Trecho da Padre Manuel da Nóbrega gera dúvidas entre motoristas por mudanças rápidas de limite e fiscalização constante, levantando questionamentos sobre clareza da sinalização e segurança viária.
Motoristas que trafegam pela Rodovia Padre Manuel da Nóbrega (SP-055), no trecho entre os bairros Cibratel e Gaivota, em Itanhaém, no litoral sul de São Paulo, relatam confusão com a sinalização de velocidade e afirmam estar sendo surpreendidos por multas aplicadas em poucos metros de diferença entre uma placa e outra.
Ao longo do trecho, o limite predominante é de 80 km/h, mas em determinados pontos a velocidade cai abruptamente para 60 km/h e, logo adiante, volta a 80 km/h.
A combinação de mudanças rápidas, placas consideradas pouco claras e fiscalização com radar móvel faz com que condutores se refiram ao local como uma espécie de “armadilha de velocidade”.
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Mudanças rápidas de limite entre Cibratel e Gaivota
Quem passa com frequência pela Padre Manuel da Nóbrega nesse trecho descreve um padrão repetido: placas indicando 80 km/h, seguida de redução para 60 km/h em um curto espaço de pista, e novo retorno a 80 km/h poucos metros depois.
De acordo com os relatos, esse intervalo reduzido entre as placas exige atenção constante do motorista para não ultrapassar o limite pontual de 60 km/h.
Muitos condutores afirmam que, ao tentar acompanhar o fluxo da rodovia, acabam flagrados por radares móveis posicionados justamente nesses segmentos de redução.

Nas redes sociais, moradores de Itanhaém e de cidades vizinhas publicam fotos, vídeos e relatos sobre o trecho, criticando tanto a frequência das mudanças quanto a forma como a sinalização está instalada.
A percepção comum é de que a informação não é intuitiva e, por isso, surpreende principalmente quem não conhece bem a rodovia.
Relatos de motoristas flagrados inesperadamente
O autônomo Matheus Santos conta que só percebeu a redução para 60 km/h depois de receber uma autuação em casa.
“Eu só fiquei sabendo que ali caiu para 60 porque chegou uma multa em casa. Eu ando sempre dentro do limite, mas o trecho está mal sinalizado”.
A funcionária pública Erica Silva relata que redobra a atenção sempre que passa pelo ponto em que a velocidade muda em sequência.
“Eu fico muito esperta quando passo por ali. É preciso ficar de olho nas placas o tempo todo para acompanhar as mudanças do limite de velocidade”.
Para o construtor civil José Valentim, o problema não está apenas na variação de velocidade, mas na combinação entre sinalização e fiscalização.
“A sinalização é ineficiente e ainda colocam o guarda justamente onde a gente fica perdido”.
Os relatos convergem na mesma avaliação: as placas existem, porém o desenho do trecho e a forma como os limites se alternam fazem com que a leitura seja difícil, especialmente em horários de maior movimento ou em condições de visibilidade reduzida.
Rodovia sob gestão da Concessionária Novo Litoral
A Rodovia Padre Manuel da Nóbrega é um dos principais eixos viários do litoral paulista, ligando cidades da Baixada Santista, como Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe, a municípios do Vale do Ribeira e à Rodovia Régis Bittencourt.

Desde novembro de 2024, o trecho integra o Lote Litoral Paulista, sob responsabilidade da Concessionária Novo Litoral (CNL), que administra 212 km de rodovias nas regiões do Alto Tietê, Baixada Santista e Vale do Ribeira, com previsão de investimentos bilionários em obras de modernização e segurança viária ao longo de 30 anos de contrato.
Questionada sobre as críticas ao trecho entre Cibratel e Gaivota, a concessionária afirma que vem executando um programa de conservação e melhorias desde o início da operação e que desenvolve serviços contínuos de atendimento aos usuários, como guincho, apoio mecânico e atendimento médico, além de ações de monitoramento de tráfego.
Segundo a empresa, já foram investidos mais de R$ 280 milhões em conservação viária, e as equipes registraram 21.203 atendimentos no conjunto das rodovias sob sua responsabilidade, incluindo remoções, socorro mecânico, resgate de animais na pista e ocorrências médicas.
Esses números, de acordo com a concessionária, refletem o esforço para estruturar o atendimento em toda a malha do Lote Litoral.
Critérios técnicos para definição dos limites de velocidade
Em nota, a Concessionária Novo Litoral (CNL) afirma que a configuração de velocidade na rodovia segue critérios técnicos definidos em estudos específicos para cada segmento.
“A definição da velocidade é determinada seguindo estudo técnico rigoroso, que considera raio das curvas, superelevação, inclinação da rodovia, visibilidade, área urbana e adensamento geográfico. A velocidade de cada trecho é estabelecida com base nesses fatores. Não houve mudança no limite de velocidade nesse trecho”.
A concessionária também sustenta que, desde que assumiu a gestão da rodovia, não alterou os limites de velocidade entre Cibratel e Gaivota.
Segundo a CNL, a sinalização presente hoje reproduz parâmetros anteriores, considerados adequados aos padrões de segurança estabelecidos pelos órgãos reguladores estaduais.
Debate sobre sinalização e fiscalização na Padre Manuel da Nóbrega

Especialistas em trânsito costumam destacar que a sinalização deve ser clara, legível e estar posicionada de forma a permitir que o condutor adapte a condução com segurança.
O Código de Trânsito Brasileiro prevê que a responsabilidade pela implantação e manutenção da sinalização é do órgão ou entidade com circunscrição sobre a via e estabelece que não devem ser aplicadas sanções quando a sinalização for insuficiente ou incorreta.
No caso da Padre Manuel da Nóbrega em Itanhaém, os relatos de usuários não apontam ausência total de placas, mas sim a percepção de que a sucessão rápida de mudanças de limite, associada à fiscalização com radares móveis, torna o cumprimento das regras mais difícil e amplia a sensação de injustiça nas autuações.
Enquanto isso, moradores seguem recorrendo às redes sociais para divulgar experiências, alertar outros motoristas sobre o trecho e questionar a lógica de reduzir a velocidade por curto espaço e, em seguida, retomá-la a 80 km/h.
Há também pedidos para que o poder público e a concessionária reavaliem o desenho da sinalização, buscando maior previsibilidade para quem trafega diariamente pela rodovia ou está de passagem pelo litoral.

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