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Rússia lança Soyuz-5 do Cosmódromo de Baikonur com 65 metros, 530 toneladas e o motor mais potente do mundo a combustível líquido, 65 anos depois de Gagarin

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 16/05/2026 às 06:15
Atualizado em 16/05/2026 às 06:17
Soyuz-5 decolagem Baikonur Cazaquistão 30 abril 2026
Soyuz-5 decola do Cosmódromo de Baikonur no Cazaquistão em 30 de abril de 2026 — primeiro voo de teste do sucessor russo do antigo foguete Zenit.
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Rússia lança Soyuz-5 do Cosmódromo Baikonur com 65 metros e o motor mais potente do mundo a líquido

Em 30 de abril de 2026, às 23h local, o foguete Soyuz-5 decolou do Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, em seu primeiro voo de teste.

Conforme reportou a Euronews, a missão marca o sucessor oficial do antigo foguete Zenit.

O veículo tem 65 metros de comprimento e massa de decolagem de 530 toneladas.

De acordo com a agência espacial russa Space Voyaging, a capacidade de carga útil chega a 17 toneladas em órbita baixa terrestre.

Em seguida, o primeiro e o segundo estágios operaram normalmente. A carga útil simulada seguiu trajetória suborbital antes de cair no Oceano Pacífico, conforme previsto pelo plano de voo.

Soyuz-5 estreia em Baikonur 65 anos após Gagarin com o foguete russo mais avançado da década

O foguete decolou do Site 45 do Cosmódromo de Baikonur, mesma instalação que abrigou o histórico lançamento de Yuri Gagarin em 1961.

Naquele momento, o novo lançador marcou 65 anos exatos de operações tripuladas e cargueiras a partir do Cazaquistão.

De fato, a Rússia mantém presença no Baikonur por meio de acordo de arrendamento com o governo cazaque.

Conforme o programa Baiterek lançado em 2004, o contrato foi estendido em 2021 até o ano de 2050.

Por outro lado, o Cazaquistão também ganha protagonismo. Da mesma forma, a parceria envolve transferência tecnológica e treinamento de engenheiros locais.

Em outras palavras, o país pretende avançar de operador de rampas para potência espacial autônoma.

Motor RD-171MV é o mais potente liquid-fuelled rocket engine do mundo

Motor RD-171MV Soyuz-5 Russia mais potente líquido mundo
Motor RD-171MV do primeiro estágio do Soyuz-5 — descrito pela Roscosmos como o mais potente foguete a combustível líquido do mundo. Imagem: Representação editorial.

O coração do veículo russo é o motor RD-171MV. Conforme a Roscosmos, o conjunto entrega cerca de 8 meganewtons de empuxo.

Por consequência, a agência russa o classifica como o mais potente foguete a combustível líquido do mundo.

Além disso, o RD-171MV utiliza querosene como combustível e oxigênio líquido como oxidante. Em comparação, motores semelhantes na concorrência precisam de múltiplas câmaras de combustão para alcançar empuxo similar.

Por isso, o motor representa evolução direta do RD-170/171 que equipou o Zenit nos anos 1980 e 1990.

Outros programas mantêm desenvolvimento intenso de novas plataformas, como o Dragon CRS-34 da SpaceX que partiu rumo à Estação Espacial Internacional em 13 de maio.

Soyuz-5 substitui o Zenit e dobra a capacidade de carga em órbita baixa

O novo foguete herda o nicho operacional do Zenit, foguete desenvolvido pelo Instituto Yuzhnoye na Ucrânia soviética nos anos 1980.

Conforme dados do programa, o Zenit tinha massa de decolagem de 430 toneladas e capacidade de 12 toneladas em órbita baixa.

De acordo com a Roscosmos, o novo veículo aumenta a massa para 530 toneladas. A capacidade de carga útil sobe para 17 toneladas.

Em outras palavras, o foguete transporta cerca de 40% a mais que o antecessor.

Por outro lado, a Rússia precisou desenvolver toda a cadeia produtiva interna após a ruptura com a Ucrânia em 2014.

Dessa forma, o programa atrasou mais de uma década do cronograma inicial.

