Endividamento das famílias avança em Belo Horizonte; inadimplência chega a 64,8% com impacto do cartão de crédito e juros altos.
A inadimplência em Belo Horizonte alcançou 64,8% dos consumidores em dezembro de 2025, um dos níveis mais elevados desde o início da série histórica em 2014.
O índice, divulgado nesta sexta-feira (16), mostra alta de 0,1 ponto percentual em relação a novembro e reflete a combinação de Taxa Selic 15%, compras de fim de ano e dificuldades crescentes para renegociação de dívidas.
O levantamento é da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), compilada pela Fecomércio MG.
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Logo no fechamento do ano, mais de um quarto dos consumidores (27,2%) afirmou não ter condições de quitar os débitos, percentual acima dos 25,3% registrados no mês anterior.
O dado acende um alerta para o início de 2026, período tradicionalmente marcado por despesas fixas e impostos.
Selic em 15% pressiona orçamento e dificulta renegociação
A Taxa Selic 15% ao ano aparece como o principal fator de pressão sobre o orçamento das famílias.
Segundo a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, o custo do crédito limita tanto o consumo quanto a capacidade de reorganizar dívidas.
“Com essa taxa de juros, ele acaba perdendo tanto o poder de compra com relação a produtos duráveis e semiduráveis, quanto em conseguir melhores opções de financiar a dívida.
Essa renegociação acaba se tornando algo mais difícil, com isso ela acaba perdendo poder de crédito também e pode gerar uma bola de neve”, alerta a economista.
Assim, a inadimplência não impacta apenas o consumidor. O comércio também sente os efeitos, já que a restrição ao crédito leva famílias a priorizar gastos essenciais e adiar compras.
Endividamento das famílias freia consumo e afeta a economia
Com renda comprometida, o endividamento das famílias reduz a circulação de dinheiro e afeta a atividade econômica local.
De acordo com Fernanda Gonçalves, a necessidade de honrar dívidas acumuladas força cortes em bens e serviços.
“Tem o comprometimento da renda com pagamento de dívidas, o que acaba se tornando um cenário alarmante.
As famílias acabam reduzindo gastos de bens e serviços, o que gera um impacto direto na economia, porque ela não tem condições e tem que pagar essas dívidas que já estão acumuladas”, acrescenta.
O cenário é mais severo entre famílias com renda mensal de até 10 salários mínimos, onde a inadimplência atinge 75,7%.
Já entre os que ganham acima desse patamar, 62,6% apresentam contas em atraso.
Compras de fim de ano ampliam risco no início de 2026
As compras de fim de ano, especialmente quando parceladas, contribuíram para pressionar o orçamento. O problema tende a se agravar com despesas típicas do primeiro trimestre, como matrícula escolar, seguros e IPVA.
“Em janeiro, as despesas estacionais, como matrícula, seguro, em fevereiro tem o IPVA, se o consumidor não consegue se organizar financeiramente, aumenta as chances de ter contas em atraso e de inadimplência.
As compras do final do ano impactam se tiver um mau planejamento e acabar se perdendo ao acumular diversas parcelas das compras que ele realizou”, alerta a economista.
Entre os inadimplentes, 42% acreditam que não conseguirão regularizar os débitos já no mês seguinte, o que indica persistência do problema ao longo do ano.
Queda no endividamento não impede avanço da inadimplência
Apesar do quadro desafiador, o Peic mostra queda de 0,5 ponto percentual no endividamento, que chegou a 87,6% em dezembro.
Em comparação com o mesmo mês de 2024, quando 90,8% estavam endividados, há melhora relevante.
Do total de entrevistados, 38,9% dizem estar pouco endividados, 30,8% se consideram moderadamente endividados e 18% afirmam estar muito endividados.
Assim, apenas 12,4% não possuem nenhum tipo de dívida ativa.
Cartão de crédito lidera compromissos financeiros
O cartão de crédito segue como o principal vilão do orçamento: 96,5% dos consumidores endividados mencionam esse meio de pagamento.
O uso recorrente para despesas do dia a dia, somado aos juros elevados, exige controle rigoroso.
Outras dívidas citadas incluem carnês (31,6%), financiamento de veículos (12,6%) e crédito pessoal (8,7%). Para muitos, o problema não é apenas o valor, mas o tempo: 40% afirmam que as dívidas devem se estender por mais de 12 meses.
Comprometimento da renda preocupa
A parcela da renda mensal destinada ao pagamento de dívidas varia entre 11% e 50% para 60,9% dos consumidores da capital mineira.
Então em um ambiente de Taxa Selic 15%, essa fatia elevada reduz a margem para consumo e amplia o risco de novas inadimplências.
Enquanto a alta dos juros pode favorecer quem consegue investir, especialmente nas classes média e alta, o desafio permanece para a maioria das famílias.
O equilíbrio entre planejamento, uso consciente do cartão de crédito e cautela após as compras de fim de ano será decisivo para conter a inadimplência em Belo Horizonte nos próximos meses.
veja mais em: Em dezembro, inadimplência atinge 64,8% em Belo Horizonte
