Em Viena, parques públicos passaram a reunir iluminação, esporte, bancos e caminhos claros para ampliar segurança, pertencimento e espaços públicos inclusivos para adolescentes, famílias, idosos e outros moradores.
Em 1999, Viena identificou que meninas de 10 a 13 anos estavam menos presentes nos parques públicos do que os meninos. A cidade ouviu moradoras, escolas e especialistas antes de redesenhar dois parques no distrito de Margareten, com obras concluídas em 2001.
Os parques ficam no quinto distrito da cidade, chamado Margareten. As informações foram divulgadas por Metropolis, rede internacional de governos locais e regionais. O planejamento reuniu visitantes, moradoras, mães, representantes de escolas e jardins de infância, planejadoras e uma socióloga.
O objetivo não era apenas instalar novos equipamentos. A reforma buscou criar parques com mais segurança percebida, maior liberdade de circulação e condições melhores para pessoas de idades e interesses diferentes.
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Parques públicos podem ser ocupados de forma desigual
Um parque parece aberto para todos, mas a forma de usar o local pode mudar muito entre os grupos. Quando uma quadra concentra a maior parte das atividades ou quando faltam lugares para sentar, conversar e circular, parte dos visitantes pode se sentir deslocada.
Em Viena, as meninas de 10 a 13 anos apareciam menos nesses espaços do que os meninos. A cidade decidiu observar o problema e colocou as necessidades delas no centro do redesenho de dois parques públicos.
Isso não significa que todas as meninas querem as mesmas coisas. O ponto principal foi criar mais opções de permanência para quem não queria disputar um único espaço ou ficar em áreas pouco confortáveis.
Luz, bancos e caminhos visíveis ajudaram a mudar os parques
A reforma levou iluminação para toda a área, melhorou a visibilidade dos caminhos principais e criou espaços abertos. Esses elementos ajudam quem frequenta o parque a enxergar o entorno e se sentir mais à vontade para permanecer.
Os projetos também incluíram uma área para jogos com bola, locais menores para diferentes grupos e pontos mais reservados. Bancos e áreas de encontro passaram a ter importância porque o parque não serve apenas para correr ou praticar esporte.
Metropolis, rede internacional de governos locais e regionais, registrou o uso de iluminação constante, caminhos mais visíveis e áreas comuns abertas. O desenho buscou ampliar a sensação de segurança sem transformar o parque em um local fechado.
Urbanismo sensível ao gênero ouviu quem usava menos os espaços
Urbanismo sensível ao gênero é uma forma de planejar a cidade levando em conta como pessoas diferentes usam o mesmo lugar. Na prática, isso significa observar quem ocupa os espaços, quem evita ficar e quais obstáculos aparecem no dia a dia.
Em Viena, uma equipe formada por planejadoras e uma socióloga acompanhou a situação dos parques antes da reforma. O processo ouviu moradores e pessoas que viviam ou circulavam perto dos dois locais.
As conversas ajudaram a definir necessidades ligadas a esporte, lazer, circulação e convivência. A participação fez diferença porque quem usa o parque conhece problemas que nem sempre aparecem em desenhos técnicos.
Segurança em parques públicos também depende da visibilidade
Segurança em parques públicos não depende apenas da presença de equipamentos. Caminhos claros, boa iluminação e áreas abertas ajudam a reduzir a sensação de isolamento e facilitam a circulação de quem está sozinho, em grupo ou com crianças.
A mudança de Viena considerou meninas e jovens, mas também pessoas idosas e famílias com crianças pequenas. Isso mostra que um espaço público inclusivo precisa acolher mais de uma forma de viver a cidade.
A reforma não elimina todos os problemas urbanos nem resolve sozinha as desigualdades fora do parque. Ela cria condições mais justas de uso, com mais escolhas para quem quer praticar esporte, conversar ou apenas permanecer no local.
Praças brasileiras também podem observar quem fica de fora
Muitas praças brasileiras têm brinquedos, bancos ou quadras, mas isso não garante que adolescentes e mulheres se sintam confortáveis para ficar. Um local pode ter estrutura e ainda assim oferecer poucos motivos para diferentes grupos permanecerem.
A experiência de Viena ajuda a olhar para detalhes simples, como trechos escuros, caminhos confusos, bancos isolados e áreas esportivas ocupadas por apenas um grupo. Pequenas mudanças podem ampliar a presença de mais pessoas no mesmo espaço.
Ouvir moradores antes de reformar uma praça também pode evitar decisões distantes da realidade. Quem frequenta o local sabe onde falta luz, onde as pessoas deixam de passar e quais atividades fazem falta.
Viena mostrou que parques públicos podem ser pensados para além de uma única atividade ou de um único grupo. Luz, bancos, caminhos visíveis, áreas abertas e participação popular ajudaram a construir espaços com mais possibilidades de convivência.
O principal aprendizado está em observar quem usa menos os parques e entender por quê. Espaços públicos inclusivos começam quando o planejamento considera as necessidades de quem antes ficava de fora.
Na sua cidade, uma praça com mais luz, bancos e atividades diferentes faria adolescentes e mulheres se sentirem mais à vontade para ficar? Conte sua opinião nos comentários e compartilhe esta publicação.

