Flevopolder, nos Países Baixos, é a maior ilha artificial do mundo: 970,5 km² erguidos sobre o antigo mar Zuiderzee. Fruto do maior projeto de drenagem já feito, ela virou província holandesa em 1986 e abriga cidades inteiras vivendo vários metros abaixo do nível do mar.
Existe um lugar no norte da Europa onde a terra firme, na verdade, foi arrancada do fundo do mar. Segundo o Guinness World Records, a maior ilha artificial do mundo é a Flevopolder, nos Países Baixos, com impressionantes 970,5 km² quase mil quilômetros quadrados de chão que, um século atrás, ainda estavam submersos.
De acordo com o Guinness, essa ilha artificial nasceu do gigantesco sistema Zuiderzee, uma combinação de barragens, diques, aterros e drenagem executada entre 1919 e 1986. Hoje completamente cercada por lagos de água doce, a Flevopolder é a prova de que, com engenharia suficiente, é possível literalmente criar terra onde só havia água.
A maior ilha artificial do mundo

Os números ajudam a entender o feito. Com 970,5 km², a Flevopolder é, de longe, a maior ilha artificial já construída, totalmente rodeada pelos lagos Gooimeer, Ketelmeer e Veluwemeer. Não é um pedaço de terra qualquer no meio da água: é uma província inteira que o ser humano desenhou, drenou e ergueu, num dos episódios mais ousados da engenharia dos Países Baixos.
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E não se trata de um deserto vazio. A ilha abriga cidades como Lelystad e Almere e uma população de mais de 400 mil habitantes, boa parte deles vivendo vários metros abaixo do nível do mar, protegida por diques. Em 1º de janeiro de 1986, essa terra recém-criada se tornou oficialmente Flevoland, a 12ª e mais jovem província dos Países Baixos.
Um mar interior que matava milhares
Para entender por que alguém secaria um mar, é preciso voltar ao problema. O antigo Zuiderzee, uma baía aberta para o Mar do Norte, era uma ameaça constante: as tempestades costeiras provocavam inundações cada vez mais frequentes e mataram milhares de pessoas ao longo dos séculos. Domar aquela água deixou de ser ambição para virar questão de sobrevivência.
Segundo informações divulgadas pelos portais do euronews e Guinness, foi aí que entrou o engenheiro Cornelis Lely, que ganhou fama imortal com seus planos de 1891 para drenar o Zuiderzee. A ideia era tão grandiosa que virou lei: em 14 de junho de 1918, o Diário Oficial anunciou a Lei de Fechamento e Drenagem do Zuiderzee, o tiro de largada para aquele que é lembrado como “o maior projeto de aterro de todos os tempos”.
Fechar o mar com um dique no meio da água

A recuperação da futura ilha artificial começou em 1924, com o fechamento do Amsteldiepdijk, um dique de 2,5 quilômetros entre a Holanda do Norte e a ilha de Wieringen.
Era só o aquecimento para a obra que parecia impossível: erguer um dique gigante no meio do mar aberto, o Afsluitdijk.
Contra todas as dúvidas, deu certo. Em 1932, o Afsluitdijk foi concluído e transformou o mar interior Zuiderzee no lago de água doce IJsselmeer.
Ao trocar a água salgada por um lago controlado, os holandeses criaram as condições para a etapa seguinte e mais audaciosa do plano: secar o fundo e transformá-lo em terra habitável.
O dia em que a ilha de Urk deixou de existir
O primeiro grande pedaço de chão a emergir foi o Noordoostpolder, e sua conclusão teve até data e cena simbólicas.
Em 3 de outubro de 1939, os prefeitos de Urk e de Lemsterland apertaram as mãos exatamente onde a última brecha do dique acabava de ser fechada. Naquele instante, a antiga ilha de Urk deixou de ser cercada por água e passou a fazer parte do continente.
O simbolismo era enorme, mas o trabalho seguiu mesmo em tempos sombrios. O Noordoostpolder foi oficialmente declarado seco em 9 de setembro de 1942, em plena Segunda Guerra Mundial um lembrete de que, enquanto o mundo ardia, os holandeses continuavam a roubar terra do mar, metro a metro.
Terra nova para uma Holanda superlotada
Com a técnica dominada, veio o motivo econômico e social para continuar. A região da Randstad, no oeste do país, estava cada vez mais lotada, e a urbanização acelerada exigia espaço para moradias e lazer. A resposta óbvia era usar a terra que estava sendo criada do zero no antigo Zuiderzee.
Assim nasceram as duas metades da ilha propriamente dita. O Flevoland Oriental foi concluído em 1957 e o Flevoland Meridional, em 1968, completando a Flevopolder. Menos de duas décadas depois, em 1986, todo esse território saído da água ganhou o status de província algo que nenhuma outra “terra inventada” havia conquistado.
Viver abaixo do nível do mar

Morar na maior ilha artificial do mundo tem uma peculiaridade que assusta quem vem de fora: boa parte do solo fica abaixo do nível do mar, e é apenas graças aos diques e a um sistema constante de bombeamento que tudo permanece seco. Basta um descuido nessa engrenagem para que a água volte a reivindicar o que um dia foi seu.
Curiosamente, essa terra artificial também virou refúgio da vida selvagem. Áreas como a reserva de Oostvaardersplassen mostram como um chão totalmente planejado pelo homem pode, com o tempo, ser reconquistado pela natureza. A Flevopolder é, ao mesmo tempo, um triunfo da engenharia e um experimento vivo sobre a relação entre gente, água e território um equilíbrio que precisa ser mantido todos os dias.
E você, moraria numa ilha artificial abaixo do nível do mar?
Um mar fechado a dique, quase mil quilômetros quadrados drenados e uma província inteira erguida sobre o antigo fundo do oceano: a Flevopolder é a prova mais extrema de que a Holanda não espera pela terra ela a fabrica.
Você teria coragem de viver numa ilha artificial vários metros abaixo do nível do mar, confiando em diques e bombas? E acha que projetos assim são o futuro diante da falta de espaço nas cidades? Deixe sua opinião nos comentários.

