Francesco Matarazzo começou com uma pequena casa comercial, investiu na produção de banha e formou um dos maiores complexos industriais da América Latina
O império industrial criado por Francesco Matarazzo nasceu após um prejuízo que poderia ter encerrado seus planos antes mesmo do primeiro negócio.
A chegada ao Brasil ocorreu em 1881, quando o imigrante italiano tinha 27 anos. A esposa e os dois filhos também participaram da viagem.
O plano inicial envolvia a venda de uma carga de toucinho enviada da Itália. A embarcação responsável pelo transporte, porém, naufragou.
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Décadas mais tarde, o empresário comandava um conglomerado com cerca de 200 fábricas e aproximadamente 30 mil funcionários.
Morte do pai mudou os planos de Francesco Matarazzo
Francesco Antonio Maria Matarazzo nasceu em 9 de março de 1854, em Castellabate, na província italiana de Salerno.
A carreira militar estava entre seus primeiros objetivos. O jovem chegou a estudar no Liceu de Salerno antes de enfrentar uma mudança inesperada.
A morte do pai provocou dificuldades financeiras e obrigou Matarazzo a abandonar os estudos. As responsabilidades pelos negócios familiares passaram para suas mãos.
A crise econômica no sul da Itália também enfraquecia o comércio e reduzia o rendimento das propriedades rurais.
O Brasil apareceu, nesse cenário, como uma possibilidade de recomeço e crescimento profissional.
Pequena casa comercial abriu caminho para o primeiro negócio
A perda da carga levou Matarazzo a seguir para Sorocaba, no interior de São Paulo.
Uma pequena casa comercial foi aberta em maio de 1882, com o apoio de um conterrâneo.

A rotina do comerciante incluía visitas a propriedades rurais, negociações com fazendeiros e transporte de mercadorias em tropas de carga.
O contato direto com produtores permitiu identificar matérias-primas disponíveis e necessidades importantes do mercado regional.
Uma dessas oportunidades estava na banha de porco, produto que o Brasil ainda importava naquele período.
A fabricação local começou por volta de 1883, com a instalação da primeira unidade em Sorocaba.
Outra estrutura produtiva surgiu posteriormente em Capão Bonito do Paranapanema, atual município de Capão Bonito.
Banha em lata impulsionou a expansão industrial
A venda da banha em latas aumentou a conservação do alimento e facilitou o transporte para mercados mais distantes.
O fornecimento das embalagens também passou a ser controlado pelo empresário, que instalou uma metalúrgica própria.
A necessidade de sacos para armazenar farinha abriu espaço para novos investimentos no setor têxtil.
Cada fábrica, dessa maneira, fornecia materiais ou aproveitava insumos utilizados por outra unidade do grupo.
O modelo de integração vertical reduzia custos, ampliava o controle produtivo e fortalecia as margens dos negócios.
Mudança para São Paulo acelerou a formação do império
A transferência para a capital paulista ocorreu em 1890. Matarazzo abriu a empresa Matarazzo & Irmãos com Giuseppe e Luigi.
A Guerra Hispano-Americana, iniciada em 1898, dificultou o fornecimento de farinha pelos Estados Unidos.
Matarazzo antecipou a escassez, importou farinha argentina e abasteceu parte do mercado brasileiro durante a crise.
O Moinho Matarazzo foi inaugurado em março de 1900, com equipamentos comprados na Inglaterra e financiamento obtido em um banco inglês.
A Fábrica de Tecidos Mariângela começou a operar em 1904.
As Indústrias Reunidas Francesco Matarazzo foram formalizadas em 1911 e ampliaram a produção de alimentos, tecidos, embalagens e produtos químicos.
O conglomerado também reuniu bancos, fazendas, imóveis, ferrovias, hidrelétricas, navios e empresas de transporte.
Primeira Guerra Mundial fortaleceu as fábricas nacionais
A Primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1918, reduziu a chegada de mercadorias estrangeiras ao Brasil.
As fábricas de Matarazzo ampliaram a produção para atender à demanda nacional criada pela queda das importações.
O grupo também forneceu produtos destinados à Itália e à França durante o conflito.
O trabalho realizado nesse período rendeu ao industrial o título hereditário de conde, concedido pelo rei da Itália.
A criação do Ciesp ocorreu em 1928, com a participação de Matarazzo. O empresário assumiu a primeira presidência da entidade.
Legado permanece na história de São Paulo
Francesco Matarazzo morreu em 1937, após mais de cinco décadas dedicadas aos negócios no Brasil.
Francisco Matarazzo Júnior assumiu o comando do conglomerado depois da morte do fundador.
Dívidas, problemas sucessórios, mudanças econômicas e uma administração centralizada enfraqueceram o grupo ao longo das décadas seguintes.
Parte desse legado ainda pode ser vista no Edifício Matarazzo, antiga sede das indústrias e atual sede da Prefeitura de São Paulo.
Na sua opinião, qual foi o fator mais decisivo para transformar um começo marcado por perdas em um dos maiores impérios industriais da história do Brasil?