  • Comprimento: 65 metros
  • Massa de decolagem: 530 toneladas
  • Carga útil LEO: 17 toneladas
  • Motor primeiro estágio: RD-171MV (8 MN empuxo)
  • Antecessor: Zenit (430 ton, 12 ton payload)
  • Local: Cosmódromo de Baikonur, Site 45, Cazaquistão

Programa Baiterek une Rússia e Cazaquistão até 2050 em Baikonur

Cosmódromo Baikonur Cazaquistão Site 45 Soyuz-5
Cosmódromo de Baikonur no Cazaquistão, em operação desde 1955. O Soyuz-5 estreou no Site 45, a mesma plataforma que recebeu missões tripuladas da era soviética. Imagem: Representação editorial.

O programa Baiterek surgiu em 2004 como joint-venture entre Moscou e Astana.

Conforme o desenho original, a meta seria modernizar a infraestrutura de Baikonur e criar capacidade local para suportar o veículo.

Em seguida, o acordo foi renovado em 2021. Por consequência, o arrendamento russo da base se estendeu até 2050.

Dessa forma, a Rússia mantém acesso garantido à única instalação capaz de lançar grandes foguetes a partir do território cazaque.

De acordo com o Diplomat, o Cazaquistão ganha receita anual de aluguel e investe na formação de engenheiros aeroespaciais.

Por isso, o país pretende se posicionar como hub regional para serviços de lançamento na Ásia Central.

Zenit encerrou produção em 2014 após ruptura com a Ucrânia

O Zenit foi um dos foguetes mais utilizados da era pós-soviética. Da mesma forma, o veículo cumpriu missões militares e comerciais entre 1985 e 2017.

Conforme registros da indústria, voou em parceria com o consórcio Sea Launch a partir de plataforma flutuante no Oceano Pacífico.

Por outro lado, a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014 cortou a cadeia ucraniana de fornecimento.

Em outras palavras, Moscou perdeu acesso ao Instituto Yuzhnoye e à fabricação de componentes-chave.

Por isso, o desenvolvimento do novo lançador ganhou prioridade no plano espacial russo.

Naquele momento, o objetivo passou a ser construir um veículo independente da indústria ucraniana, com capacidade competitiva no mercado comercial.

Brasil não tem cooperação direta com Baikonur na era do Soyuz-5

Soyuz-5 decolagem Baikonur 30 abril 2026 voo teste
O Soyuz-5 ergueu-se do Site 45 às 23h local de 30 de abril de 2026 e completou o primeiro voo suborbital com sucesso. Imagem: Representação editorial.

O Brasil mantém cooperações espaciais com China, EUA e países europeus por meio da Agência Espacial Brasileira (AEB).

Em comparação, não há acordo bilateral ativo com o Cazaquistão ou a Rússia para uso de Baikonur.

Conforme dados do programa AEB, o Brasil opera o Centro de Lançamento de Alcântara no Maranhão.

Outras potências como a China avançam em missões cargueiras autônomas, com o Tianwen-2 percorrendo 45 milhões de quilômetros rumo a um asteroide.

Por consequência, lançamentos brasileiros recentes envolveram parcerias com SpaceX e Arianespace, não com Roscosmos.

Da mesma forma, satélites brasileiros como o CBERS-6 dependem de janelas comerciais com fornecedores asiáticos e europeus.

Por isso, o veículo russo abre potencial para futuras propostas comerciais à AEB no mercado de payload médio.

Próximos passos: voo orbital previsto e parceria comercial em estudo

A Roscosmos planeja conduzir o primeiro voo orbital completo do novo foguete ainda em 2026.

Em seguida, missões cargueiras à Estação Espacial Internacional e satélites de comunicação devem usar o veículo a partir de 2027.

De acordo com o cronograma divulgado, a versão tripulada deve voar em 2028. Naquele momento, o foguete poderá substituir o veterano Soyuz MS no envio de cosmonautas para órbita.

Por outro lado, há limitações reconhecidas. O programa enfrenta atrasos cumulativos desde 2017. Sanções ocidentais e a guerra com a Ucrânia restringem o acesso russo a componentes eletrônicos avançados.

Será que a Rússia conseguirá repetir, com o veículo, o sucesso comercial que teve com o Proton e o Soyuz tradicional durante décadas?

Ou as sanções e a perda de mercado europeu impedirão o veículo de competir no segmento médio? A resposta começa a aparecer ao longo dos próximos dois anos.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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