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Tarifaço dos EUA abre brecha e Klabin dispara na China: exportações quase dez vezes maiores em cinco meses, receita chega a R$ 616 milhões com papel kraft e cartões brancos

Publicado em 13/12/2025 às 11:16
Atualizado em 13/12/2025 às 11:17
Klabin acelera exportações para a China com papel kraft e cartões brancos após Tarifaço dos EUA.
Klabin acelera exportações para a China com papel kraft e cartões brancos após Tarifaço dos EUA.
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A guerra comercial entre China e EUA e o tarifaço americano empurraram compradores asiáticos a buscar alternativas. A Klabin afirma ter multiplicado por quase 10 o volume exportado nos últimos cinco meses, com ganhos de preço. No terceiro trimestre, a receita na China somou R$ 616 milhões, 4% do total.

Durante apresentação a investidores, a Klabin afirmou que a China já virou um dos seus maiores mercados, após acelerar exportações nos últimos cinco meses. O diretor comercial de papéis, José Soares, disse que o volume foi multiplicado por quase 10 e “com preço”, reforçando o salto de tração no país asiático.

No terceiro trimestre deste ano, a receita proveniente da China alcançou R$ 616 milhões, o equivalente a 4% da renda global da empresa, e a Klabin indica que o volume seguiu avançando neste fim de ano. A leitura interna é que o tarifaço e a guerra comercial abriram espaço, somados a movimentos de desinvestimento de grandes concorrentes norte-americanos no setor.

Vácuo deixado por rivais americanos impulsiona oportunidades

A Klabin atribui parte da janela de crescimento ao reposicionamento de multinacionais dos Estados Unidos.

A Georgia-Pacific anunciou o fechamento permanente do seu centro de tecnologia e inovação e da sua fábrica de celulose em Memphis, no Tennessee, citando condições desafiadoras de mercado.

Já a International Paper informou que está se desfazendo de sua divisão global de fibras de celulose para concentrar esforços no negócio principal de embalagens sustentáveis, com acordo para vender a divisão para a American Industrial Partners por cerca de US$ 1,5 bilhão.

Para o CEO Cristiano Teixeira, “o tarifaço fez parceiros e clientes buscarem alternativas”, abrindo espaço para fornecedores com portfólio competitivo fora do foco prioritário das empresas americanas.

Estratégia: competir fora do eixo prioritário dos EUA

Segundo Teixeira, a Klabin tem ganhado terreno ao disputar geografias em que os players dos EUA não estão priorizando investimentos.

Em um contexto de nearshoring, ele aponta que empresas estadunidenses de papel e celulose vêm investindo sobretudo no México, enquanto a companhia brasileira prefere ampliar presença em outras regiões para proteger seu portfólio e reduzir riscos.

O CEO também descreve a empresa como uma espécie de “copy paste” sul-americano de uma companhia norte-americana, pela presença em fibra longa e embalagens.

A consequência prática, segundo ele, é direta: a Klabin exporta pouco para os EUA, mas compete com os EUA no mundo inteiro.

MP28, kraft e cartões brancos: portfólio se ajusta ao mercado

Além do salto nas exportações para a China, a Klabin destaca o uso da máquina de papel 28 (MP28), na unidade de Ortigueira (PR), para ampliar a produção de papel kraft. Em paralelo, a empresa passou a investir em cartões brancos, mirando demandas de maior valor agregado.

A companhia afirma que esse movimento ganhou força em um cenário mais desafiador para o mercado de papel-cartão tradicional.

Com os cartões brancos, a Klabin busca atender segmentos como farmacêutico, cosméticos e editorial, incluindo aplicações como capas de livros.

Farmacêutico e valor agregado com “canetinhas emagrecedoras”

Ao falar sobre embalagens farmacêuticas, Teixeira aponta uma avenida de crescimento ligada ao avanço do uso de medicamentos para emagrecimento, citando as chamadas “canetinhas emagrecedoras”, como o Ozempic.

A tese é que esse tipo de produto, por ir em caixas de cartão, abre espaço para embalagens de alto valor agregado, potencialmente elevando a rentabilidade da operação.

Consolidação no setor: potencial existe, mas não no curto prazo

Teixeira afirma ver espaço para consolidação no mercado de papel e celulose, especialmente pela lógica de combinar um grande player da América do Sul, onde estariam empresas com forte posição em custo caixa, com um player integrado do Hemisfério Norte.

Na visão dele, fábricas devem fechar na América do Norte, aumentando a necessidade de fibra, que poderia ser suprida pela América do Sul.

Apesar disso, o executivo ressalta que a Klabin concluiu um ciclo de investimentos e precisa conter endividamento, o que limita aquisições no curto prazo.

Ele também diz que a companhia se considera protegida contra oferta hostil, citando a estrutura com duas classes de ações e o controle de quase 55% das ações com direito a voto pelos controladores.

No acumulado do ano, os papéis preferenciais caem mais de 15%, enquanto as ações ordinárias recuam mais de 20%, segundo a empresa.

Investimentos: após R$ 30 bilhões, foco vira caixa e modernização

Encerrado o ciclo de investimentos de R$ 30 bilhões, a Klabin informou que os aportes previstos para este ano somam R$ 2,9 bilhões, abaixo da estimativa anterior na faixa de R$ 3,3 bilhões.

Para 2026, a projeção é de R$ 3,3 bilhões, e para 2027, R$ 2,8 bilhões, com a maior parte direcionada à continuidade operacional e à modernização da planta de Monte Alegre, no Paraná.

O endividamento líquido está na faixa de R$ 26 bilhões, ante R$ 29,5 bilhões há um ano. A relação dívida líquida sobre Ebitda está em 3,3 vezes, após ter alcançado 4,1 vezes no ano passado, de acordo com o analista João Abdouni, da Levante Inside Corp.

Para ele, a estratégia da Klabin reduz a volatilidade da celulose ao adicionar maquinários e tende a sustentar resultados melhores conforme os ciclos econômicos evoluírem.

Dividendos e bonificação: pagamento ao longo de 2026 com data-base definida

Na última segunda-feira, a Klabin anunciou distribuição de R$ 1,11 bilhão em dividendos intercalares, além de aumento de capital com bonificação de ações.

O valor corresponde a R$ 0,18 por ação e será pago em quatro parcelas ao longo de 2026, com base na posição acionária de 15 de dezembro de 2025.

Na sua visão, a Klabin está só aproveitando uma brecha momentânea do tarifaço ou a China virou um motor estrutural de crescimento para a empresa?

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Reinaldo Joceli de Sousa
Reinaldo Joceli de Sousa
14/12/2025 22:36

Ora, se existe comprador e o preço cobre custos e magem de lucro, a Klabin deve atender a demanda.

Fonte
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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