Quinze anos após a sequência de terremoto, tsunami e acidente nuclear de 2011, Fukushima ainda exibe ruas restauradas, áreas reabertas e um vazio humano que mantém a cidade japonesa entre os exemplos mais marcantes de cidade fantasma no mundo
Fukushima completa 15 anos como cidade fantasma no Japão após o terremoto de magnitude 9,0, o tsunami e o desastre nuclear de março de 2011, que forçaram evacuação em massa, impediram o retorno da população e deixaram a região em reconstrução.
Fukushima 15 anos depois
Quando se fala em cidade fantasma, muitos pensam em Pripyat, na Ucrânia. Há casos como Centrália, nos Estados Unidos, e Herculano, na Itália.
Fukushima chama atenção pelo desastre que levou ao abandono. O município completou 15 anos desde o início desse esvaziamento na semana passada.
-
O Google quer soltar 32 milhões de mosquitos na Califórnia e na Flórida e pediu autorização oficial ao governo americano para isso. Parece pesadelo, mas os insetos são machos esterilizados criados para exterminar os mosquitos que matam milhões de pessoas por ano
-
Uma máquina de guerra de mais de 10 mil toneladas, capaz de destruir cidades inteiras, não pode simplesmente virar sucata, e desmontar um submarino nuclear aposentado virou uma das operações industriais mais perigosas do planeta, com reatores radioativos que precisam ser enterrados por séculos
-
Escassez de mão de obra volta a preocupar o Canadá: aposentadorias já tiram 25,5 mil trabalhadores por mês do mercado e país pode voltar a enfrentar falta de gente mesmo com desemprego ainda elevado
-
No Brasil, pescadores viram “faxineiros” dos manguezais e removem 46 toneladas de lixo para tentar ressuscitar berçários naturais sufocados por plástico, pneus, sofás e mais de 1 milhão de itens descartados nas baías de Guanabara e Sepetiba
Hoje, Fukushima passa por restaurações e tem áreas abertas para visitação e moradia. Mesmo assim, visitantes descrevem sensação de estranheza ao encontrar ruas preservadas, mas com presença limitada.
Aparência normal, cidade vazia
Com asfalto, faixas repintadas e postes funcionando, Fukushima parece cidade comum. O contraste aparece na falta de moradores, após anos de evacuação e restrições.
Antes marcada por indústria, turismo e comércio, a região hoje exibe ruas vazias. Quem passa por lá encontra fauna, visitantes e funcionários ligados à recuperação.
Um visitante relatou que o lugar parece retomado pela natureza, como cenário pós apocalíptico. Árvores envolvem casas, o mato avança sobre áreas urbanas e carros vazios acumulam poeira entre vegetação sem controle.
A sequência de catástrofes
Fukushima dominou os noticiários em 11 de março de 2011, quando foi atingida por uma sequência de catástrofes. Por volta das 14h46, no horário local, um terremoto de magnitude 9,0 atingiu a região.
Os tremores foram seguidos por uma tsunami que chegou à costa às 15h42, com ondas de até 15 metros. Os dois desastres atingiram a usina Daiichi e provocaram o desligamento de três reatores.
Geradores e painéis elétricos foram destruídos, causando falta total de energia elétrica. Mesmo assim, moradores continuaram na região até o anoitecer, buscando familiares desaparecidos e aguardando o fim do blackout.
Autoridades que fiscalizavam a usina perceberam que o combustível nuclear começou a superaquecer, sem energia para o resfriamento. O governo japonês declarou emergência e ordenou evacuação em um raio de 2 a 3 km.
Explosões e retirada
No dia 12 de março, uma explosão de hidrogênio no reator 1 destruiu o teto do edifício e ampliou para 20 km o raio de evacuação. Em 14 de março, nova explosão no reator 3 feriu 11 trabalhadores.
No dia 15, explosões atingiram os reatores 2 e 4, enquanto os núcleos dos reatores 1, 2 e 3 começaram a derreter. Isso elevou drásticamente os níveis de radiação e impediu o retorno da população.
Segundo dados oficiais do governo japonês, aproximadamente 22.230 pessoas foram contabilizadas como mortas ou desaparecidas após a combinação entre terremoto e tsunami.
Reabertura parcial
Áreas mais afastadas da usina, como Tamura e Naraha, foram reabertas em 2014 e 2015. Outras regiões críticas, como Okuma e Futaba, também foram liberadas pelas autoridades japonesas.
Embora grande parte da região já esteja livre para a população, há apenas 200 moradores registrados. Muitos japoneses ainda hoje seguem receosos com Fukushima ou preferem novas vidas longe dali.
Com informações de Crusoe.


-
-
-
4 pessoas reagiram a isso.