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Técnica criada nos EUA detecta túneis subterrâneos escondidos ao enviar som de baixo para cima e pode ajudar a proteger estradas, ferrovias e infraestruturas críticas

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 29/05/2026 às 18:38
Atualizado em 29/05/2026 às 18:50
No campus da ORNL em Oak Ridge, Tennessee, pesquisadores construíram um túnel subterrâneo durante um experimento de campo para testar um novo método de detecção. Crédito: ORNL, EUA. Departamento de Energia
No campus da ORNL em Oak Ridge, Tennessee, pesquisadores construíram um túnel subterrâneo durante um experimento de campo para testar um novo método de detecção. Crédito: ORNL, EUA. Departamento de Energia
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Pesquisadores do Laboratório Nacional de Oak Ridge, no Tennessee, testaram uma técnica acústica que envia sinais de baixo para cima para identificar túneis subterrâneos ocultos, com potencial para melhorar a proteção de estradas, ferrovias e outras infraestruturas críticas em áreas de risco

Pesquisadores do Laboratório Nacional de Oak Ridge, nos Estados Unidos, demonstraram uma nova forma de localizar túneis subterrâneos escondidos ao inverter o caminho tradicional dos sinais acústicos: em vez de enviar vibrações da superfície para baixo, a equipe gerou som abaixo do alvo e mediu a resposta no solo acima.

A técnica foi testada em um experimento de campo no campus do próprio laboratório, ligado ao Departamento de Energia dos Estados Unidos.

O objetivo era enfrentar uma limitação antiga da engenharia: identificar estruturas ocultas no subsolo que podem alterar a estabilidade do terreno e criar vazios sob estradas, ferrovias, instalações industriais e outras infraestruturas críticas.

Por que túneis subterrâneos são difíceis de detectar

A busca por túneis subterrâneos costuma depender de tecnologias que trabalham a partir da superfície. Entre os métodos usados estão levantamentos sísmicos, radar de penetração no solo e medições de resistividade elétrica. Essas ferramentas podem ser úteis, mas não funcionam da mesma forma em todos os terrenos.

Solos ricos em argila, por exemplo, podem limitar a propagação de certos sinais. Ambientes subterrâneos complexos também dificultam a leitura, porque diferentes camadas, materiais e obstáculos interferem no caminho das ondas.

O problema envolve um equilíbrio físico importante. Sinais de frequência mais alta conseguem captar cavidades menores com mais detalhe, mas perdem força rapidamente ao avançar no subsolo. Já sinais de frequência mais baixa viajam por distâncias maiores, porém podem deixar escapar detalhes finos.

Essa combinação cria pontos cegos. Um túnel já construído pode permanecer difícil de localizar, principalmente quando está sob áreas onde a estabilidade do solo importa para a segurança de sistemas de transporte e instalações essenciais.

Como o método acústico foi invertido

A equipe do ORNL partiu de uma hipótese simples, mas com grande impacto prático: se parte do sinal se perde quando é enviada de cima para baixo, talvez a detecção melhore quando a fonte sonora fica abaixo do possível túnel.

Mike Kass, pesquisador líder do estudo, explicou que a ideia era capturar a dispersão do sinal que normalmente se perde no método convencional. Para isso, os pesquisadores adaptaram uma técnica usada na exploração de petróleo e gás, conhecida como perfil sísmico vertical.

No uso tradicional, sensores são colocados dentro de furos para registrar ondas de energia geradas na superfície. No experimento do ORNL, a configuração foi invertida. A fonte acústica foi colocada abaixo do alvo, enquanto sensores na superfície registraram as vibrações resultantes.

Essa mudança de direção é o ponto central da pesquisa. Em vez de tentar enxergar o subsolo apenas a partir de cima, o método provoca uma resposta acústica a partir de baixo e analisa como o som interage com a estrutura oculta.

Sinal subharmônico revelou a presença do túnel

Durante os testes, o método produziu um sinal subharmônico distinto. Esse tipo de resposta tem frequência mais baixa e surge quando as ondas sonoras se curvam, ou difratam, ao redor do túnel.

Na prática, a presença da cavidade altera o comportamento do som. Os sensores instalados na superfície conseguem captar essa assinatura acústica, revelando que há uma estrutura subterrânea interferindo no caminho das ondas.

Charles Finney, pesquisador sênior de pesquisa e desenvolvimento do ORNL, afirmou que os geofones detectaram esse sinal durante os testes. Medições posteriores indicaram que a resposta aparecia de forma consistente somente quando o túnel estava presente e quando o som era originado abaixo dele.

Esse detalhe é relevante porque ajuda a diferenciar a assinatura do túnel de ruídos ou variações naturais do solo. A repetição do sinal nas condições certas reforça o potencial da técnica como mecanismo de detecção.

Experimento usou túnel de aço e sensores na superfície

Para avaliar o método em condições reais, os pesquisadores instalaram um túnel de aço de 40 pés de comprimento, aproximadamente 12 metros, a cerca de 10 pés abaixo da superfície, algo em torno de 3 metros.

A equipe usou furos verticais para posicionar uma fonte acústica em profundidades de até 30 pés, aproximadamente 9 metros. Na superfície, foi montado um conjunto de geofones, sensores sensíveis a vibrações, capazes de registrar como o som atravessava o terreno.

Os registros foram feitos antes e depois da instalação do túnel. Essa comparação direta permitiu observar quais mudanças no sinal estavam associadas à presença da estrutura subterrânea.

O experimento não se limitou a indicar a existência do túnel. A equipe também observou que o sinal subharmônico apareceu apenas quando a fonte sonora estava abaixo da estrutura. Isso sugere que a técnica pode oferecer pistas sobre a profundidade do alvo.

Potencial para infraestrutura e próximos testes

A pesquisa demonstra um novo mecanismo para identificar estruturas subterrâneas feitas pelo homem. A aplicação pode ser importante em locais onde vazios ocultos sob o solo representam risco à estabilidade de rodovias, ferrovias, instalações e áreas operacionais.

Ainda há etapas de desenvolvimento pela frente. Os pesquisadores pretendem testar o desempenho da técnica em diferentes tipos de solo, refinar a análise dos sinais e investigar se o tempo e a intensidade da resposta acústica podem gerar imagens subterrâneas mais detalhadas.

Além de Mike Kass e Charles Finney, a equipe contou com Omar Marcillo, Monica Maceira e Derek Splitter. O trabalho reuniu especialistas em engenharia, acústica e pesquisa sísmica.

O estudo foi apoiado pelo programa Laboratory Directed Research and Development Seed Money Program, do ORNL, e utilizou recursos do National Transportation Research Center, uma instalação de usuários do Departamento de Energia dos Estados Unidos.

As descobertas foram detalhadas no relatório técnico “Advancing Tunnel Detection Via Vertical Acoustic Profiling”. O ORNL é administrado pela UT-Battelle para o Escritório de Ciência do Departamento de Energia dos Estados Unidos, voltado à pesquisa básica em ciências físicas.

Este artigo foi elaborado com base em informações divulgadas pelo ornl e IE. O conteúdo contou com apoio de ferramentas de IA na organização editorial e passou por revisão humana antes da publicação.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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