Fortaleza circular de Ksar Draa, na Argélia, impressiona por muralhas de nove metros, origem desconhecida e teorias que envolvem caravanas, prisão, comunidade no deserto e possível refúgio para perseguidos
A fortaleza circular de Ksar Draa, localizada na província de Timimoun, na Argélia, chama atenção por uma combinação rara: estrutura monumental no meio do Deserto do Saara, muralhas com mais de nove metros de altura e origem ainda desconhecida. Sem inscrições ou documentos que expliquem sua função, o local segue cercado por hipóteses.
Ksar Draa se destaca pelo formato circular no meio do Saara
Ksar Draa fica em uma área isolada do Deserto do Saara e é pouco conhecida pelo grande público. Vista à distância, a construção se impõe na paisagem desértica pela forma circular e pelas muralhas espessas.
A antiga cidadela foi construída com argila, areia, palha e pedra. A combinação desses materiais ajudou a erguer uma estrutura resistente, adaptada a um ambiente marcado por calor intenso, areia e longos períodos de isolamento.
-
Adeus banheiro tradicional: empresa chinesa apresenta vaso sanitário robótico que vai até o usuário sozinho, usa sensores lidar, comando de voz, bidê, secagem com ar quente, luz ultravioleta e ainda esvazia os resíduos sem precisar levar a pessoa ao banheiro
-
Roterdã criou uma praça alagável que some debaixo da água de propósito, “engole” quase 2 milhões de litros da chuva em três bacias e vira quadra, teatro e área de lazer quando está seca para enfrentar alagamentos urbanos
-
Parque nacional dos EUA colocou pássaros robóticos perto de aeroporto para salvar espécie ameaçada: após 32 mortes por aviões, réplicas que dançam e emitem sons tentam atrair aves reais para área restaurada de 100 acres longe das pistas em Wyoming
-
Rússia e Índia içam um vaso de pressão de 320 toneladas para dentro do reator da usina nuclear de Kudankulam em uma operação de precisão, avançando um projeto que, segundo as empresas, já evitou 112 milhões de toneladas de emissões de CO2
As muralhas têm mais de nove metros de altura e cerca de dois metros de espessura. Essas dimensões indicam uma preocupação clara com defesa, proteção climática ou controle de acesso ao interior da fortaleza.
Outro elemento importante é a existência de apenas uma entrada principal. Em uma região desértica e vulnerável a ataques, esse desenho tornaria o espaço mais fácil de proteger.
Ruínas indicam possível ocupação organizada
O interior de Ksar Draa está hoje reduzido a ruínas. Ainda assim, arqueólogos e historiadores acreditam que o local pode ter abrigado residências, cozinhas comunitárias, escolas e uma grande mesquita.
Esses elementos sugerem que a estrutura talvez tenha funcionado como mais do que uma simples fortificação. O conjunto poderia ter reunido atividades de moradia, convivência, culto e organização cotidiana.
Apesar dessas pistas, quase nada é considerado certo sobre o local. A idade também permanece indefinida. Especialistas acreditam que Ksar Draa tenha pelo menos 700 anos, mas a construção pode ser ainda mais antiga.
A ausência de inscrições, documentos, hieróglifos ou registros preservados impede uma resposta definitiva sobre quem construiu a cidadela, quando ela foi erguida e por que acabou abandonada.

Nome da fortaleza ajuda a explicar parte do mistério
O nome Ksar Draa oferece uma das poucas pistas disponíveis. “Ksar” é um termo usado no Norte da África para designar aldeias fortificadas tradicionais, especialmente ligadas aos berberes.
Esses assentamentos costumavam reunir casas interligadas, depósitos comunitários e estruturas defensivas. A palavra também pode ser traduzida do árabe como “castelo” ou “fortaleza”.
Essa definição combina com Ksar Draa, mas não resolve o enigma. A cidadela foge do padrão de muitos ksares conhecidos, geralmente construídos em regiões montanhosas e com aparência de casas agrupadas.
Em vez disso, Ksar Draa se destaca pelo formato circular quase perfeito e pela posição isolada em pleno Saara. Essa diferença alimenta dúvidas sobre sua função original.

Prisão, comunidade ou parada de caravanas
Entre as principais hipóteses, uma sugere que Ksar Draa pode ter funcionado como prisão. O isolamento entre dunas e as muralhas altas dificultariam qualquer tentativa de fuga.
Outra possibilidade é que a fortaleza tenha sido uma comunidade adaptada às condições extremas do deserto. Nesse caso, as muralhas serviriam tanto contra o clima hostil quanto contra ataques de saqueadores.
Há ainda a hipótese de que Ksar Draa tenha sido um caravanserai, uma hospedaria fortificada usada por mercadores, peregrinos e viajantes em rotas comerciais do mundo islâmico e asiático.
Esses locais costumavam ter paredes altas, um único portão, áreas para armazenar mercadorias, estábulos, dormitórios e espaços de oração. A descrição se aproxima de elementos atribuídos à fortaleza argelina.
Se essa função for confirmada, Ksar Draa teria sido um ponto seguro em antigas rotas comerciais do Saara, onde viajantes enfrentavam calor extremo, falta de água, tempestades de areia e risco de ataques.
Também existe uma hipótese ligada à perseguição religiosa. Alguns pesquisadores suspeitam que a cidadela possa ter servido de abrigo para comunidades judaicas perseguidas no Norte da África.
No século 15, o estudioso islâmico Muhammad al-Maghili liderou campanhas contra populações judaicas na região, forçando famílias a fugir. Ksar Draa poderia ter sido um refúgio isolado, mas essa teoria não foi comprovada.
Esta matéria foi elaborada com base em informações do material-base fornecido e do portal All That’s Interesting, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

