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Ele chegou ao Brasil com mil liras, viu a carga do primeiro negócio desaparecer no mar e começou quase do zero, mas uma decisão envolvendo banha de porco, latas e farinha acabou levando o imigrante ao comando de 200 fábricas, 30 mil funcionários e um dos maiores impérios industriais da América Latina

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Escrito por Caio Aviz Publicado em 12/07/2026 às 14:44 Atualizado 12/07/2026 às 14:53
Assista o vídeoComplexo industrial do início do século XX com fábricas, chaminés, trabalhadores, vagões de carga e um industrial observando a expansão da produção, representando a trajetória que deu origem a um dos maiores impérios industriais do Brasil.
Cena ilustrativa representa a industrialização brasileira no início do século XX, destacando fábricas, produção integrada e a trajetória de um imigrante que transformou uma pequena casa comercial em um dos maiores conglomerados industriais da América Latina.
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Francesco Matarazzo começou com uma pequena casa comercial, investiu na produção de banha e formou um dos maiores complexos industriais da América Latina

O império industrial criado por Francesco Matarazzo nasceu após um prejuízo que poderia ter encerrado seus planos antes mesmo do primeiro negócio.

A chegada ao Brasil ocorreu em 1881, quando o imigrante italiano tinha 27 anos. A esposa e os dois filhos também participaram da viagem.

O plano inicial envolvia a venda de uma carga de toucinho enviada da Itália. A embarcação responsável pelo transporte, porém, naufragou.

Navio histórico em preto e branco representa a chegada de Francesco Matarazzo ao Brasil em 1881 e a carga perdida no naufrágio antes do início de seu primeiro negócio.
Navio de passageiros representa a viagem de Francesco Matarazzo ao Brasil em 1881, antes do naufrágio da carga de toucinho que sustentaria seu primeiro negócio.

Décadas mais tarde, o empresário comandava um conglomerado com cerca de 200 fábricas e aproximadamente 30 mil funcionários.

Morte do pai mudou os planos de Francesco Matarazzo

Francesco Antonio Maria Matarazzo nasceu em 9 de março de 1854, em Castellabate, na província italiana de Salerno.

A carreira militar estava entre seus primeiros objetivos. O jovem chegou a estudar no Liceu de Salerno antes de enfrentar uma mudança inesperada.

A morte do pai provocou dificuldades financeiras e obrigou Matarazzo a abandonar os estudos. As responsabilidades pelos negócios familiares passaram para suas mãos.

A crise econômica no sul da Itália também enfraquecia o comércio e reduzia o rendimento das propriedades rurais.

O Brasil apareceu, nesse cenário, como uma possibilidade de recomeço e crescimento profissional.

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Pequena casa comercial abriu caminho para o primeiro negócio

A perda da carga levou Matarazzo a seguir para Sorocaba, no interior de São Paulo.

Uma pequena casa comercial foi aberta em maio de 1882, com o apoio de um conterrâneo.

Imóveis comerciais antigos em rua de terra representam a pequena casa comercial aberta por Francesco Matarazzo em Sorocaba, em 1882, antes do início da produção de banha.
Construções comerciais do interior paulista representam o cenário em que Francesco Matarazzo abriu, em 1882, a pequena casa comercial que antecedeu seus primeiros investimentos industriais.

A rotina do comerciante incluía visitas a propriedades rurais, negociações com fazendeiros e transporte de mercadorias em tropas de carga.

O contato direto com produtores permitiu identificar matérias-primas disponíveis e necessidades importantes do mercado regional.

Uma dessas oportunidades estava na banha de porco, produto que o Brasil ainda importava naquele período.

A fabricação local começou por volta de 1883, com a instalação da primeira unidade em Sorocaba.

Outra estrutura produtiva surgiu posteriormente em Capão Bonito do Paranapanema, atual município de Capão Bonito.

Banha em lata impulsionou a expansão industrial

A venda da banha em latas aumentou a conservação do alimento e facilitou o transporte para mercados mais distantes.

O fornecimento das embalagens também passou a ser controlado pelo empresário, que instalou uma metalúrgica própria.

A necessidade de sacos para armazenar farinha abriu espaço para novos investimentos no setor têxtil.

Cada fábrica, dessa maneira, fornecia materiais ou aproveitava insumos utilizados por outra unidade do grupo.

O modelo de integração vertical reduzia custos, ampliava o controle produtivo e fortalecia as margens dos negócios.

Mudança para São Paulo acelerou a formação do império

A transferência para a capital paulista ocorreu em 1890. Matarazzo abriu a empresa Matarazzo & Irmãos com Giuseppe e Luigi.

A Guerra Hispano-Americana, iniciada em 1898, dificultou o fornecimento de farinha pelos Estados Unidos.

Matarazzo antecipou a escassez, importou farinha argentina e abasteceu parte do mercado brasileiro durante a crise.

O Moinho Matarazzo foi inaugurado em março de 1900, com equipamentos comprados na Inglaterra e financiamento obtido em um banco inglês.

A Fábrica de Tecidos Mariângela começou a operar em 1904.

As Indústrias Reunidas Francesco Matarazzo foram formalizadas em 1911 e ampliaram a produção de alimentos, tecidos, embalagens e produtos químicos.

O conglomerado também reuniu bancos, fazendas, imóveis, ferrovias, hidrelétricas, navios e empresas de transporte.

Primeira Guerra Mundial fortaleceu as fábricas nacionais

A Primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1918, reduziu a chegada de mercadorias estrangeiras ao Brasil.

As fábricas de Matarazzo ampliaram a produção para atender à demanda nacional criada pela queda das importações.

O grupo também forneceu produtos destinados à Itália e à França durante o conflito.

O trabalho realizado nesse período rendeu ao industrial o título hereditário de conde, concedido pelo rei da Itália.

A criação do Ciesp ocorreu em 1928, com a participação de Matarazzo. O empresário assumiu a primeira presidência da entidade.

Legado permanece na história de São Paulo

Francesco Matarazzo morreu em 1937, após mais de cinco décadas dedicadas aos negócios no Brasil.

Francisco Matarazzo Júnior assumiu o comando do conglomerado depois da morte do fundador.

Dívidas, problemas sucessórios, mudanças econômicas e uma administração centralizada enfraqueceram o grupo ao longo das décadas seguintes.

Parte desse legado ainda pode ser vista no Edifício Matarazzo, antiga sede das indústrias e atual sede da Prefeitura de São Paulo.

Na sua opinião, qual foi o fator mais decisivo para transformar um começo marcado por perdas em um dos maiores impérios industriais da história do Brasil?

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Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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