Grupo da Escola Politécnica da USP colocou no ar o Elara II com motor híbrido Nêmesis e transformou o Projeto Jupiter em uma das histórias mais fortes dos foguetes universitários no Brasil.
Sem curso específico de engenharia aeroespacial e sem laboratório dedicado a esse tipo de propulsão, alunos da USP fizeram o que pouca equipe universitária brasileira conseguiu até aqui: lançaram em 4 de abril o Elara II, foguete impulsionado pelo motor híbrido Nêmesis, dentro do Projeto Jupiter, em uma operação realizada em Pirassununga com coordenação da Academia da Força Aérea para liberação do espaço aéreo.
O motor que muda o tamanho do feito
O que colocou esse lançamento em outro patamar não foi só o voo, mas o tipo de motor. Na prática, a propulsão híbrida mistura combustível sólido e oxidante separado, o que amplia a segurança operacional e permite um controle mais refinado do empuxo.
A própria NASA destaca que sistemas híbridos podem ser ligados e desligados com o controle do fluxo do oxidante, além de reduzirem o risco de ignição prematura em comparação com motores sólidos tradicionais.
-
Parque nacional dos EUA colocou pássaros robóticos perto de aeroporto para salvar espécie ameaçada: após 32 mortes por aviões, réplicas que dançam e emitem sons tentam atrair aves reais para área restaurada de 100 acres longe das pistas em Wyoming
-
Rússia e Índia içam um vaso de pressão de 320 toneladas para dentro do reator da usina nuclear de Kudankulam em uma operação de precisão, avançando um projeto que, segundo as empresas, já evitou 112 milhões de toneladas de emissões de CO2
-
Estudante de colégio militar de Manaus criou um método que usa ondas sonoras para mexer em genes ligados ao Alzheimer e levou prêmio mundial na maior feira de ciências do planeta, nos Estados Unidos
-
Bosch revoluciona com motor de cubo para bicicletas elétricas de apenas 2,3 kg, 45 Nm de torque e 400 Watts de potência; novidade elimina resistência acima de 25 km/h e marca uma mudança histórica da fabricante alemã
Dentro da Poli, isso ganhou um peso ainda maior porque o desenvolvimento foi tocado majoritariamente pelos próprios estudantes, do projeto à operação.
A Escola Politécnica afirmou que o voo consolidou quase dez anos de pesquisa e capacidade de engenharia construída pelos alunos, em um ambiente que nem sequer tem infraestrutura laboratorial dedicada à propulsão híbrida.
Quase uma década até o fogo sair do papel
O Elara II não nasceu do nada. Segundo a própria equipe, a história do Projeto Jupiter começou em 2014, com o primeiro foguete cruzando os céus dos Estados Unidos em 2015.
Entre 2015 e 2017, o grupo participou de todas as edições da IREC, e em 2017 lançou o Imperius no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, em parceria com a Minerva Rockets, da UFRJ, depois de uma campanha que terminou com o primeiro lugar geral na COBRUF.
A trajetória não parou ali. O Projeto Jupiter empilhou resultados em competições e foi aumentando o grau de complexidade dos veículos ao longo dos anos.
O Europa, por exemplo, já carregava um motor híbrido na LASC 2020, enquanto o Juno II virou tricampeão da competição latino-americana em 2022 e ainda bateu recordes nacionais de apogeu e velocidade dentro do foguete modelismo brasileiro.
O voo ficou abaixo do previsto, mas entregou o que mais importava
A campanha de lançamento começou na noite de 3 de abril e atravessou mais de 12 horas de operação em pleno feriado de Páscoa.
O cronograma sofreu pressão principalmente na etapa de abastecimento do tanque de oxidante, que exigiu intervenções sucessivas.
Quando o Elara II decolou, às 18h06, o nível de oxidante estava abaixo do planejado, e isso derrubou o desempenho esperado do voo, com altitude menor que a prevista.
Ainda assim, o que precisava funcionar apareceu. O sistema de recuperação foi acionado, o foguete voltou ao solo com danos mínimos, e a missão cumpriu justamente o papel que mais interessa em projetos desse porte: integrar propulsão híbrida, frenagem aerodinâmica, abertura de paraquedas, integridade estrutural da fuselagem e treinamento operacional da equipe em uma campanha real.
Projeto Jupiter agora mira o Texas
O lançamento do Elara II empurra a equipe para o próximo salto. A Escola Politécnica informou que o Projeto Jupiter já se prepara para disputar a IREC, no Texas, em junho, representando o Brasil mais uma vez no chamado “mundial de foguetes”.
Depois de anos de tentativa, protótipos, abortos, revisões e evolução técnica, a equipe chega a essa nova fase com algo muito mais forte que discurso: um motor híbrido efetivamente lançado e uma operação real colocada de pé por estudantes.
Na USP, o Projeto Jupiter deixou de ser apenas uma equipe promissora de foguetes. Com o Nêmesis em voo, virou prova concreta de que tecnologia aeroespacial de alto nível também pode sair de um grupo estudantil brasileiro disposto a aprender, testar, errar, corrigir e voltar para a base com mais ambição do que antes.
Comente: você acredita que o Projeto Jupiter pode se transformar em uma das maiores referências universitárias em tecnologia aeroespacial no Brasil? Compartilhe este artigo com quem acompanha inovação, engenharia e foguetes.


Acredito no projeto pois esses estudantes já mostraram alta categoria de conhecimento no assunto que tem surpreendido o mundo, mas eu sou contra mostrar a evolução técnica brasileira no exterior, principalmente para os EUA não tentarem cooptar esses estudantes e seus projetos além da habitual prática de sabotagem a evolução brasileira científica para manter nosso país apenas como colônia subdesenvolvida!
A Boeing está recrutando engenheiros no Brasil e já estamos com petições judiciais nesse sentido
Parabéns, esses estudantes mostra que com determinação e persistência tem como resultado o sucesso. E que a sociedade veja que temos o material mais importante, que é o material humano com ideias brilhantes.