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Talibã surpreende o planeta ao escavar canal maior que a transposição do São Francisco, erguer nova capital de 722 km² e reativar gasoduto de 10 bilhões que pode redesenhar o mapa da Ásia

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 11/01/2026 às 10:28
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Megaobras avançam longe dos holofotes e envolvem água, energia, mineração e logística em escala continental, reposicionando o Afeganistão no centro de rotas estratégicas da Ásia Central e do Sul, com impactos diretos sobre países vizinhos e cadeias globais.

Enquanto a atenção internacional esteve concentrada em guerras, eleições e crises políticas, um conjunto de obras de escala inédita avançou longe dos holofotes no Afeganistão.

As informações, reunidas e analisadas pelo canal Tecnívora, que publicou um vídeo detalhando esses projetos no YouTube, revelam que, sem anúncios oficiais em fóruns globais, o Talibã iniciou um dos programas de infraestrutura mais ambiciosos da história recente do país.

De acordo com o levantamento apresentado pelo Tecnívora, não se trata apenas de decisões políticas ou disputas ideológicas.

O que está em curso envolve engenharia pesada, investimentos bilionários, controle de recursos naturais estratégicos e a reativação de rotas comerciais e energéticas consideradas inviáveis por décadas.

Em conjunto, essas obras reposicionam o Afeganistão no centro das dinâmicas econômicas e geopolíticas da Ásia Central.

Canal Qosh Tepa e o controle da água na Ásia Central

Um dos projetos mais emblemáticos destacados pelo canal é o canal Qosh Tepa, no norte do país.

Com cerca de 185 quilômetros de extensão, a estrutura atravessa áreas desérticas e já é descrita como o maior canal artificial em construção na Ásia Central.

Segundo informações reunidas pelo Tecnívora, mais de seis mil trabalhadores atuam de forma contínua na escavação, operando maquinário pesado dia e noite.

O canal foi projetado para desviar aproximadamente 20% da água do rio Amu Dária, um dos principais cursos d’água da região.

O conteúdo divulgado aponta que essa água será conduzida para irrigar cerca de 550 mil hectares de terras secas no norte afegão, área comparável à do Distrito Federal brasileiro.

O objetivo declarado é ampliar significativamente a produção agrícola do país.

Assista o vídeo
https://youtu.be/vhAQwVV36pE

Ainda segundo o Tecnívora, autoridades afegãs estimam que a conclusão do Qosh Tepa pode aumentar a área cultivável do Afeganistão em mais de um terço, aproximando o país da autossuficiência alimentar.

O custo total do projeto é estimado em 684 milhões de dólares, com mais de 100 milhões financiados com recursos internos do próprio governo.

O impacto regional, porém, é sensível.

O Amu Dária abastece países como Uzbequistão e Turcomenistão, fortemente dependentes do rio para suas plantações de algodão.

Ao destacar esse ponto, o Tecnívora ressalta que o controle do fluxo de água transforma o recurso em instrumento de poder geopolítico, capaz de influenciar relações diplomáticas em toda a Ásia Central.

Represas e energia como instrumentos de negociação regional

Além do canal, o vídeo também chama atenção para a construção e retomada de represas em diferentes regiões do país.

Entre elas está a barragem de Bakshabad, erguida em meio a tensões diplomáticas com o Irã relacionadas a direitos hídricos.

Conforme explicado pelo canal, essas estruturas não servem apenas para irrigação.

Elas também ampliam a geração de energia hidrelétrica e reduzem a dependência afegã de importações.

Kabul New City e a nova capital planejada

No campo urbano, o Tecnívora destaca o avanço do projeto Kabul New City.

Planejada para ocupar cerca de 722 quilômetros quadrados, a nova capital foi concebida para desafogar a atual Cabul.

O projeto prevê capacidade para abrigar entre 1,1 milhão e 3 milhões de pessoas.

O plano inclui a construção de aproximadamente 250 mil unidades residenciais, além de hospitais, escolas, centros comerciais e áreas verdes.

Segundo o material divulgado, o desenvolvimento será dividido em centenas de setores e deve se estender ao longo de três décadas.

Algumas áreas, como a chamada Golden City, já concentram dezenas de milhares de moradias.

Outros setores tiveram obras retomadas entre 2023 e 2024, com investimentos individuais que podem chegar a 700 milhões de dólares.

Corredores logísticos e ferrovias estratégicas

A análise do Tecnívora também enfatiza a estratégia logística do Talibã.

Em 2025, China, Paquistão e Afeganistão assinaram um acordo para estender o Corredor Econômico China-Paquistão ao território afegão.

O projeto é avaliado em mais de 60 bilhões de dólares.

A iniciativa cria uma ligação direta entre a região chinesa de Xinjiang, o Paquistão e o Afeganistão.

Outro destaque é a ferrovia de 573 quilômetros que ligará Uzbequistão e Paquistão, atravessando o Afeganistão.

Avaliada em 4,8 bilhões de dólares, a obra promete reduzir o tempo de transporte de mercadorias de 35 dias para apenas quatro.

O traçado exige a construção de mais de 300 pontes e cinco grandes túneis em terrenos extremamente complexos.

Gasoduto TAPI e integração energética

No setor energético, o canal detalha a retomada do gasoduto TAPI, que liga Turcomenistão, Afeganistão, Paquistão e Índia.

Planejado para transportar 33 bilhões de metros cúbicos de gás natural por ano, o projeto de cerca de 10 bilhões de dólares teve a construção da parte afegã retomada em 2024.

Se concluído, pode gerar aproximadamente 1 bilhão de dólares anuais em receitas para o Afeganistão.

O vídeo também aborda o projeto CASA-1000, que prevê a transmissão de energia hidrelétrica do Quirguistão e do Tajiquistão até o Paquistão.

Segundo o Tecnívora, o sistema deve transportar 1.300 megawatts de energia, com cerca de 300 megawatts destinados ao consumo interno afegão.

A retomada foi aprovada pelo Banco Mundial em 2024.

Mineração, receitas internas e infraestrutura crítica

Para sustentar financeiramente esse conjunto de obras, o Talibã aposta na exploração mineral.

O Tecnívora destaca estimativas que apontam trilhões de dólares em cobre, lítio e terras raras no subsolo afegão.

Em 2024, a mina de cobre de Mes Aynak voltou a avançar.

No mesmo período, a intensificação da taxação sobre mineração teria rendido mais de 1 bilhão de dólares em um único ano.

Como símbolo dessa nova fase, o canal relembra a reconstrução do túnel de Salang, inaugurado em 1964.

Conhecida por décadas como uma das estradas mais perigosas do país, a estrutura passou por modernização anunciada em 2023.

O investimento estimado foi de 100 milhões de dólares.

As informações reunidas pelo Tecnívora indicam que esses projetos estão em andamento, com orçamentos declarados e efeitos regionais concretos.

O Talibã criou forças específicas para proteger canais, ferrovias, minas e corredores energéticos, tratando cada obra como ativo estratégico.

A grande incógnita permanece: esse ambicioso programa de infraestrutura será sustentável a longo prazo em um país marcado por instabilidade crônica?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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