A poucos quilômetros de Foz do Iguaçu, Cidade do Leste virou polo de faculdades que atraem estudantes do Brasil inteiro para o curso de medicina no Paraguai; entenda por que tanta gente escolhe essa rota, quanto custa e o que é preciso fazer, com o Revalida, para poder atuar como médico no Brasil
Do outro lado da ponte que liga Foz do Iguaçu ao Paraguai existe um destino que virou rota de milhares de brasileiros com um objetivo específico: o jaleco branco. Não é turismo de compras, é faculdade. Segundo o Correio Braziliense, em reportagem de abril de 2026, estima-se que mais de 35 mil brasileiros estudem medicina no Paraguai, num fenômeno que cresce a cada ano, impulsionado por mensalidades mais baixas e por um ingresso mais fácil que o das universidades brasileiras. Um fluxo que já forma uma multidão.
O caso de quem faz essa travessia tem muitos rostos, e um deles fugiu do padrão. Segundo o g1, em reportagem de março de 2026, Cleones Silveira largou 45 anos de carreira como cabeleireiro e se mudou sozinho para Cidade do Leste para cursar medicina no Paraguai, resumindo a decisão com a frase “nunca é tarde para aprender”. Um calouro fora do comum numa rota cada vez mais movimentada.
Por que tantos brasileiros vão fazer medicina no Paraguai
A explicação para esse fluxo é mais econômica do que emocional, e aparece em números. De acordo com o Correio Braziliense, enquanto no Brasil um curso de medicina em faculdade particular custa entre R$ 8 mil e R$ 10 mil por mês, podendo chegar a R$ 13 mil nas instituições de ponta, no Paraguai as mensalidades ficam entre R$ 800 e R$ 2.500, dependendo da instituição. É essa diferença gritante que coloca o sonho do jaleco ao alcance de quem não conseguiria pagar por ele no Brasil.
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O outro atrativo está na porta de entrada. Conforme o Correio Braziliense, no Brasil o vestibular de medicina é um dos mais concorridos do país, ao passo que nas universidades paraguaias o acesso costuma ser facilitado, muitas vezes sem um exame classificatório, substituído por um curso de nivelamento que prepara o aluno para o início da graduação. Sem o funil do vestibular brasileiro, a medicina no Paraguai vira caminho para o estudante que não passou aqui.
Somadas, essas duas portas explicam por que o fenômeno não para de crescer, em leitura desta redação, devidamente sinalizada. Quando a mensalidade cabe no bolso de mais famílias e a entrada não depende de vencer uma das disputas mais duras do país, a conta fecha para muita gente que sonha com o jaleco. É esse cálculo, feito por dezenas de milhares de brasileiros, que transformou a medicina no Paraguai de exceção em rota consolidada, com faculdades, cursinhos de nivelamento e até serviços de apoio ao estudante brasileiro montados especialmente para atender a essa demanda que chega do outro lado da fronteira.
Cidade do Leste, o polo da medicina no Paraguai

Não é por acaso que Cleones foi parar em Cidade do Leste. Conforme o g1, ele se instalou nessa cidade paraguaia, na fronteira com Foz do Iguaçu, para cursar a faculdade de medicina. A localização é o coração do fenômeno.
As cidades de fronteira concentram esse público, e não só pela distância. Segundo o Correio Braziliense, boa parte dos estudantes brasileiros se reúne em cidades como Cidade do Leste e Pedro Juan Caballero, na fronteira, o que cria toda uma estrutura de moradia, transporte e serviços em torno da medicina no Paraguai. Para quem vem de Foz do Iguaçu, dá para atravessar a Ponte da Amizade e manter um pé em cada país, estudando no exterior sem se afastar de casa.
O passo que falta: o Revalida para atuar no Brasil
Estudar fora é só metade do caminho para quem quer clinicar em território brasileiro. De acordo com o Correio Braziliense, o maior obstáculo surge depois da formatura: para exercer a profissão no Brasil, o diploma obtido no Paraguai precisa ser validado pelo Exame Nacional de Revalidação, o Revalida. Sem essa aprovação, o diploma estrangeiro não habilita ninguém a atuar como médico por aqui.
Esse detalhe é o que separa o sonho da realidade profissional, em leitura desta redação, devidamente sinalizada. O Revalida é uma prova exigente, e nem todo mundo que se forma lá fora passa de primeira, o que torna o planejamento essencial para quem escolhe a medicina no Paraguai. Fazer o curso do outro lado da fronteira pode ser um atalho para entrar, mas não elimina a necessidade de provar, no fim, o mesmo nível de conhecimento cobrado de quem se formou no Brasil. É um caminho legítimo, e não uma linha reta sem obstáculos.
Os desafios que a economia não mostra
Nem tudo é vantagem na travessia, e a honestidade pede o outro lado. Segundo o Correio Braziliense, apesar do custo menor e da facilidade de acesso, a vida no Paraguai impõe desafios, sendo a segurança pública uma das maiores preocupações nas cidades de fronteira, além da adaptação cultural e da barreira do idioma espanhol. O preço baixo da mensalidade não conta a história inteira.
Vale ponderar esse equilíbrio, em observação desta redação, devidamente sinalizada. Quem cogita a medicina no Paraguai precisa colocar na balança não só a economia da mensalidade, mas o custo de vida longe da família, a adaptação a outro país e a preparação para o Revalida. A rota é real e usada por dezenas de milhares de brasileiros, mas exige planejamento de olhos abertos, não uma decisão tomada só pelo preço da parcela.
A rotina de quem encara o curso, dentro e fora da idade esperada
Voltando ao caso que abriu esta reportagem, a experiência de Cleones mostra que o curso não perdoa ninguém. Ao g1, ele contou a dureza da adaptação: “No primeiro semestre, fiz oito recuperações. No segundo, mais oito. No terceiro, apenas três. Estou melhorando. Medicina não é para o mais inteligente, é para o mais persistente. É uma maratona”. A fala vale para qualquer estudante que encara a faculdade de medicina no Paraguai.
O perfil desse público é mais variado do que se imagina, em leitura desta redação, devidamente sinalizada. Tem o jovem recém-saído do ensino médio que não passou no vestibular brasileiro, tem quem já tem outra profissão e decide trocar de carreira, e tem casos como o de Cleones, que chegam mais tarde. Essa diversidade é uma marca dos cursos de fronteira, que reúnem numa mesma sala de aula gente de trajetórias muito diferentes, unida pelo mesmo objetivo de vestir o jaleco.
Assista: quanto custa fazer medicina no Paraguai
Para entender os números por trás dessa decisão, um vídeo ajuda. O canal Medicina Além da Fronteira detalha o custo total de estudar medicina no Paraguai, do valor das mensalidades às despesas de moradia, exatamente o tipo de conta que estudantes como Cleones fazem antes de cruzar a fronteira, segundo o g1. Conta pra gente nos comentários: você conhece alguém que foi fazer medicina no Paraguai?

