abaixo de 20 hertz, que não são percebidas pelo ouvido humano. Essas ondas fazem as moléculas de oxigênio vibrarem em uma velocidade maior do que a combustão consegue acompanhar. Com isso, a reação química do fogo é quebrada e as chamas se apagam.
Segundo a Sonic Fire Tech, o processo não envolve contato físico com o fogo. A fonte principal deste artigo explica que o som cria um ambiente instável para a combustão, impedindo que o oxigênio alimente as chamas de forma contínua.
Sistema alcança até 7,5 metros e pode ser instalado como sprinklers tradicionais
As caixas acústicas desenvolvidas pela empresa conseguem apagar chamas a uma distância superior a 7,5 metros. Em ambientes internos, o projeto lembra sistemas de sprinklers tradicionais, mas sem água.
Tubos metálicos formam uma rede fixa no teto ou nas paredes. Esses tubos conduzem o impulso gerado por um equipamento acústico central até emissores espalhados pelo ambiente. Sensores identificam o aumento anormal de temperatura e ativam automaticamente o cone sonoro direcionado ao foco do incêndio.
O diferencial é que, após o uso, não há alagamento, resíduos químicos ou danos adicionais aos objetos que não foram atingidos pelo fogo. Isso reduz prejuízos e o tempo necessário para retomar o uso do espaço.
Tecnologia que apaga chamas com som pode ser decisiva em incêndios com baterias de lítio
Um dos usos mais promissores do sistema está em incêndios causados por baterias de lítio, comuns em carros elétricos, bicicletas elétricas e dispositivos eletrônicos.
Nesses casos, o uso de água ou extintores químicos pode agravar a situação, já que a reação química pode reiniciar as chamas. A tecnologia sonora não elimina o chamado escape térmico da bateria, mas consegue manter o fogo restrito à área original, impedindo que ele se espalhe.
Startup com ex-engenheiros da NASA levanta US$ 3,5 milhões para expandir a tecnologia de infrassom
A Sonic Fire Tech arrecadou 3,5 milhões de dólares em uma rodada de investimento inicial para acelerar certificações, ampliar a produção e iniciar projetos piloto. O financiamento foi co-liderado por fundos como Khosla Ventures e Third Sphere, especializados em tecnologias de impacto ambiental.
Os recursos serão usados para certificações com instituições como UL e FM Global, expansão da produção para até 500 unidades até 2026 e implantação de testes em residências, concessionárias e corpos de bombeiros.
Com isso, a tecnologia que apaga chamas com som pode deixar de ser apenas uma inovação de laboratório e se tornar uma ferramenta real no combate a incêndios, especialmente em um mundo cada vez mais dependente de eletricidade e baterias.


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