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Sem nivelar montanhas nem depender de tratores, agricultores japoneses espalham toneladas de capim em encostas de até 40 graus, mantêm produtivo um solo ameaçado pela erosão e cultivam milheto, trigo sarraceno e batatas

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 12/07/2026 às 14:42 Atualizado em 12/07/2026 às 14:44
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Nas montanhas de Nishi Awa, no Japão, a agricultura em encostas de até 40 graus usa capim seco para reduzir a erosão
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Nas montanhas de Nishi Awa, no Japão, a agricultura em encostas de até 40 graus usa capim seco para reduzir a erosão, conservar a umidade e proteger a camada fértil, enquanto mantém o cultivo de milheto, trigo sarraceno, batatas e variedades agrícolas preservadas por gerações.

Agricultores japoneses cultivam em encostas de até 40 graus sem nivelar as montanhas nem construir grandes terraços. Onde tratores convencionais quase não conseguem trabalhar, o plantio continua com técnicas manuais e uma espessa cobertura de capim seco.

A FAO, agência das Nações Unidas para alimentação e agricultura, registra que a história do sistema agrícola de Nishi Awa remonta a aproximadamente 300 antes da era comum. A prática mantém o formato original das encostas e adapta a produção às condições do terreno.

O elemento central é o kaya, nome dado aos capins cortados nas áreas próximas. Depois de secos, eles se espalham sobre a terra para reduzir a erosão do solo, conservar água e impedir que chuvas fortes carreguem a camada fértil montanha abaixo.

Agricultura funciona onde tratores convencionais quase não chegam

As lavouras de Nishi Awa ocupam áreas montanhosas onde o terreno plano é limitado. Em vez de transformar toda a paisagem, os agricultores plantam diretamente nas encostas e ajustam cada etapa do trabalho à inclinação.

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A produção inclui milheto, trigo sarraceno, batatas, tubérculos, verduras e frutas. Parte dessas plantas consegue crescer em solos pouco férteis e ajuda a manter a variedade de alimentos produzidos pelas pequenas propriedades.

O uso de máquinas agrícolas é limitado pela inclinação. Preparar a terra, distribuir o capim, plantar e colher depende principalmente de trabalho manual, o que aumenta o esforço necessário para manter cada área produtiva.

Alguns pontos podem receber pequenos muros de pedra para diminuir a inclinação e conter a erosão. Porém, a característica principal permanece: a montanha não é completamente nivelada nem dividida em grandes terraços.

Encostas de 40 graus são muito mais íngremes do que parecem

A inclinação em graus mede o ângulo existente entre o terreno e uma linha horizontal. Já a declividade em percentual compara quanto a área sobe em relação à distância percorrida na horizontal.

Isso significa que 40 graus não equivalem a 40 por cento de declividade. São formas diferentes de medir a inclinação, e confundir esses valores pode fazer a encosta parecer menos acentuada do que realmente é.

Vista de baixo, uma lavoura com essa inclinação parece subir como uma grande parede verde. O terreno dificulta a circulação de tratores e exige atenção constante das pessoas que trabalham na plantação.

Mesmo nessas condições, os agricultores conseguem manter o cultivo ao proteger o solo e organizar as linhas de plantio acompanhando o contorno da montanha. Essa disposição ajuda a reduzir a velocidade da água da chuva.

Toneladas de capim formam uma barreira contra a erosão

O kaya é colhido nas áreas de vegetação que cercam as plantações. Depois do corte, o capim seca e é dividido em partes menores antes de ser distribuído sobre o solo.

Encostas de 40 graus são muito mais íngremes do que parecem
Encostas de 40 graus são muito mais íngremes do que parecem

A cobertura reduz o impacto direto da chuva sobre a terra. Sem essa proteção, as gotas atingiriam a superfície com força e facilitariam o deslocamento de partículas, fertilizantes e matéria orgânica pela encosta.

A FAO, agência das Nações Unidas para alimentação e agricultura, detalha que o kaya ajuda a conservar a umidade, controlar a temperatura e reduzir o crescimento de plantas indesejadas. O material também acrescenta matéria orgânica ao solo.

Parte do capim pode ser incorporada à terra, enquanto outra parte permanece na superfície. Dessa forma, um recurso retirado da própria paisagem funciona como proteção física para a lavoura e como apoio à conservação do solo.

Pilhas cônicas guardam o capim antes da distribuição

Após a colheita, o kaya é reunido em pilhas cônicas conhecidas localmente como koeguro ou guro. Essas estruturas armazenam o material até o momento de espalhar o capim pelas plantações.

As pilhas permanecem visíveis na paisagem e revelam uma ligação direta entre os campos, as áreas de capim, as casas e as florestas. Cada parte do território possui uma função dentro do sistema agrícola de Nishi Awa.

O capim não é tratado como resíduo. Ele é colhido, seco, armazenado e aplicado de forma planejada para manter as encostas cultiváveis e diminuir a perda da camada fértil.

Essa organização permite aproveitar recursos locais sem alterar profundamente o relevo. O resultado é uma agricultura adaptada à montanha, e não uma montanha completamente modificada para receber a agricultura.

Sementes locais dependem do plantio contínuo

Nishi Awa mantém variedades de milheto, trigo sarraceno, batatas e outros alimentos cultivados por sucessivas gerações. As famílias guardam parte das sementes colhidas para realizar novos plantios.

Esse processo forma uma espécie de banco vivo de variedades agrícolas. As sementes permanecem ligadas às lavouras porque precisam voltar ao solo para produzir novas gerações e conservar sua capacidade de germinar.

Quando uma variedade deixa de ser plantada, aumenta o risco de desaparecimento. A perda não envolve apenas um alimento, mas também características desenvolvidas ao longo do tempo em contato com o clima e o solo da região.

Sementes locais dependem do plantio contínuo
Sementes locais dependem do plantio contínuo

Manter a agricultura nas encostas significa, portanto, preservar diversidade agrícola e conhecimento sobre produção em terrenos difíceis. Esses recursos podem ganhar importância diante de mudanças ambientais e problemas na oferta de alimentos.

Trabalho manual e envelhecimento ameaçam a continuidade do sistema

A técnica depende de muitas etapas realizadas manualmente. Cortar o capim, montar as pilhas, preparar o campo, plantar e colher em terreno inclinado exige tempo, experiência e esforço físico.

Pequenas propriedades sustentadas principalmente por pessoas idosas enfrentam dificuldades para manter todas as áreas cultivadas. A baixa presença de máquinas também limita a quantidade que cada agricultor consegue produzir.

O abandono de uma lavoura afeta mais do que a produção daquele terreno. Sem o manejo contínuo, podem desaparecer sementes locais, técnicas de conservação e conhecimentos transmitidos entre gerações.

O desafio econômico está em manter uma atividade que protege o ambiente e produz alimentos, mas exige grande quantidade de trabalho. A continuidade depende de pessoas capazes de assumir tarefas que dificilmente podem ser substituídas por tratores comuns.

A agricultura de Nishi Awa mostra como toneladas de capim seco podem manter produtivas encostas de até 40 graus. A cobertura conserva umidade, reduz a erosão e permite cultivar alimentos sem nivelar completamente as montanhas.

Porém, o trabalho manual intenso, o envelhecimento da população e o risco de abandono colocam esse sistema sob pressão. Preservar as lavouras significa proteger o solo, as sementes e uma técnica agrícola construída durante séculos.

Se uma solução simples protege o solo onde máquinas quase não chegam, como adaptar esse conhecimento às encostas agrícolas brasileiras sem perder produtividade? Comente e compartilhe a publicação.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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