A construção enxuta de uma pequena casa de 7 m², feita sem experiência profissional na área, revela como informação, planejamento financeiro e escolhas simples permitem criar espaços funcionais mesmo com orçamento reduzido
Construir uma casa do zero costuma ser associado a altos custos, longos prazos e a necessidade de mão de obra especializada. No entanto, a experiência de um pesquisador que decidiu erguer sozinho uma pequena construção de apenas 7 m², investindo R$ 5.800, mostra que esse cenário pode ser diferente quando há planejamento, acesso à informação e disposição para aprender.
A informação foi divulgada inicialmente em um relato pessoal compartilhado em redes sociais, onde o autor, Davi Moura, detalha todas as etapas da construção e as decisões que permitiram manter os custos bem abaixo do valor médio praticado no mercado da construção civil.
Mesmo sem ser pedreiro, carpinteiro, encanador ou eletricista, ele afirma que aprendeu um pouco de cada área ao longo do tempo. Segundo o pesquisador, o processo não começou com uma casa, mas com projetos menores, como a construção de um viveiro para coelhos e, posteriormente, uma casinha para galinhas. Esse aprendizado gradual foi fundamental para assumir desafios maiores com mais segurança.
-
Sem querer pagar aluguel, jovem de 22 anos comprou um reboque velho de fazenda por £60, reaproveitou materiais de obra e passou três anos transformando a estrutura de 16 por 8 pés em uma pequena casa de dois níveis
-
Cientistas do MIT descobrem método capaz de transformar CO₂ em aliado da construção civil, aumentando em 13% a resistência do cimento após 24 horas e criando uma solução inovadora para infraestrutura mais eficiente e sustentável
-
Cidade canadense onde 100 jovens dormem sem casa viu voluntários erguerem 8 microcasas em apenas 72 horas, enquanto projeto promete 40 lares acessíveis para famílias chefiadas por mulheres em meio à crise habitacional
-
Mulher de 45 anos, mãe de 9 filhos e avó de 12 netos, recebe em São Paulo uma casa de 27 m² feita com plástico reciclado, erguida em 15 horas com blocos encaixados como Lego e telhado feito de material reciclável
Como a construção de 7 m² foi planejada desde o início

O pequeno imóvel, apelidado de “celeirinho” por conta do estilo da porta, foi pensado para atender necessidades práticas da chácara onde está localizado. O espaço funciona como depósito de ferramentas, local para armazenar ração, materiais diversos e também como lavanderia, reunindo múltiplas funções em uma área reduzida.
Para viabilizar a obra, os materiais escolhidos foram simples e de fácil acesso no mercado: bloco cerâmico, areia, cimento, madeira de pinos e eucalipto, além de telha portuguesa. Essa escolha foi decisiva para manter o custo total em R$ 5.800, mesmo em um período de alta nos preços de insumos como cimento, ferro e madeira.
Outro ponto importante foi a decisão de não investir em acabamentos considerados supérfluos para um espaço rústico. As paredes receberam apenas chapisco e pintura com cal, o que foi considerado suficiente para uma construção voltada à organização e ao trabalho diário na chácara.
Piso de cimento queimado e conforto térmico
Um dos destaques do projeto é o piso de cimento queimado, escolhido tanto pelo custo reduzido quanto pela durabilidade. O próprio pesquisador relata que ensinou o passo a passo desse tipo de piso em suas redes sociais, reforçando o caráter didático do projeto.
Além de mais barato do que porcelanato ou pisos retificados, o cimento queimado oferece conforto térmico, mantendo o ambiente interno mais fresco mesmo em dias de calor intenso. Em temperaturas externas próximas de 33 °C a 34 °C, o interior da construção se manteve visivelmente mais agradável, segundo o relato.
A escolha do piso também se alinha à proposta rústica do espaço, dispensando materiais caros em um ambiente onde a funcionalidade é prioridade.
Organização interna e aproveitamento máximo do espaço
Apesar do tamanho reduzido, o interior da casa foi planejado para aproveitar cada centímetro disponível. Foram instaladas quatro prateleiras longas, com cerca de 2,10 metros de comprimento e 30 centímetros de profundidade, capazes de armazenar galões de água, ferramentas, malas de viagem e caixas organizadoras.
A transparência das caixas facilita a identificação rápida dos itens armazenados, reduzindo o tempo gasto na busca por ferramentas, peças elétricas, parafusos, materiais hidráulicos e itens de manutenção. Esse nível de organização foi apontado como essencial para tornar a rotina mais leve e eficiente.
Segundo o pesquisador, apenas 7 m² foram suficientes para armazenar dezenas de itens, além de comportar uma máquina de lavar, um tanquinho e espaço reservado para produtos de lavanderia.
Energia solar como solução provisória
Enquanto a ligação definitiva de energia elétrica não é concluída, o celeirinho já conta com uma placa solar instalada no telhado, conectada a uma bateria. Esse sistema é suficiente para alimentar equipamentos básicos, como o tanquinho e a máquina de lavar, garantindo funcionalidade imediata ao espaço.
A instalação elétrica interna já foi preparada, com conduítes e caixa de disjuntores posicionados. O desafio maior está na necessidade de cavar uma vala para levar a energia do poste até a construção, algo comum em áreas rurais e que demanda tempo e esforço físico.
Planejamento financeiro e custos da obra

Mesmo sendo uma construção pequena, o autor destaca que os custos se acumulam rapidamente quando não há controle financeiro. Cimento, madeira e ferro representam despesas significativas, especialmente em períodos de inflação elevada no setor da construção.
Por isso, o pesquisador reforça que o planejamento financeiro foi parte essencial do projeto. Ele afirma que se preparou com antecedência, guardando dinheiro e investindo antes de iniciar a obra, evitando surpresas ao longo do processo.
Segundo ele, esse tipo de preparação permite realizar melhorias na chácara de forma sustentável, sem comprometer o orçamento familiar.
Um espaço pequeno com múltiplas possibilidades

Durante o relato, o pesquisador também reflete sobre o uso do espaço e menciona exemplos de cidades ao redor do mundo onde pessoas vivem em áreas ainda menores, com 3 m² ou 4 m². Para ele, com algumas adaptações, como a inclusão de um banheiro, seria tecnicamente possível transformar o espaço em uma moradia compacta.
Localizada em uma chácara de 1.800 m², a construção reforça a ideia de aproveitar cada canto disponível do terreno. O celeirinho se soma a outras áreas produtivas, como pomares de manga, goiaba, café, banana e uva, compondo um ambiente planejado e funcional.
Ao final, o pesquisador destaca que aprender a fazer, organizar e planejar transforma não apenas o espaço físico, mas também a relação com o trabalho e com o dinheiro. A pequena casa de 7 m² se torna, assim, um exemplo prático de como simplicidade, informação e organização podem gerar resultados concretos.


Coisa ****, vai dormir na rua, vai cozinhar na rua, vai fazer as necessidades na rua, casa para que .
Parabéns Davi, pelo empreendimento!