1. Início
  2. Ciência e Tecnologia
  3. Sem curso de engenharia aeroespacial e sem laboratório dedicado, alunos da USP lançam foguete com motor híbrido e leva Projeto Jupiter ao centro da tecnologia aeroespacial
3 comentários 4 min de leitura

Sem curso de engenharia aeroespacial e sem laboratório dedicado, alunos da USP lançam foguete com motor híbrido e leva Projeto Jupiter ao centro da tecnologia aeroespacial

Foto de perfil do autor Flavia Marinho
Escrito por Flavia Marinho Publicado em 18/04/2026 às 07:57 Atualizado em 18/04/2026 às 07:59
Assista o vídeoSem curso específico de engenharia aeroespacial e sem laboratório dedicado, alunos da USP lançam foguete com motor híbrido e leva Projeto Jupiter ao centro da tecnologia aeroespacial
Grupo da Escola Politécnica da USP colocou no ar o Elara II com motor híbrido Nêmesis e transformou o Projeto Jupiter em uma das histórias mais fortes dos foguetes universitários no Brasil.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
115 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Grupo da Escola Politécnica da USP colocou no ar o Elara II com motor híbrido Nêmesis e transformou o Projeto Jupiter em uma das histórias mais fortes dos foguetes universitários no Brasil.

Sem curso específico de engenharia aeroespacial e sem laboratório dedicado a esse tipo de propulsão, alunos da USP fizeram o que pouca equipe universitária brasileira conseguiu até aqui: lançaram em 4 de abril o Elara II, foguete impulsionado pelo motor híbrido Nêmesis, dentro do Projeto Jupiter, em uma operação realizada em Pirassununga com coordenação da Academia da Força Aérea para liberação do espaço aéreo. 

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

O motor que muda o tamanho do feito

O que colocou esse lançamento em outro patamar não foi só o voo, mas o tipo de motor. Na prática, a propulsão híbrida mistura combustível sólido e oxidante separado, o que amplia a segurança operacional e permite um controle mais refinado do empuxo.

A própria NASA destaca que sistemas híbridos podem ser ligados e desligados com o controle do fluxo do oxidante, além de reduzirem o risco de ignição prematura em comparação com motores sólidos tradicionais. 

Dentro da Poli, isso ganhou um peso ainda maior porque o desenvolvimento foi tocado majoritariamente pelos próprios estudantes, do projeto à operação.

A Escola Politécnica afirmou que o voo consolidou quase dez anos de pesquisa e capacidade de engenharia construída pelos alunos, em um ambiente que nem sequer tem infraestrutura laboratorial dedicada à propulsão híbrida. 

Quase uma década até o fogo sair do papel

O Elara II não nasceu do nada. Segundo a própria equipe, a história do Projeto Jupiter começou em 2014, com o primeiro foguete cruzando os céus dos Estados Unidos em 2015.

Entre 2015 e 2017, o grupo participou de todas as edições da IREC, e em 2017 lançou o Imperius no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, em parceria com a Minerva Rockets, da UFRJ, depois de uma campanha que terminou com o primeiro lugar geral na COBRUF. 

A trajetória não parou ali. O Projeto Jupiter empilhou resultados em competições e foi aumentando o grau de complexidade dos veículos ao longo dos anos.

O Europa, por exemplo, já carregava um motor híbrido na LASC 2020, enquanto o Juno II virou tricampeão da competição latino-americana em 2022 e ainda bateu recordes nacionais de apogeu e velocidade dentro do foguete modelismo brasileiro. 

O voo ficou abaixo do previsto, mas entregou o que mais importava

A campanha de lançamento começou na noite de 3 de abril e atravessou mais de 12 horas de operação em pleno feriado de Páscoa.

O cronograma sofreu pressão principalmente na etapa de abastecimento do tanque de oxidante, que exigiu intervenções sucessivas.

Quando o Elara II decolou, às 18h06, o nível de oxidante estava abaixo do planejado, e isso derrubou o desempenho esperado do voo, com altitude menor que a prevista. 

Ainda assim, o que precisava funcionar apareceu. O sistema de recuperação foi acionado, o foguete voltou ao solo com danos mínimos, e a missão cumpriu justamente o papel que mais interessa em projetos desse porte: integrar propulsão híbrida, frenagem aerodinâmica, abertura de paraquedas, integridade estrutural da fuselagem e treinamento operacional da equipe em uma campanha real. 

Projeto Jupiter agora mira o Texas

O lançamento do Elara II empurra a equipe para o próximo salto. A Escola Politécnica informou que o Projeto Jupiter já se prepara para disputar a IREC, no Texas, em junho, representando o Brasil mais uma vez no chamado “mundial de foguetes”.

Depois de anos de tentativa, protótipos, abortos, revisões e evolução técnica, a equipe chega a essa nova fase com algo muito mais forte que discurso: um motor híbrido efetivamente lançado e uma operação real colocada de pé por estudantes. 

Na USP, o Projeto Jupiter deixou de ser apenas uma equipe promissora de foguetes. Com o Nêmesis em voo, virou prova concreta de que tecnologia aeroespacial de alto nível também pode sair de um grupo estudantil brasileiro disposto a aprender, testar, errar, corrigir e voltar para a base com mais ambição do que antes. 

Comente: você acredita que o Projeto Jupiter pode se transformar em uma das maiores referências universitárias em tecnologia aeroespacial no Brasil? Compartilhe este artigo com quem acompanha inovação, engenharia e foguetes.

Inscreva-se
Notificar de
guest
3 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Marcelo Lyra
Marcelo Lyra
23/04/2026 08:29

Acredito no projeto pois esses estudantes já mostraram alta categoria de conhecimento no assunto que tem surpreendido o mundo, mas eu sou contra mostrar a evolução técnica brasileira no exterior, principalmente para os EUA não tentarem cooptar esses estudantes e seus projetos além da habitual prática de sabotagem a evolução brasileira científica para manter nosso país apenas como colônia subdesenvolvida!

Carlos
Carlos
Em resposta a  Marcelo Lyra
23/04/2026 12:49

A Boeing está recrutando engenheiros no Brasil e já estamos com petições judiciais nesse sentido

Wilson Azevedo
Wilson Azevedo
21/04/2026 15:22

Parabéns, esses estudantes mostra que com determinação e persistência tem como resultado o sucesso. E que a sociedade veja que temos o material mais importante, que é o material humano com ideias brilhantes.

Fonte
Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
3
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x